Amazon combina IA, logística e eletrificação para reduzir emissões nas entregas

Há seis anos, o comércio brasileiro precisava se reinventar para seguir vendendo em meio ao fechamento de lojas e shoppings centers. A pandemia de covid-19 gerou um pico de vendas online nunca antes visto no país: estudos da época apontam que o faturamento do e-commerce chegou a R$ 87,4 bilhões em 2020, uma alta de 41% em relação a 2019.
Todo aumento em consumo carrega também uma consequência ambiental. Seja o transporte, as embalagens, a armazenagem, uso de energia ou até mesmo as devoluções, o aumento das vendas no comércio online carrega um peso na geração de carbono. As entregas, de acordo com um relatório da ONU, são ainda o principal fardo do e-commerce. A entrega em last-mile, aquela já dentro das cidades, é a mais intensiva em carbono — e a previsão do relatório é que as emissões nesse setor aumentem em 30% até 2030.
Seis anos após o início da pandemia, como está o cenário ESG no e-commerce? Como as grandes varejistas trabalham para reduzir o impacto do transporte enquanto projetam o crescimento das vendas?
Na Amazon, o principal aprendizado foi a proximidade com o cliente como alavanca para reduzir o peso ambiental. "Quanto mais próximos nossos centros logísticos estão dos consumidores, menores as distâncias percorridas e, consequentemente, caem as emissões por entrega", explica Saori Yano, líder de operações sustentáveis no Brasil.
A executiva conversou com a EXAME e contou como a companhia trabalha para reduzir as emissões sem abrir mão da trajetória de crescimento nas vendas.
Melhores rotas, menos emissões
No último ano, as emissões de transporte e entrega da Amazon atingiram 14,88 milhões de toneladas de CO2e globalmente. O número representa um avanço no plano de ESG: a queda é de 7% por unidade na comparação com 2024 e uma queda de 39% quando comparado com 2019.
O que mudou ao longo do tempo? A varejista entendeu que otimizar rotas e garantir a eficiência no transporte é parte essencial da redução do impacto no e-commerce. Entre os aliados está a inteligência artificial, que impulsiona a melhoria nos percursos a serem seguidos dentro das cidades.
São, ao todo, quatro frentes simultâneas que impulsionam o trabalho da gigante de vendas: eficiência operacional, alternativas de menor carbono, energia renovável e apoio a políticas e tecnologias que acelerem a descarbonização em escala.
"Hoje operamos com mais de 300 centros logísticos distribuídos por todos os estados brasileiros. Essa presença capilar reduz significativamente as distâncias percorridas para cada entrega", explica Yano. Neste ano, a companhia triplicou globalmente o seu ritmo de abertura de unidades logísticas, com cerca de três novos a cada semana.
A estraté\w gia é: quanto mais próximos do cliente, menos quilômetros os pacotes precisam percorrer, o que resulta diretamente em menos emissões.
Todo o esforço faz parte de um compromisso maior da empresa com a sustentabilidade: em 2019, a Amazon cofundou a The Climate Pledge, esforço global de alcançar o netzero até 2040. Mais de 680 organizações e 45 países já aderiram ao programa.
Frota elétrica na Amazon
A eletrificação da frota entrou também nas frentes de redução do impacto ambiental das entregas da Amazon. A companhia conta com mais de 50 mil vans elétricas globalmente, além de bicicletas e motos elétricas para áreas urbanas mais densas.
No Brasil, uma parceria com a transportadora verde To Do Green faz parte desse processo. As empresas realizam entregas com veículos elétricos de emissão zero em 194 cidades de São Paulo e Minas Gerais, em uma operação que abrange 32 estações de entrega.
Tudo isso demanda investimentos. Só em 2023, a Amazon destinou US$ 10 milhões para a criação do Laneshift, uma iniciativa que elimina emissões de transporte ao reinventar veículos de transporte médio e pesado e suas rotas. "O projeto está acelerando a implantação de infraestrutura para veículos elétricos e caminhões elétricos em cidades da América Latina, incluindo Curitiba e Rio de Janeiro", conta Yano.
O lado bom é que foram encontrados caminhos que ajudam a reduzir os custos enquanto trabalham pela sustentabilidade. O uso de rotas otimizadas por inteligência artificial é um desses mecanismos, que evita mais tempo gasto no mesmo percurso.
No último ano, a varejista também aumentou o uso de combustíveis com menor emissão de carbono para o transporte aéreo, marítimo e terrestre. Isso inclui testes com SAF (combustível sustentável para a aviação), diesel renovável, gás natural renovável, biodiesel e hidrogênio.
Yano explica que parte das soluções que podem descarbonizaro setor ainda não estão disponíveis no mercado ou na demanda que o transporte pesado exige, por isso, a empresa também trabalha para acelerar essas soluções.
"Também estamos investindo na próxima geração de tecnologias de combustíveis, como a Amogy (conversão de amônia em energia para transporte marítimo) e GranBio (biocombustíveis a partir de resíduos florestais e de construção)", conta.
No Brasil, a varejista desenvolve alternativas focadas na realidade brasileira, como o biometano de aterro sanitário. Em 2025, a empresa e a Petrobras anunciaram a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para explorar possibilidades de colaboração focadas em avançar no desenvolvimento e implementação de soluções de combustíveis de menor carbono nas atividades logísticas no Brasil.
Emissões no transporte da Amazon
De acordo com a líder, a ampliação da frota sustentável ainda esbarra na infraestrutura, especialmente para a recarga de veículos elétricos, maior diversidade na oferta de modais sustentáveis e a possibilidade de escala, considerando a diversidade geográfica do Brasil.
"Atender comunidades ribeirinhas na Amazônia, favelas em São Paulo e cidades no interior do Nordeste com o mesmo nível de serviço exige soluções logísticas distintas — e cada uma dessas soluções precisa considerar a variável ambiental", conta.
Apesar do desafio, a líder de soluções sustentáveis na Amazon se mostra confiante e otimista. "A velocidade com que expandimos nossa rede no Brasil e os resultados que já alcançamos com veículos elétricos, IA logística e energia renovável demonstram que é possível crescer de forma responsável", explica.
