Alta do IBC-Br não convence: economistas mantêm previsão pessimista para PIB
A atividade econômica brasileira voltou a crescer em agosto, mas a recuperação ainda não muda a perspectiva de um terceiro trimestre fraco. Para economistas da Genial Investimentos e do ASA, o avanço do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) é compatível com um cenário de estagnação ou queda do Produto Interno Bruto (PIB) […]

A atividade econômica brasileira voltou a crescer em agosto, mas a recuperação ainda não muda a perspectiva de um terceiro trimestre fraco. Para economistas da Genial Investimentos e do ASA, o avanço do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) é compatível com um cenário de estagnação ou queda do Produto Interno Bruto (PIB) no período.
O indicador avançou 0,3% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, interrompendo dois meses consecutivos de retração. Antes, havia recuado 0,8% em junho e 0,3% em julho, segundo a série oficial do Banco Central.
Na avaliação de Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a alta reverte a perda do mês anterior, mas permanece consistente com a expectativa da casa de estabilidade do PIB no terceiro trimestre, diante de um cenário macroeconômico adverso.
“Apesar dos sinais mais amplos de perda de dinamismo da economia como um todo, cabe destacar que, na série com ajuste sazonal, o IBC-Br segue operando muito próximo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica”, afirma Lin.
Para o economista, esse patamar sugere que o esfriamento da atividade deve ocorrer de maneira gradual em 2026. Na avaliação dele, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal limita parte do efeito dos juros elevados sobre a economia.
A média móvel trimestral também permanece negativa, embora tenha passado de uma queda de 0,30% em julho para um recuo de 0,25% em agosto, segundo a Genial.
O ASA, por sua vez, mantém a projeção de queda de 0,2% do PIB no terceiro trimestre. O economista Leonardo Costa destaca que, apesar da alta mensal, o IBC-Br recuou 0,6% no trimestre encerrado em agosto frente ao terminado em maio. Em 12 meses, o crescimento acumulado ficou em 1,6%.
“O crescimento de apenas 1,6% em 12 meses e a queda de 0,6% na métrica trimestral permanecem mais compatíveis com um cenário de PIB negativo no trimestre”, afirma Costa.
Na abertura setorial, a alta de agosto foi puxada pela indústria, que avançou 0,9%, acompanhada pelos serviços, com expansão de 0,2%. A agropecuária caiu 1,8%. Excluindo o setor agropecuário, o indicador também cresceu 0,3%, conforme os dados apresentados pela ASA.
“Em conjunto com os resultados recentes de indústria, comércio e serviços, os dados reforçam a percepção de que a economia perdeu tração de forma mais intensa no começo da segunda metade do ano”, avalia Costa.
Varejo e serviços reforçam quadro de economia perto da estabilidade
Os indicadores divulgados pelo IBGE nesta semana também mostram uma atividade com pouco fôlego em agosto. Na quinta-feira (15), o instituto informou que as vendas do varejo restrito subiram apenas 0,1% ante julho, após queda de 0,8% no mês anterior.
No varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado alimentício, houve retração de 0,2%, enquanto a expectativa era de avanço de 1%. As médias móveis trimestrais também caíram: 0,1% no comércio restrito e 0,3% no ampliado.
Já o volume de serviços prestados recuou 0,1% em agosto, conforme divulgado na quarta-feira (14), frustrando a projeção de crescimento de 0,5%. O setor ainda acumula expansão de 2,2% em 12 meses, mas apresentou pouca movimentação na comparação mensal.
Em conjunto, a alta limitada do comércio e a ligeira queda dos serviços reforçam a leitura dos economistas de que a recuperação do IBC-Br em agosto ainda não representa uma retomada mais firme da economia brasileira.
