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Sacre Investimentos
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18/08/2026
6 min

Amazon passa a vender produtos da floresta e gera renda para comunidades amazônicas

Gigante varejista investiu mais de R$ 71 milhões na região Norte em 2025 e aposta em tecnologia e logística para democratizar acesso à bioeconomia em nova parceria com a Rede Origens Brasil

Amazon passa a vender produtos da floresta e gera renda para comunidades amazônicas

Com potencial de destravar R$ 45 bilhões para o PIB brasileiro e gerar mais de 830 mil empregos até 2050 se combinada à restauração florestal, a bioeconomia amazônica esbarra em um desafio: acesso à mercados e grandes redes de varejo. 

É nessa lacuna entre produzir e vender que a Amazon quer entrar ao se tornar a mais nova signatária da rede Origens Brasil, iniciativa que conecta empresas a produtores de Terras Indígenas e Unidades de Conservação na Amazônia.

Com a parceria, produtos da sociobiodiversidade passam a ser comercializados no e-commerce e giram a economia local, beneficiando mais de 5 mil produtores indígenas e comunidades tradicionais cadastradas na rede.

Uma das grandes apostas da COP30 em Belém, a expansão da bioeconomia é apontada como uma alternativa para conciliar geração de renda e conservação da floresta. O desafio, porém, está em transformar o potencial dos produtos da sociobiodiversidade em negócios competitivos, com acesso a consumidores, infraestrutura, financiamento e mercados capazes de absorver essa produção.

É nesse ponto que a entrada da gigante varejista é estratégica. A parceria coloca os produtores da Origens Brasil diante de uma plataforma com alcance de milhões de consumidores brasileiros e amplia as possibilidades de comercialização.

Do lado da Amazon, a iniciativa incorpora ao catálogo itens cuja origem e cadeia produtiva são rastreadas pela rede, aproximando a empresa de uma economia mais sustentável. 

Saori Yano, head de Sustentabilidade para Operações Brasil na Amazon Brasil, destaca que a parceria é um exemplo concreto dessa visão.

"Usamos nossa tecnologia e logística para conectar consumidores de todo o país a produtos da sociobiodiversidade", diz à EXAME.

Segundo Yano, a escala da companhia pode ajudar a aproximar produtores e consumidores em todas as regiões.

“Essa conexão, combinada com a nossa escala, transforma o e-commerce em uma ferramenta de inclusão econômica e de democratização do acesso à cultura e aos ativos originários brasileiros”, diz.

O gargalo da comercialização

Criada há dez anos, a Origens Brasil reúne atualmente mais de 5 mil produtores indígenas e de comunidades tradicionais, distribuídos em 54 áreas protegidas de seis territórios da Amazônia: Rio Negro, Norte do Pará, Solimões, Calha do Purus, Tupi Guaporé e Xingu.

A rede contribui para a conservação de 62 milhões de hectares de floresta e mantém um sistema próprio de rastreabilidade e garantia de origem, desenvolvido para acompanhar as especificidades das cadeias produtivas da floresta.

Mais do que identificar a origem de um produto, a proposta é estabelecer uma relação comercial que reconheça o valor de quem produz nos territórios e detém conhecimentos ancestrais.

“Ter a Amazon como membro é sobre a expansão do alcance dos itens da sociobiodiversidade, com garantia de origem e rastreabilidade”, afirma Luiz Brasi Filho, gerente de sociobioeconomia no Imaflora e da rede Origens Brasil.

Para o executivo, a entrada da varejista também pode ajudar a ampliar a própria rede de parceiros.

“Empresas que se comprometem com a agenda da floresta em pé são importantes para acelerar a sociobioeconomia. A presença de uma grande marca nos permite chegar a mais pessoas e pode incentivar outras a fazerem parte", explica.

O movimento, portanto, não resolve sozinho os desafios da bioeconomia. A expansão do setor também depende de infraestrutura, capacitação, acesso a financiamento e de um ambiente regulatório capaz de dar segurança às cadeias produtivas. Mas amplia uma peça importante desse quebra-cabeça: o mercado consumidor.

Amazon aposta em logística na Amazônia

A parceria também se apoia em uma infraestrutura que a Amazon vem construindo na região Norte. A companhia investiu mais de R$ 71 milhões em 2025 na região, incluindo a inauguração de uma estação de entrega em Manaus (AM).

Para atender áreas remotas, a empresa utiliza uma combinação de transporte fluvial, ferroviário e rodoviário, além de sistemas de geolocalização.

A iniciativa com a Rede Origens se soma à outras de descarbonização do negócio pelo país, com foco em economia circular, eletrificação da logística e geração de energia renovável.

“Nosso propósito vai além da entrega. Queremos que cada etapa da cadeia gere impacto positivo, empregos e oportunidades de valorização para as comunidades onde estamos inseridos", afirma Yano.

A Loja de Bioeconomia da Amazon já reúne produtos feitos na Amazônia e no Pantanal eestá no ar neste link.

AutorSofia Schuck
FonteExame
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