Ambev (ABEV3) pode até brindar um segundo trimestre melhor, mas isso não é o suficiente para convencer o Citi

A Ambev (ABEV3) pode até ter um trimestre mais favorável nesta safra de resultados que se aproxima, referente ao segundo trimestre do ano. No entanto, o Citi não está muito animado com as ações, mantendo a recomendação neutra para os papéis, mesmo reconhecendo uma potencial melhora nos números.
"Esperamos que o segundo trimestre de 2026 represente mais um passo em direção a um cenário operacional mais favorável para a Ambev. O volume de cerveja no Brasil deve voltar a crescer de forma saudável, impulsionado por uma base de comparação excepcionalmente fraca em junho e pela Copa do Mundo", dizem os analistas do banco em relatório.
Ao mesmo tempo, de acordo com o Citi, as condições climáticas não foram tão favoráveis para a empresa como se esperava. Além disso, os fundamentos do consumidor seguiram relativamente fracos.
Por isso, a projeção do time de análise é de alta de 5,8% nas vendas de cerveja no Brasil, em base anual — uma recuperação saudável na avaliação dos analistas, equilibrando a melhora das tendências do setor com um cenário de consumo ainda moderado.
O Citi também espera que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado cresça 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo desempenho mais forte da operação de cerveja no Brasil e pela melhora gradual da rentabilidade na maior parte dos negócios.
Além disso, os custos também devem continuar desacelerando ao longo do segundo semestre de 2026. Acontece que, mesmo com o ambiente operacional se tornando mais favorável, nem tudo são flores para a companhia.
Por que o Citi mantém recomendação neutra para Ambev?
"Embora estejamos mais otimistas com as perspectivas da companhia, acreditamos que o próximo passo para fortalecer a tese de investimento será comprovar que a recuperação dos volumes pode se manter mesmo após o fim das comparações favoráveis", dizem os analistas.
Fora da divisão de cervejas no Brasil, o banco espera mais um trimestre de melhora gradual nas operações brasileiras, enquanto os negócios internacionais devem continuar apresentando desempenho misto.
No segmento de bebidas não alcoólicas (NAB) no Brasil, a recuperação deve prosseguir, com queda de 1% nos volumes; alta de 4,3% na receita líquida e crescimento de 9,7% no Ebitda.
O avanço é sustentado pelo reajuste de preços e pela execução operacional, que devem resultar em expansão de 140 pontos-base na margem. Na América Central e Caribe (CAC), o trimestre deve ser mais fraco, com queda de 12,3% no Ebitda.
Sem contar o Brasil, o banco espera uma melhora modesta na América Latina, com crescimento de 1,7% na receita líquida e de 2,4% no Ebitda, embora o ambiente macroeconômico deva continuar desafiador.
Já o Canadá deve seguir enfrentando demanda mais fraca, com queda de 2% nos volumes e retração de 9,8% no Ebitda, enquanto as margens permanecem praticamente estáveis.
