Ambev (ABEV3): Copa do Mundo deve impulsionar volumes, mas históricos acendem alertas para os resultados, vê JP Morgan

A cada quatro anos a Copa do Mundo gera comoção no brasileiro. Na expectativa pela conquista do hexa, encontros para ver os jogos e a cultura do “país do futebol”, o setor de bebidas encontra potencial de impulso nos negócios. O JP Morgan avaliou o cenário especificamente para a Ambev (ABEV3), e a conclusão é neutra para a companhia.
A equipe de analistas liderada por Lucas Ferreira analisou as teleconferências de resultados da Ambev em anos de Copa do Mundo desde 2014, buscando entender o que os torneios anteriores indicam para os volumes de cerveja no Brasil, mix, despesas com vendas gerais e administrativas (SG&A) e riscos para os resultados.
“Embora a administração permaneça bastante otimista em relação ao impacto positivo da Copa do Mundo (o que certamente ajuda a criar diversos momentos de consumo), adotamos uma postura mais cautelosa — historicamente, o evento não teve impacto relevante nos lucros, e as estimativas do consenso foram revisadas para baixo nas duas edições mais recentes”, pondera o banco.
Os analistas recordam que volume não é o único fator a ser levado em consideração, uma vez que variáveis como condições climáticas, desempenho da Seleção Brasileira e efeitos de um mix de embalagens já se mostraram capazes de neutralizar o efeito catalisador e podem reduzir o que parece ser uma simples história de alta.
“Para o segundo trimestre de 2026, acreditamos que os volumes serão fortes, mas as expectativas também já estão ancoradas em um crescimento de volume na faixa alta de um dígito”, diz o JP Morgan.
Olhando em retrospecto
Os analistas do JP Morgan ponderam que historicamente a indústria de bebidas utiliza a Copa do Mundo como uma alavanca comercial, uma vez que tende a aumentar as ocasiões de consumo.
Para a Ambev, esse catalisador já se confirmou em outros momentos na operação de cervejas no Brasil, mas a análise do banco gringo mostra que a intensidade desse efeito variou nos últimos três torneios.
Em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, os analistas recordam que a administração esperava um volume adicional de 1,5 milhão a 1,6 milhão de hectolitros, equivalente a cerca de 2 pontos percentuais de crescimento do volume da indústria.
O impacto realizado da Copa de 2014 foi de 1,4 milhão de hectolitros adicionais de cerveja, com um novo recorde de vendas em um único dia, superior a 400 mil hectolitros.
Porém, mesmo nesse cenário favorável, o reflexo nos resultados não foi positivo: a margem EBITDA de cervejas no Brasil no 2T14 caiu 170 pontos-base, com a administração apontando um impacto negativo pontual relacionado ao mix de embalagens causado pelo evento.
No caso de 2018, o campeoaneto foi um importante suporte após um primeiro trimestre fraco. Os volumes de cerveja no Brasil cresceram 1,7% na comparação anual no 2T18, superando uma indústria praticamente estável, enquanto a receita líquida por hectolitro aumentou 7,4% na comparação anual.
Apesar disso, posteriormente a administração esclareceu que a Copa basicamente compensou o impacto negativo de aproximadamente 3 pontos percentuais no volume causado pela greve dos caminhoneiros.
Já em 2022, apesar de uma plataforma comercial mais avançada, a administração estimou que a Copa adicionou cerca de 1,5 ponto percentual aos volumes de cerveja no Brasil no quarto trimestre daquele ano.
Por outro lado, a eliminação precoce do Brasil e o clima desfavorável retiraram cerca de 1 ponto percentual cada, mostrando que a execução comercial não é a única variável relevante.
A expectativa para 2026
Para a Copa do Mundo deste ano, o JP Morgan aponta que a administração da Ambev tem se mostrado cada vez mais positiva ao destacar o potencial do torneio, apontando um conjunto de condições estruturais mais favoráveis:
- Edição de 2026 mais longa e com mais partidas;
- Os horários dos jogos no fuso brasileiro serão predominantemente à noite, o que deve incentivar o consumo fora de casa e ocasiões em bares;
- A Copa ocorrerá em um trimestre sazonalmente mais fraco e deve ajudar os resultados do segundo trimestre da Ambev a se beneficiarem de uma base de comparação mais fácil.
No geral, os analistas do banco mantêm uma visão Neutra para a Ambev.
“Acreditamos que a Copa do Mundo é de fato um catalisador positivo para os resultados do 2T26 da companhia (estimamos volumes crescendo 10% na comparação anual no trimestre), mas o histórico mostra que as expectativas também são rapidamente ajustadas pelo mercado”, dizem.
