Aluguel sobe menos que a inflação em setembro, mas é o dobro do IPCA em 12 meses
Quem procura imóvel para alugar em Fortaleza paga quase 17% a mais que há um ano

- • O aluguel residencial subiu 0,52% em setembro, quinta desaceleração seguida desde o pico de abril (1,04%)
- • A alta do mês ficou abaixo do IPCA (0,82%) e do IGP-M (1,57%)
- • Em 12 meses, o aluguel acumula 9,13%, o dobro da inflação oficial e acima da valorização dos imóveis à venda (5,51%)
- • Fortaleza (16,59%) e Natal (16,51%) lideram a alta anual entre as capitais
- • A rentabilidade média do aluguel ficou em 6,13% ao ano, com Recife no topo entre as capitais
Os preços de aluguel residencial subiram 0,52% em setembro, segundo o Índice FipeZAP, divulgado nesta quarta-feira, 14.
O resultado marca a quinta desaceleração consecutiva do indicador desde abril, quando a alta mensal chegou a 1,04%. Desde então, o ritmo caiu para 0,85% em maio, 0,81% em junho, 0,70% em julho e 0,55% em agosto.
Em setembro, o avanço do aluguel ficou abaixo da inflação do mês, tanto pelo IPCA (0,82%) quanto pelo IGP-M (1,57%). No acumulado, porém, o quadro segue favorável aos proprietários.
Em 2026, os aluguéis sobem 7,11%, ante 3,95% do IPCA e 3,45% do IGP-M. Em 12 meses, a alta é de 9,13%, o dobro da inflação oficial (4,58%) e quase três vezes o IGP-M (3,34%). No mês anterior, o índice havia mostrado alta acima de 9% em 12 meses.
Por que o aluguel está subindo menos
Para Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, o movimento mostra que os preços continuam avançando, mas com reajustes menos intensos nos novos anúncios.
"A desaceleração pode estar relacionada à redução de espaço para reajustes no aluguel, uma vez que a inflação está mais controlada, à capacidade de pagamento das famílias e às condições de oferta e demanda dos mercados locais", afirma.
Segundo ela, o resultado não indica um recuo amplo nos valores.
"A desaceleração não significa uma queda generalizada dos preços", diz. Em setembro, 31 das 36 cidades monitoradas registraram alta, incluindo 19 das 22 capitais.
As maiores variações no mês foram de Goiânia (1,15%), Maceió (1,06%) e Florianópolis (1,02%). Na outra ponta, os preços recuaram em Brasília (-0,53%), Cuiabá (-0,19%) e Aracaju (-0,16%).
Entre os tipos de imóvel, as unidades de três dormitórios tiveram a maior alta em setembro (0,75%), enquanto os apartamentos de um dormitório subiram 0,30%.
Em 12 meses, os imóveis de dois dormitórios lideram, com valorização de 10,15%, e os de quatro ou mais dormitórios têm o menor avanço (6,87%).
Onde o aluguel mais subiu em 12 meses
Todas as 22 capitais acumulam alta no aluguel em 12 meses. Fortaleza (16,59%) e Natal (16,51%) lideram, seguidas por Aracaju (15,52%), Rio de Janeiro (14,80%) e Vitória (14,22%). São Paulo registra alta de 6,22%, abaixo da média nacional.
Quatro capitais acumulam variação abaixo do IPCA no período, Belém (4,31%), Campo Grande (4,02%), Goiânia (3,58%) e Florianópolis (3,56%). Entre as 36 cidades do índice, Pelotas (RS) é a única com queda em 12 meses, de 2,68%.
O preço médio do aluguel nas 36 cidades ficou em R$ 54,77 por metro quadrado.
Entre as capitais, São Paulo tem o metro quadrado mais caro (R$ 65,78), seguida por Recife (R$ 64,39) e Belém (R$ 62,25). Teresina tem o menor valor (R$ 32,59).
Considerando todas as cidades monitoradas, Barueri (SP) lidera, com R$ 71,96 por metro quadrado.
Veja o ranking das capitais
| Capital | Setembro | 12 meses | Preço médio (R$/m²) | Rentabilidade (% ao ano) |
|---|---|---|---|---|
| Fortaleza (CE) | 0,15% | 16,59% | 42,22 | 4,92% |
| Natal (RN) | 0,46% | 16,51% | 45,71 | 8,03% |
| Aracaju (SE) | -0,16% | 15,52% | 36,04 | 6,40% |
| Rio de Janeiro (RJ) | 0,74% | 14,80% | 61,86 | 6,30% |
| Vitória (ES) | 0,31% | 14,22% | 57,06 | 4,22% |
| Teresina (PI) | 0,23% | 13,68% | 32,59 | 6,31% |
| Porto Alegre (RS) | 0,68% | 10,23% | 46,78 | 7,36% |
| João Pessoa (PB) | 0,52% | 10,06% | 51,86 | 6,71% |
| Manaus (AM) | 0,10% | 9,94% | 53,05 | 7,94% |
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