Aluguel sobe dez vezes mais que a inflação em julho, segundo FipeZAP
Preços de locação residencial avançam 9,28% em 12 meses, enquanto IPCA acumula alta de 4,44%

O preço dos aluguéis residenciais continuou subindo em ritmo muito acima da inflação em julho. O Índice FipeZAP de Locação Residencialregistrou alta de 0,70% no mês, enquanto o IPCA, indicador oficial de inflação, avançou apenas 0,07% no período — uma diferença de dez vezes.
O movimento mantém uma tendência observada ao longo de 2026. No acumulado do ano, os aluguéis monitorados pelo FipeZAP subiram 5,97%, contra uma alta de 3,44% do IPCA e 2,08% do IGP-M.
Considerando os últimos 12 meses, a diferença permanece. Os preços de locação residencial avançaram 9,28%, enquanto o IPCA acumulou 4,44% e o IGP-M, usado tradicionalmente em reajustes de contratos, teve alta de 2,76%.
O levantamento acompanha os preços de aluguel em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais.
Aluguel de dois dormitórios lidera alta
Entre as diferentes tipologias analisadas, os imóveis de dois dormitórios foram os que mais valorizaram em julho, com alta de 0,85% no mês.
Esse tipo de imóvel também lidera o avanço no acumulado de 12 meses, com valorização de 10,21%, acima da média geral do índice.
Em relação ao preço por área, os apartamentos de um dormitório continuam sendo os mais caros proporcionalmente. O aluguel médio dessas unidades chegou a R$ 72,08 por metro quadrado.
Já os imóveis de três dormitórios apresentam o menor valor médio por área, com aluguel de R$ 46,58 por metro quadrado.
Barueri tem o aluguel mais caro do Brasil
O preço médio de locação residencial nas cidades monitoradas pelo FipeZAP encerrou julho em R$ 54,17 por metro quadrado.
Entre as cidades analisadas, Barueri (SP) aparece como o mercado com o aluguel mais caro do país, com valor médio de R$ 72 por metro quadrado.
Na sequência aparecem:
- Barueri (SP) — R$ 72,00/m²
- São Paulo (SP) — R$ 65,18/m²
- Recife (PE) — R$ 64,11/m²
- Belém (PA) — R$ 62,65/m²
- Florianópolis (SC) — R$ 60,84/m²
- Rio de Janeiro (RJ) — R$ 60,80/m²
Na comparação entre capitais, São Paulo lidera os valores médios de locação, seguida por Recife e Belém.
Aracaju teve maior alta no ano
O avanço dos aluguéis não foi uniforme pelo país. Considerando o acumulado de 2026, Aracaju (SE) registrou a maior valorização entre as cidades acompanhadas, com alta de 16,12%.
O ranking das maiores altas no ano inclui:
- Aracaju (SE) — +16,12%
- Niterói (RJ) — +15,26%
- Campo Grande (MS) — +11,95%
- Manaus (AM) — +11,04%
- Fortaleza (CE) — +10,98%
Niterói também se destaca no horizonte mais longo: o aluguel na cidade avançou 26,51% nos últimos 12 meses, uma das maiores altas entre os mercados analisados.
Na direção oposta, Pelotas (RS) registrou a maior queda acumulada no ano, com retração de 7,38%.
Retorno do aluguel fica em 6,14% ao ano
Apesar da valorização dos preços, o retorno médio para proprietários que investem em imóveis para locação permanece em um patamar moderado.
O rental yield, indicador que mede a rentabilidade anual estimada do aluguel em relação ao valor do imóvel, foi calculado em 6,14% ao ano em julho.
Os imóveis de um dormitório apresentam o maior retorno médio, com yield de 6,78% ao ano. Já unidades com quatro ou mais dormitórios têm a menor rentabilidade, estimada em 4,84% ao ano.
Entre as cidades, Recife apresenta o maior retorno médio com aluguel, de 8,47% ao ano, seguida por Cuiabá, com 8,31%, e Belém, com 8,18%.
Apesar da alta dos preços de locação, o retorno médio ainda fica abaixo da rentabilidade projetada para algumas aplicações financeiras de referência no mesmo período, segundo a análise do índice.
