'Amazon dos carros': Carvana mira veículos novos e desafia mercado de US$ 1,3 tri

A Carvana ficou conhecida nos Estados Unidos por vender carros usados pela internet e entregá-los aos clientes por meio de uma complexa e ampla rede logística que muitos analistas comparam à da Amazon. Agora, a companhia está dando um passo além para entrar no mercado de carros novos, o que pode provocar uma transformação em uma indústria que movimenta mais de US$ 1,3 trilhão por ano.
Valendo mais de US$ 70 bilhões na bolsa de Nova York, ela adquiriu, discretamente, sete concessionárias de veículos novos desde o ano passado, segundo informações divulgadas pela CNBC.
As lojas comercializam principalmente marcas da Stellantis, como Chrysler, Dodge, Jeep e Ram, e marcam a entrada da companhia em um segmento que, ao longos de anos, permaneceu protegido de grandes mudanças tecnológicas.
O consultor da indústria e veterano analista do mercado automotivo americano, John Murphy, vê que a entrada dela nesse mercado pode representar uma das forças mais "disruptivas" do varejo de veículos dos Estados Unidos.
O modelo abre novas fontes de receita e amplia o acesso da companhia a veículos usados, principal negócio da empresa. Como concessionária autorizada, a Carvana passa a participar de leilões exclusivos.
Estratégia por trás da expansão
A Carvana construiu seu crescimento com uma proposta simples de comprar e vender carros pela internet sem a necessidade de negociar em uma concessionária. Por trás dessa experiência, porém, existe uma operação nacional.
O resultado inicial tem surpreendido concorrentes. Uma concessionária da Stellantis vendeu mais de 700 veículos novos em apenas um mês. Antes da chegada da Carvana, a unidade registrava algo entre 30 e 50 vendas mensais.
Executivo veterano da indústria automotiva, Larry Dominique, ouvido pela CNBC, disse que a empresa possui uma infraestrutura digital, física e logística já pronta para operar em escala, algo que poucas redes conseguiram construir.
O sistema de concessionárias dos EUA reúne cerca de 16.990 lojas e gerou mais de US$ 1,3 trilhão em vendas no ano passado. Apesar da dimensão do mercado, o modelo mudou pouco ao longo das últimas décadas.
A chegada da Carvana acontece em um momento em que consumidores demonstram preferência por experiências híbridas de compra, combinando ferramentas digitais com algum nível de atendimento presencial.
A estratégia da empresa ocorre, ainda, em meio às dificuldades enfrentadas pela Stellantis no mercado estadunidense, com a perda de participação abrindo espaço para novos operadores, conforme a CNBC.
E, embora a Stellantis afirme tratar a Carvana como qualquer outro parceiro comercial, a velocidade de crescimento das novas lojas já alimenta discussões entre concessionários da marca.
O desafio agora é o pós-venda
Apesar do potencial de expansão, a entrada no mercado de veículos novos traz obstáculos que a companhia não enfrentava em sua operação tradicional. Ao dos carros usados, o segmento de veículos novos é fortemente regulado.
Além disso, concessionárias costumam gerar parte relevante de seus lucros com serviços de manutenção, peças e reparos, áreas em que a Carvana ainda não possui presença relevante. Resta dúvida sobre como ela atenderá isso.
Uma possibilidade vista por analistas envolve o uso dos ativos da Adesa, companhia de leilões adquirida pela Carvana em 2022. A empresa afirma possuir capacidade para recondicionar cerca de 1,5 milhão de carros por ano.
As ações da Carvana (CVNA) subiam 0,96% na manhã desta terça-feira, 16, cotadas a US$ 69,56.
