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Sacre Investimentos
EmpresasACS
20/10/2026
4 min

Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?

A Justiça aprovou o fim da recuperação judicial da varejista. Saiba mais sobre o fim deste capítulo na história da companhia

Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?

A Justiça aprovou o fim da recuperação judicial da Americanas (AMER3), encerrando oficialmente um processo que a companhia já considerava superado. O Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro aprovou o pedido sob o entendimento de que a companhia cumpriu as obrigações previstas no plano da RJ.

Em entrevista recente ao Money Times, portal parceiro do Seu Dinheiro, o CEO da Americanas, Fernando Soares, e o CFO, Sebastien Durchon, afirmaram que 2026 se tornou um ano de olhar para o futuro e consolidar uma nova fase, deixando para trás os fantasmas da fraude contábil que resultou em um rombo de R$ 40 bilhões.

“Para nós, a recuperação judicial, eu diria, já é página virada. Assim, se você for falar com associados nossos, duvido que alguém fale de recuperação judicial. Isso não impacta muito, quase nada, no dia a dia da companhia”, disse o CFO, Sebastien Durchon, em setembro deste ano.

De acordo com o CEO, a disciplina e a coragem de tomar as decisões corretas, no tempo correto, foram os maiores desafios ao longo desses anos, o que envolveu fechamento e redução de lojas, corte de funcionários, vendas de ativos e recálculo da rota do negócio.

O desafio ainda maior, segundo Soares, é dar continuidade a essa agenda, mas é justamente esse o foco da Americanas agora.

Na B3, as ações AMER3 reagem ao fim da RJ e operam entre as maiores altas desta terça-feira (20). Por volta de 16h30 (horário de Brasília), o avanço era de 20,27%, a R$ 7,18. Na máxima do dia, a alta chegou a 25,63%.

O que vem depois da recuperação judicial?

A empresa vem trabalhando em uma transformação do modelo de negócios, que passa por uma redução do antigo modelo de 1P (estoque próprio) e 3P (marketplace), além do foco em parcerias estratégicas e integração das lojas físicas com o digital. Vale lembrar que, desde novembro do ano passado, o Magazine Luiza é uma parceria da Americanas no e-commerce.

Entre as mudanças já existentes, a companhia deixou de tratar o consumidor online e o consumidor das lojas como públicos separados. Com cerca de 50 milhões de clientes mensais no ecossistema, a loja física passa a funcionar como um hub logístico e comercial para o cliente digital.

“Se você voltar no tempo, em 2022 eram duas companhias: uma companhia muito forte de e-commerce, inclusive maior, com 54% da companhia no e-commerce e o restante em lojas físicas. Hoje é uma companhia 96% loja física. Então, o que foi transformado foi que a gente optou por fortalecer a operação online to offline e usar a nossa loja como centro”, afirma o CEO.

Em 2026 a companhia focou na estabilização do caixa e consolidação da transformação. À medida que os indicadores melhorarem, está no radar acelerar iniciativas voltadas para a geração de valor do negócio. Iniciativas voltadas ao uso de inteligência artificial, análise de dados e novos formatos de lojas já estão sendo estruturadas, embora um movimento de expansão ainda seja seletivo.

“Temos inaugurado loja, acho que inauguramos, se não estou enganado, cinco ou seis esse ano. Além das reinaugurações. E por que ainda não é um pilar como plano de expansão? Porque ainda tem muito trabalho a ser feito nas nossas lojas [existentes]”, diz Soares.

Os resultados mais recentes da Americanas

No segundo trimestre do ano, a varejista registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões, ante R$ 98 milhões no mesmo período em 2025.

A varejista apurou resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 145 milhões, valor 51,5% menor que os R$ 299 milhões vistos um ano antes.

A receita líquida do período somou R$ 3,3 bilhões, recuando 1,7% ante o segundo trimestre de 2025. As vendas em mesmas lojas (SSS) caíram 0,6% no segundo trimestre.

O balanço do terceiro trimestre de 2026 da companhia, que compreende o período de julho a setembro, será divulgado no dia 11 de novembro. A teleconferência de resultados ocorre no dia seguinte.

AutorLorena Matos
FonteSeu Dinheiro
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