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Sacre Investimentos
ESGESGACS
10/09/2026
4 min

Ambev cria instituto para ampliar rede de empresas em torno da inclusão produtiva

Nova organização nasce de uma rede com 120 membros e prevê recursos privados para apoiar negócios sociais e entidades sem fins lucrativos

Ambev cria instituto para ampliar rede de empresas em torno da inclusão produtiva

A Ambev vai transformar o BORA Hub, estrutura criada em 2024 para conectar iniciativas de inclusão produtiva, em um instituto com participação de outras empresas e organizações.

O Instituto BORA será gerido pela Yunus Negócios Sociais e terá uma governança compartilhada, com o objetivo de reunir recursos, conhecimento e conexões para apoiar projetos voltados à geração de renda.

A nova organização nasce a partir de uma rede que, segundo a companhia, já reúne 120 membros e 130 projetos cadastrados. Esses projetos teriam gerado mais de R$ 810 milhões em renda. A proposta agora é criar uma estrutura que permita ampliar a participação do setor privado e diversificar as formas de financiamento para iniciativas de inclusão produtiva.

A criação do instituto ocorre dentro da estratégia da Ambev de ampliar sua atuação nessa agenda. A companhia tem como compromisso incluir produtivamente 5 milhões de brasileiros até 2032 e diz que seguirá desenvolvendo projetos próprios relacionados à sua cadeia, enquanto o Instituto BORA passa a funcionar como uma estrutura aberta para outras organizações.

De programa da Ambev a uma rede com outras empresas

Criado em 2022 pela Ambev, o BORA começou como uma plataforma para apoiar projetos de geração de renda. Dois anos depois, evoluiu para o BORA Hub, em parceria com a Yunus Negócios Sociais, com a proposta de conectar organizações que atuam no tema.

Com a transformação em instituto, a iniciativa passa a ter uma estrutura institucional própria. Entre as ferramentas previstas está um fundo coletivo, que reunirá recursos de diferentes empresas para apoiar negócios sociais e organizações sem fins lucrativos por meio do FIDC Yunus e de editais próprios do Instituto.

Além do financiamento, o modelo prevê oferecer capacitação, mentoria, conexão com mercado, inteligência e articulação em rede para iniciativas que buscam ampliar sua atuação.

Segundo Bárbara Almeida Ladeia, gerente de Inovação Socioambiental da Yunus Negócios Sociais América Latina, a criação do instituto busca formalizar uma lógica de atuação conjunta entre empresas, organizações sociais e financiadores.

“Inclusão socioprodutiva é um problema de escala nacional, e nenhuma empresa, OSC ou fundação resolve isso sozinha. O que aprendemos em dois anos de Bora Hub é que o valor não está apenas em cada organização, está na conexão entre elas: juntos fazemos mais do que a soma das partes”, afirmou.

Empresas passam a participar da governança

O Instituto BORA também cria uma nova categoria de participação chamada Alma Matters. As instituições investidoras que integrarem essa categoria passarão a participar do Conselho Consultivo do instituto, contribuindo com diretrizes estratégicas e decisões relacionadas à alocação dos recursos do fundo.

Ambev, Yunus e PepsiCo são os membros fundadores da iniciativa. A estrutura, porém, será aberta para a entrada de novas empresas interessadas em contribuir com recursos, conhecimento e articulação.

Para Laura Aguiar, diretora de Impacto e Relações com a Sociedade da Ambev, a mudança representa uma ampliação do modelo criado pela companhia.

“O BORA nasceu na Ambev para ampliar a agenda de inclusão produtiva e, ao longo dos anos, deu origem a uma rede de organizações, projetos e oportunidades. Agora, damos um novo passo com o BORA Hub, que se torna Instituto para ampliar a mobilização de parceiros e recursos”, disse.

A PepsiCo também passou a integrar a iniciativa como membro fundador. Segundo Regina Teixeira, diretora sênior de Assuntos Corporativos da PepsiCo Brasil, a participação está relacionada à estratégia PepsiCo Positive (pep+), modelo de crescimento com impacto positivo adotado pela companhia.

Fundo coletivo começa em 2027

A previsão é que a constituição do Instituto BORA seja concluída ao longo de 2026. O início dos investimentos do fundo coletivo está previsto para 2027.

A expectativa das organizações envolvidas é que a nova estrutura amplie o número de participantes e permita maior coordenação entre empresas, organizações sociais e iniciativas que atuam na inclusão produtiva.

O movimento também muda o papel da Ambev dentro da iniciativa: a empresa continuará como organização mantenedora, participando da governança do instituto e mantendo projetos próprios ligados à sua estratégia de impacto, enquanto a nova estrutura busca incorporar outras empresas à agenda.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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