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Mundo
03/11/2026
7 min

Americanos vão às urnas para as eleições de meio de mandato nos EUA; saiba o que está em jogo

Três de novembro é o famoso "Election Day" no país, mas a votação antecipada já está aberta há semanas na maior parte dos estados

Americanos vão às urnas para as eleições de meio de mandato nos EUA; saiba o que está em jogo
RESUMO +

Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira, 3, as eleições de meio de mandato de 2026, que disputam todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado. Pesquisas apontam vantagem democrata, e o resultado definirá a governabilidade do presidente Donald Trump até 2028.

Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira, 3, para votar nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. O nome do presidente Donald Trump não está na cédula, mas a votação deve determinar como será o resto do mandato dele à frente da Casa Branca.

Todas as 435 cadeiras da Casa dos Representantes (o equivalente a uma Câmara de Deputados) e 35 dos 100 assentos do Senado estarão na disputa, que serve como um 'referendo' sobre os primeiros dois anos de mandato de Trump.

A nova configuração entre democratas e republicanos no Legislativo também vai definir, entre outros fatores, a governabilidade do chefe de Estado até 2028. Atualmente, os Republicanos, partido governista, têm a maioria das duas casas do Congresso, o que garante relativa facilidade para aprovação das agendas da Casa Branca.

O que dizem as pesquisas?

A "maré" de Trump pode mudar a partir desta terça-feira,3, de acordo com várias pesquisas eleitorais. O modelo estatístico do jornal The Economist atribui aos Republicanos apenas 4% de probabilidade de manter a maioria na Câmara. No mercado de previsões da Polymarket, a chance de uma vitória democrata na Câmara é de 94%. No senado, é de 72%.

A expectativa vai em linha com a baixa popularidade de Trump, que não chega a 40% em muitas pesquisas, em meio a uma insatisfação popular ligada, principalmente, à disparada do preço dos combustíveis nos Estados Unidos, uma consequência da guerra com o Irã, ainda em andamento.

Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, a aprovação do republicano caiu para 31% em setembro, o menor nível registrado por Trump em seus dois mandatos.

Outros levantamentos de institutos como Gallup e Pew Research Center mostram que as principais preocupações dos norte-americanos hoje são custo de vida e acesso a serviços de saúde. A taxa anual de inflação no país ficou em 3,7% em setembro.

Somada a isso, a questão dos combustíveis também ganhou importância. Os preços da gasolina subiram 27,4% em relação ao ano anterior, enquanto os preços do petróleo bruto aumentaram 52%, reflexo, em parte, do conflito iniciado com o Irã em fevereiro.

Segundo projeções, esse ato de Trump pode custar o controle do Congresso. Com isso, projetos da agenda republicana, como a política de construção de data centers e infraestrutura de inteligência artificial, reformas fiscais e orçamentárias, além de nomeações para cargos no Judiciário e indicações para o Executivo, podem sofrer atrasos.

Donald Trump durante comício no Texas (Kent Nishimura/AFP)

O que é a "maldição das midterms"?

Desde 1946, foram 20 eleições desse tipo e, em 18 delas, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara dos Representantes,. O número corresponde a 90% dos casos.

Agora é a vez de Donald Trump e do Partido Republicano tentarem escapar do padrão.

O padrão é antigo e atinge presidentes dos dois partidos. Considerando as eleições de meio de mandato desde 1938, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 20 de 22 disputas.

Há duas exceções, e ambas tiveram contexto especial:

1998: os democratas de Bill Clinton, que tinha 66% de aprovação, ganharam cinco cadeiras em meio ao processo de impeachment, que boa parte dos americanos considerava exagerado.

2002: os republicanos de George W. Bush ampliaram sua bancada após os atentados de 11 de setembro de 2001, em um cenário de união nacional em torno do presidente, cuja aprovação estava em 63%.

Nos dois casos, os presidentes tinham índices elevados de aprovação, e os ganhos de cadeiras foram relativamente modestos.

As eleições de meio de mandato funcionam como um termômetro da popularidade do governo. Ao contrário da disputa presidencial, em que os candidatos concentram a atenção dos eleitores, as midterms permitem que a população manifeste insatisfação com as decisões do presidente sem precisar escolher um novo ocupante para a Casa Branca.

