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InvestMercadosBDR
13/09/2026
4 min

Amazon nos EUA quer ser dona de 90% das próprias entregas até 2029

Mesmo com o avanço da rede própria, a companhia não sinaliza que pretende romper de vez com os parceiros tradicionais

Amazon nos EUA quer ser dona de 90% das próprias entregas até 2029

A Amazon está mais perto de se tornar dona de vez da própria entrega, da compra até a porta de casa. Um documento interno de planejamento, obtido pelo Business Insider, mostra que a companhia projeta entregar quase nove em cada dez pacotes vendidos nos Estados Unidos usando sua própria estrutura logística até 2029.

A fatia de pacotes entregues pela própria Amazon no país deve passar de 86,3% em 2027 para 87,4% em 2028 e chegar a 88,7% em 2029. O avanço é ainda mais expressivo porque supera com folga as projeções anteriores da companhia, que apontavam participação de 83,8% em 2027 e 85% em 2028.

A estimativa é que a Amazon entregue cerca de 12,2 bilhões de pacotes por meio da própria rede em 2027. O volume deve chegar a 15,8 bilhões em 2029.

O total de pacotes da Amazon nos EUA também deve crescer nesse período, de 14,1 bilhões em 2027 para 17,8 bilhões em 2029. O aumento de 3,7 bilhões de encomendas, porém, não deve significar mais espaço para as transportadoras terceirizadas.

O volume entregue por empresas externas deve permanecer praticamente estável, em torno de 2 bilhões de pacotes por ano. Isso significa que a Amazon está se preparando para absorver o crescimento das entregas com sua própria estrutura logística, reduzindo a dependência de empresas como USPS, UPS e FedEx.

Companhia trata números com cautela

A companhia, porém, prefere tratar os números com cautela, e um porta-voz que não se identificou disse ao Business Insider que a Amazon está constantemente planejando e fazendo previsões para suas operações; e que produz regularmente diferentes versões e atualizações de seus documentos de planejamento.

"Quaisquer projeções internas são preliminares, estão sujeitas a revisões significativas e não devem ser consideradas definitivas nem como representação de planos finalizados", detalhou.

Amazon reduz espaço dos parceiros logísticos

A expansão da rede própria da Amazon reduz o espaço de empresas de logística. O USPS, que tinha previsão de responder por 13% das entregas da Amazon em 2027, agora aparece com 10% e deve cair para 8% em 2029.

A UPS também deve perder participação, e decidiu reduzir pela metade o volume de entregas para a Amazon até o segundo semestre, alegando queda de rentabilidade no contrato. Pelas projeções internas, sua fatia deve passar de 1,8% dos pacotes da Amazon em 2027 para 1,4% em 2029.

A FedEx aparece com uma participação estimada ainda menor, de 0,4%.

Mesmo com o avanço da rede própria, a companhia não sinaliza que pretende romper de vez com os parceiros tradicionais.

Amazon terceiriza parte da própria rede

Quando a Amazon fala em rede própria, isso não significa que funcionários da companhia façam pessoalmente cada entrega. Grande parte disso é operada por parceiros independentes, que dirigem vans com a marca Amazon, e por motoristas do programa Amazon Flex, que usam os próprios carros.

Ou seja, o movimento representa menos uma substituição completa dos parceiros por funcionários da Amazon e mais um avanço do controle da companhia sobre sua própria rede logística.

Amazon investe para acelerar as entregas

O CEO da Amazon, Andy Jassy, já defendeu publicamente que entregas mais rápidas aumentam as ocasiões em que o consumidor considera a Amazon para fazer compras.

O principal motor desse crescimento deve ser a área "Sub Same-Day", estrutura que aproxima os produtos dos clientes para viabilizar entregas em poucas horas. Sua participação no volume total da rede própria deve subir de 17,1% em 2027 para 21,3% em 2029.

A malha rural também ganha musculatura e já responde por pouco mais de 11% do volume próprio. Nessa frente, a Amazon já comprometeu mais de US$ 4 bilhões para triplicar o tamanho da operação até o fim de 2026.

A companhia também testa outras frentes para sustentar a expansão, como entregas ao longo de todo o dia, com janelas de envio mais curtas, e lojas do porte das unidades do Walmart no chamado Project Kobe. A ideia é usar esses espaços como pontos de retirada e centros de distribuição local.

Outro projeto é o Project Tetromino, uma estação de entrega altamente automatizada voltada a acelerar o processamento das encomendas.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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