Aluguéis comerciais sobem 11,5% em 12 meses e superam inflação nacional

O mercado de imóveis comerciais no Brasil segue mostrando resiliência, com destaque para a valorização dos aluguéis e oportunidades de investimento atrativas, de acordo com o levantamento de junho de 2026 doÍndice FipeZap comercial, que acompanha salas e conjuntos comerciais de até 200 metros quadrados em 10 cidades do país. O índice é desenvolvido pela Fipe em parceria com o Grupo OLX (Zap, Viva Real e OLX).
No primeiro semestre, os preços de locação avançaram 6,82%, e no acumulado de 12 meses encerrados em junho, o aumento foi de 11,49%, muito acima da inflação medida pelo IPCA, de 4,64%, e pelo IGP-M, de 3,16%. Em contraste, os preços de venda cresceram de forma mais contida, subindo apenas 1,27% no semestre e 2,14% em 12 meses, evidenciando um mercado de locação mais aquecido que o de compra e venda.
Em junho, os aluguéis tiveram alta média de 1,38%, mesmo em um cenário de estabilidade de preços gerais: o IPCA subiu apenas 0,16%, enquanto o IGP-M registrou queda de 0,50%.
Entre as cidades monitoradas, Brasília liderou o crescimento mensal, com alta de 5,32%, revertendo variações mais modestas registradas anteriormente. O Rio de Janeiro consolidou sua recuperação, acumulando a maior alta do país nos últimos 12 meses, de 20,80%. Apenas Florianópolis apresentou queda nos preços em junho, de 0,85%.
Quando se observa os preços médios, as diferenças regionais são significativas. O valor médio de venda ficou em R$ 8.774 por metro quadrado, enquanto o aluguel médio foi de R$ 53,37 por metro quadrado. No topo da lista estão São Paulo (10.565), Curitiba (R$ 9.202) e Florianópolis (R$ 9.135), enquanto Porto Alegre registrou os menores preços, com R$ 6.392 para venda e R$ 34,79 para locação.
São Paulo continua como a cidade com os maiores valores, impulsionada pelos bairros corporativos mais valorizados. No mercado de vendas, o Itaim Bibi lidera com R$ 13.530 por metro quadrado, seguido por Pinheiros (R$ 13.045) e Jardins (R$ 12.465). Nos aluguéis, o Itaim Bibi também ocupa o topo, com R$ 98,48 por metro quadrado, com a Vila Olímpia em segundo lugar (R$ 94,60). No acumulado de 12 meses, a locação avançou 8,22%, enquanto a venda subiu 2,01% na capital.
Um dos indicadores que chamam a atenção é o rental yield, a relação entre aluguel e preço de venda, que mede a atratividade do investimento.
"O cálculo é simples. Basta dividir o valor de 1 ano de aluguel pelo preço médio de venda do imóvel. O resultado será a porcentagem que a propriedade rende por ano", explica Mariangela Silva, economista do Grupo OLX.
Salvador se destaca com a maior rentabilidade do país, de 11,43% ao ano, apesar de ter o menor preço de venda (R$ 5.605), combinando aluguéis relativamente altos (R$ 53,98) com baixo valor de aquisição. Essa rentabilidade supera a média do mercado residencial (6,13% ao ano), embora ainda fique abaixo do retorno de aplicações financeiras, influenciado pelas taxas de juros elevadas.
"Os preços de locação estão em forte aceleração, acumulando alta de 6,82% no primeiro semestre e 11,49% nos últimos 12 meses. Em contrapartida, os preços de venda estão praticamente estagnados, com alta de apenas 1,27% no semestre e 2,14% nos últimos 12 meses. Neste momento, a locação dos imóveis comerciais tem sido vantajosa, com a média gerando ganho real frente à inflação, uma vez que a rental yield é de 7,56% ao ano", afirma Silva.
A economista salienta, no entando, que quem tem um imóvel, não importa se comercial ou residencial, pode rentabilizá-lo tanto ao alugar quanto ao vender. "Quando falamos da venda do imóvel, o principal fator de ganho é a valorização com o tempo. Por isso, o momento ideal para vender depende muito dos objetivos e possibilidades do proprietário", finaliza a economista.
