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NegóciosMPOL
01/10/2026
6 min

Amstel aposta que cerveja zero saiu da bolha e lança versão sem álcool e sem glúten

Distribuição começa pelas regiões Sul e Sudeste e pelos estados de Goiás, Bahia e Sergipe, com expansão para a maior parte do país prevista para 2027

Amstel aposta que cerveja zero saiu da bolha e lança versão sem álcool e sem glúten
RESUMO +

A cervejaria Grupo Heineken lança nesta quinta-feira, 1º de outubro, a Amstel 0.0, primeira cerveja sem álcool e sem glúten da marca no Brasil. A bebida terá 59,5 calorias por lata de 350 ml e preço próximo ao da Amstel tradicional, com distribuição nacional prevista para 2027. Segundo o instituto NielsenIQ, a categoria cresceu 17,9% em volume em 2026.

A cerveja zero chegou ao mainstream.

Essa é a aposta do Grupo Heineken, que lança nesta quinta-feira, 1º, a Amstel 0.0, primeira versão sem álcool e sem glúten da marca no Brasil.

A novidade coloca uma das principais marcas populares do grupo em uma categoria que, até poucos anos atrás, era puxada sobretudo por rótulos premium.

A Amstel 0.0 chega em lata de 350 ml, com receita puro malte e 59,5 calorias por unidade.

O preço ficará próximo ao da Amstel tradicional, segundo a companhia. A distribuição começa pelas regiões Sul e Sudeste e pelos estados de Goiás, Bahia e Sergipe, com expansão para a maior parte do país prevista para 2027.

O lançamento acontece no momento em que a cerveja sem álcool ganha escala no Brasil. Segundo a NielsenIQ, a categoria cresceu 17,9% em volume no acumulado de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, e já está presente em 14,4% dos lares brasileiros.

“Esse movimento já não é mais pequeno. A gente acredita que veio para ficar”, diz Cecília Bottai Mondino, vice-presidente de marketing do Grupo Heineken no Brasil. Segundo ela, a entrada da Amstel busca ampliar o alcance da cerveja zero para um público além daquele que primeiro adotou a categoria.

A aposta agora é transformar esse crescimento em escala. A Amstel 0.0 será produzida inicialmente em Ponta Grossa, no Paraná, onde o grupo também fabrica Heineken 0.0, e deve ganhar distribuição nacional ao longo de 2027.

Por que a Amstel decidiu entrar agora na cerveja zero

A chegada da Amstel 0.0 acontece onze anos depois do lançamento da marca no Brasil.

A cerveja entrou no país em 2016 com a proposta de disputar o mercado mainstream, faixa que concentra as marcas de maior alcance e consumo, mas com uma receita puro malte e uma apresentação próxima de produtos premium.

A expansão ganhou força depois de 2017, quando o Grupo Heineken ampliou sua estrutura de distribuição no país após a aquisição da Brasil Kirin. Hoje, a Amstel está presente nacionalmente, embora a companhia ainda veja espaço para aumentar sua distribuição.

O passo seguinte é entrar em uma categoria que já tem tamanho suficiente para receber uma marca de massa.

Segundo Cecília, as cervejas que o grupo reúne na categoria de “mais equilíbrio”, com versões sem álcool ou outros atributos ligados a menor teor calórico e composição, já crescem a taxas de dois dígitos e deixaram de ocupar uma posição marginal no consumo.

“Elas já são mais de 5% do mercado geral. Então não é mais pequeno. Por isso que a gente vê que esse movimento está acontecendo e por isso que é o momento de democratizar”, diz.

A leitura da executiva é que a busca por moderação deixou de estar concentrada em consumidores de renda mais alta e passou a alcançar diferentes perfis. O movimento acompanha uma mudança mais ampla nos hábitos de consumo, com maior atenção a calorias, glúten e quantidade de álcool ingerida.

A própria Amstel já vinha testando esse terreno com a Ultra, versão sem glúten e com 30% menos calorias. A procura, segundo Cecília, superou a expectativa da companhia.

“A Ultra é uma grata surpresa de crescimento. A gente teve que mudar todo o nosso mapa fabril para atender à demanda”, afirma.

Qual é a aposta para levar ao mainstream

A principal diferença da Amstel 0.0 em relação às primeiras apostas do grupo na categoria está no posicionamento de preço. Segundo Cecília, a nova versão deve chegar aos pontos de venda por um valor semelhante ao da Amstel tradicional.

Isso coloca a marca em uma faixa diferente daquela ocupada por parte das cervejas zero que ajudaram a desenvolver o mercado brasileiro.

A produção começa em Ponta Grossa, no Paraná. A fábrica já produz Heineken 0.0 e conta com o equipamento usado no processo de desalcoolização, etapa em que o álcool é retirado depois que a cerveja completa sua fermentação.

Esse processo ajuda a explicar a diferença entre as atuais cervejas zero e parte dos produtos sem álcool vendidos no passado. Em modelos anteriores, a fermentação podia ser interrompida antes da formação completa do álcool, o que também afetava a formação de sabores.

“Essas cervejas a gente faz até o final e usa uma máquina que chama desalcoolizador, que tira o álcool. Por isso ela fica com gosto de cerveja mesmo não tendo álcool”, diz Cecília.

O equipamento exige investimento específico e ainda está concentrado em poucas unidades do grupo. No caso da Amstel, a infraestrutura já usada para Heineken 0.0 permitiu que a companhia acrescentasse uma segunda marca à produção.

No primeiro momento, a Amstel 0.0 ficará concentrada nas regiões mais próximas da estrutura produtiva e em mercados escolhidos pela companhia. A expansão para todo o país virá em uma segunda etapa.

O que a Amstel 0.0 muda no portfólio da Heineken

A entrada da Amstel aumenta a presença do Grupo Heineken em uma categoria na qual a companhia já atua com outras marcas. A diferença está no papel de cada uma.

A Heineken 0.0 foi usada pela cervejaria para desenvolver o mercado e mostrar que uma cerveja sem álcool poderia ser consumida mesmo fora de situações de restrição, como dirigir depois de beber. A Amstel chega com outra missão: ampliar a categoria em uma faixa de preço mais próxima do mercado de massa.

Segundo Cecília, cerca de metade do mercado de cervejas zero está hoje no segmento mainstream. É justamente a parcela em que a companhia vê espaço para aumentar sua presença com a nova marca.

“Tem 50% do mercado onde a gente não está jogando. Então tem uma oportunidade muito grande de entrar com essa marca, que é muito relevante no mercado de cervejas em geral”, diz.

O movimento também amplia as opções dentro da própria família Amstel. Além da lager tradicional, a marca conta com a Ultra e com a linha Amstel Vibes, de bebidas prontas para beber, conhecidas pela sigla em inglês RTD, de ready-to-drink.

A versão zero adiciona ainda novas ocasiões de consumo. Uma delas é o futebol. O lançamento foi anunciado durante a renovação do patrocínio da Amstel à Conmebol Libertadores, parceria que completa dez anos.

A companhia pretende levar a nova versão para eventos e propriedades patrocinadas pela marca, incluindo locais em que a venda de bebidas alcoólicas é restrita. A presença também deve acompanhar outras plataformas da Amstel, como Carnaval, festivais e eventos proprietários.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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