Amazon recebe US$ 600 milhões em reembolsos das tarifas de Trump
Suprema Corte havia invalidado parte das tarifas impostas pelo governo Trump em fevereiro

A Amazon recuperou US$ 600 milhões em reembolsos de tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal boa parte dessas cobranças.
A empresa afirmou na quinta-feira, 30, que pretende devolver parte desse valor a consumidores que arcaram com preços inflacionados pelos tributos, de acordo com informações consultadas pela CNBC.O CFO da Amazon, Brian Olsavsky, confirmou o montante durante a teleconferência de resultados da companhia, que divulgou o balanço do segundo trimestre na noite de ontem.
"Estamos participando do processo de reembolso de tarifas e, como mencionei anteriormente, recebemos, aproximadamente, US$ 600 milhões no segundo trimestre", disse Olsavsky.
Caminho aberto para os reembolsos
Em fevereiro, a Suprema Corte invalidou as tarifas impostas por Trump com base no International Emergency Economic Powers Act de 1977, obrigando o governo americano a devolver valores cobrados de empresas que importaram produtos taxados pela medida.
Grandes companhias como Apple, Walmart, Costco, Home Depot e General Motors já haviam anunciado que solicitariam a restituição.
O próprio Trump chegou a declarar, em abril, que se lembraria das empresas que optassem por não pedir os reembolsos, quando questionado se companhias como a Amazon poderiam estar evitando o pedido por receio de desagradá-lo.
A Apple, por sua vez, informou, também na quinta-feira, que seu lucro por ação no último trimestre foi impulsionado em 5%, o equivalente a 11 centavos, justamente pelos reembolsos tarifários recebidos.
Amazon evitou o tema por meses
Até então, a Amazon não havia esclarecido publicamente se buscaria a devolução dos valores. Em maio, consumidores entraram com uma ação coletiva na Justiça federal de Seattle, nos EUA, alegando terem direito a ressarcimento pelos preços inflados pelas tarifas, e acusando a empresa de evitar o pedido de reembolso para não desagradar o governo Trump.
O episódio se soma a um atrito anterior entre a varejista e a Casa Branca. Em abril do ano passado, a Amazon foi alvo de forte reação depois que veio à tona um plano da empresa de exibir o custo das tarifas de Trump ao lado de alguns produtos em seu site.
Uma reportagem da NBC News na época mostrou que o próprio presidente chegou a telefonar pessoalmente para o fundador e presidente executivo da Amazon, Jeff Bezos, para reclamar da iniciativa.
Reembolso "limitado" e critérios
Olsavsky explicou que a Amazon recebeu um valor considerado limitado porque a companhia trabalhou para antecipar pedidos e posicionar estoques antes da entrada em vigor das tarifas. "Em segundo lugar, não somos o importador oficial da grande maioria dos itens vendidos em nossa loja", disse.
Isso porque grande parte dos produtos vendidos na plataforma vem de vendedores terceiros, responsáveis por mais de 60% dos itens comercializados no marketplace da Amazon.
Muitos desses lojistas, que importam mercadorias do exterior, precisaram elevar preços por conta das tarifas e também solicitaram reembolso, conforme a CNBC.
Sobre o repasse aos consumidores, Olsavsky detalhou o critério. "Identificamos um conjunto limitado de situações em que é possível rastrear o repasse de taxas de importação específicas aos clientes; assim, quando recebermos esses reembolsos, entraremos em contato proativamente com os clientes afetados e realizaremos o reembolso automático."
Nos demais casos, a companhia deve seguir a prática comum entre grandes varejistas e destinar os valores recuperados para sustentar preços mais baixos aos clientes.
