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Mundo
17/07/2026
5 min

Andy Burnham é confirmado como novo premiê do Reino Unido

Andy Burnham é confirmado como novo premiê do Reino Unido

Após a renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro em junho, Andy Burnham foi nomeado novo líder do Partido Trabalhista do Reino Unido nesta sexta-feira, 17. O ex-prefeito de Manchester irá assumir a posição de premiê na próxima segunda-feira, 20, anunciou o partido em uma conferência extraordinária.

"Sem nenhum outro candidato elegível nomeado, é, portanto, uma honra declarar que o líder devidamente eleito do Partido Trabalhista é Andy Burnham", anunciou a ministra do Interior, Shabana Mahmood, presidente do comitê executivo do partido.

Burnham ascende rapidamente no Parlamento

Sua rápida ascensão representa uma reviravolta política para Burnham, que retornou ao Parlamento há poucas semanas ao vencer a eleição suplementar de Makerfield.

Sua candidatura ganhou força após as derrotas do Partido Trabalhista, sob o ex-premiê Keir Starmer, nas eleições locais de maio, o que intensificou a pressão sobre Starmer.

O então líder anunciou sua renúncia no dia 22 de junho, o mesmo dia em que Burnham assumiu seu assento na Câmara, afirmando ter concluído que não era a pessoa mais indicada para conduzir o partido até a próxima eleição geral.

Em comunicado, Burnham afirmou estar "profundamente grato" pelo apoio recebido e disse que as indicações refletem uma crença compartilhada de que o Reino Unido precisa de uma nova abordagem política. Segundo ele, sua proposta passa por descentralizar o poder de Westminster, fortalecer as economias locais e promover crescimento econômico em todas as regiões do país.

Quais são as propostas de Burnham?

Apesar do amplo apoio parlamentar, integrantes do partido têm pedido que Burnham detalhe melhor suas propostas antes de assumir o cargo.

Em discurso na semana passada, ele defendeu a criação de uma unidade do gabinete do primeiro-ministro, conhecida como Number 10 Downing Street, em Manchester, para ampliar a autonomia dos governos locais, especialmente nas áreas de habitação e transporte.

Também prometeu ampliar o controle público sobre os setores de água e energia, embora ainda não tenha explicado como pretende implementá-lo.

Na política externa e de defesa, Burnham sinalizou continuidade em alguns pontos da gestão anterior. Ele confirmou que pretende manter o conselheiro de segurança nacional, Jonathan Powell, e defendeu um aumento sustentado dos investimentos militares, ao mesmo tempo em que prometeu maior transparência sobre custos e atrasos nos programas de defesa.

O político também indicou mudanças na postura do partido em relação ao conflito em Gaza. Em um vídeo publicado nas redes sociais, reconheceu que o Partido Trabalhista "não respondeu da forma correta" às primeiras ações militares de Israel e afirmou que sua liderança buscará uma abordagem diferente para o tema.

Renúncia de Keir Starmer

Keir Starmer renunciou sua posição em Downing Street no dia 22 de junho após pouco mais de um ano no cargo. Com Burnham assumindo, o país terá seu sétimo primeiro-ministro em apenas dez anos.

É um intervalo de instabilidade política que não tem precedente na história moderna britânica. Entre os líderes que ocuparam o cargo de premiê nos últimos 50 anos, dois ficaram nele por pelo menos dez anos: a conservadora Margaret Thatcher e otrabalhista Tony Blair.

No entanto, os longos governos no Reino Unido deixaram de existir desde 2016, devido ao referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. Desde então, nenhum premiê conseguiu completar um ciclo político estável.

David Cameron, que governava o país desde 2010, desistiu do cargo após a vitória do Brexit. Theresa May assumiu em sequência, mas não conseguiu consolidar um acordo para a saída do bloco e também abdicou de sua posição de poder. Boris Johnson, que teve o governo mais longevo da última década, resignou após uma série de crises políticas durante a pandemia de COVID-19.

Em 2022, Liz Truss se tornou a primeira-ministra menos longeva da história, com apenas 49 dias no poder. Na época, a instabillidade do governo britânico levou à página Daily Star do Twitter a criar uma "competição" entre a permanência da chefe do Executivo e uma cabeça de alface americana, para cronometrar qual dos dois duraria mais. O alface venceu.

Rishi Sunak enfrentou perda de apoio eleitoral com menos de um ano de governo, sendo, no entanto, o único líder da última década a ser derrotado por meio do voto e não por desistência.

A alta rotatividade ocorreu mesmo com líderes chegando ao cargo após vitórias expressivas nas urnas. Cameron, Johnson e Starmer, por exemplo, deixaram o comando do governo poucos anos depois de conquistarem maiorias parlamentares consideradas inesperadas.

A instabilidade atual é resultado de uma combinação de fatores, de acordo com a mídia britânica: os efeitos políticos do Brexit, uma economia marcada por baixo crescimento, erros estratégicos dos próprios líderes, maior resistência dentro dos partidos e uma transformação na forma como a política é disputada.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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