O partido de oposição também costuma se beneficiar da mobilização de eleitores descontentes com o governo, enquanto a legenda do presidente enfrenta o desafio de manter engajada a própria base. O resultado é uma disputa em que o partido que controla a Casa Branca frequentemente perde espaço no Congresso, mesmo quando venceu a eleição presidencial dois anos antes.

A popularidade do presidente também influencia o desempenho do partido nas eleições de meio de mandato.

Dados históricos da Gallup, compilados em 2018 e referentes a eleições realizadas desde 1946, mostram que presidentes com aprovação inferior a 50% registraram uma perda média de 37 cadeiras na Câmara dos Representantes.

Quando a aprovação superava esse patamar, a perda média caía para 14 assentos. O histórico também mostra que presidentes desde Harry Truman que tinham aprovação abaixo de 50% no mês anterior à votação viram seu partido perder cadeiras no Congresso.

O número de cadeiras perdidas varia a cada eleição. Em 2010, o Partido Democrata, do então presidente Barack Obama, perdeu 63 assentos na Câmara dos Representantes, a maior queda registrada no pós-guerra.

Oito anos depois, em 2018, os republicanos de Donald Trump perderam 41 cadeiras na Casa. Já em 2022, durante o governo de Joe Biden, os democratas perderam nove assentos, o suficiente para os republicanos retomarem o controle da Câmara.

Vista panorâmica da Câmara dos Deputados dos EUA

Vista panorâmica da Câmara dos Deputados dos EUA (Foto/Reuters)

Como os americanos votam?

Ao contrário do que ocorre no Brasil com as urnas eletrônicas, o sistema eleitoral dos Estados Unidos não utiliza apenas um modelo de votação Lá, os americanos podem registrar seus votos em cédulas de papel, usar equipamentos eletrônicos ou votar pelo correio, conforme as regras do estado em que vivem.

A organização das eleições é descentralizada e os 50 estados e o Distrito de Columbia têm autonomia para estabelecer procedimentos eleitorais, enquanto os condados e outras jurisdições locais ficam responsáveis por diferentes etapas da votação e da apuração.

Apesar da variedade de métodos, o papel continua sendo a principal forma de registro dos votos. Segundo a Comissão de Assistência Eleitoral dos Estados Unidos (EAC, na sigla em inglês), mais de 98% das jurisdições eleitorais utilizaram, em 2024, equipamentos que registram as escolhas dos eleitores em cédulas de papel ou produzem um registro físico verificável.

Na eleição geral de 2024, 37,4% dos votos foram registrados presencialmente no dia oficial da votação, enquanto 35,2% foram depositados presencialmente antes dessa data. A votação pelo correio representou aproximadamente 30% do total.

Os dados fazem parte do levantamento Election Administration and Voting Survey, publicado pela EAC em junho de 2025.

Embora o sistema americano seja conhecido pelo uso de cédulas de papel, equipamentos eletrônicos também são utilizados em diferentes estados.

Existem, principalmente, dois tipos de tecnologia:

Dispositivos eletrônicos de marcação de cédulas: permitem que o eleitor selecione os candidatos em uma tela. Ao concluir a votação, o equipamento imprime uma cédula de papel com as escolhas registradas. O eleitor pode conferir o documento antes de depositá-lo para a contagem.
Máquinas de registro eletrônico direto: registram as escolhas do eleitor em formato digital. Alguns desses equipamentos também produzem um registro físico verificável, que pode ser utilizado em auditorias.

A disponibilidade de cada tecnologia depende das decisões das autoridades eleitorais estaduais e locais.

De acordo com a EAC, o uso de sistemas sem um registro físico verificável diminuiu nos últimos anos. No levantamento de 2024, apenas 80 jurisdições, distribuídas por três estados, informaram utilizar sistemas sem esse tipo de registro. Apenas uma dessas jurisdições declarou usar exclusivamente esse modelo.

Local de votação para as midterms no Kansas, EUA (Austin Johnson/AFP)

Por que os Estados Unidos não usam um sistema igual ao do Brasil?

A principal diferença está na organização do sistema eleitoral.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) coordena nacionalmente a Justiça Eleitoral, estabelece regras gerais e organiza a totalização dos votos. A urna eletrônica é utilizada em todo o país nas eleições, seguindo procedimentos padronizados.

Nos Estados Unidos, a organização das eleições é descentralizada. Os estados estabelecem suas próprias regras, e as autoridades locais têm papel importante na escolha e na operação dos equipamentos de votação.

 

AutorDiego Pavão
FonteExame
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