Ânima (ANIM3) reprovada: Itaú BBA corta preço-alvo pela metade, rebaixa ação e vê opções melhores

O Itaú BBArebaixou a recomendação de Ânima Educação (ANIM3) de compra para neutra após a aquisição da FMU por R$ 410 milhões no início deste mês. A banco também cortou o preço-alvo de R$ 5,50 de R$ 2,50, o que implica um potencial de valorização de 22% em relação ao fechamento anterior (24).
Em relatório, o banco de investimentos afirma que a compra da FMU aumenta o risco de execução da Ânima e, por isso, prefere acompanhar o processo de integração do ativo antes de adotar uma visão mais construtiva sobre a companhia.
Apesar de reconhecer a ‘lógica estratégica’ da transação e enxergar potencial para sinergias operacionais e comerciais ao longo do tempo, o banco acredita que a operação alterou a relação entre risco e retorno da ação, especialmente ao considerar o valuation pago e o aumento da alavancagem financeira decorrente da aquisição.
O BBA se junta a outros bancos, como BTG Pactual e Citi, que rebaixaram a ação recentemente também na esteira da compra da FMU. Desde que anunciou a compra, no começo de julho, a ação caiu mais de 20%.
De acordo com o banco, o cenário para o setor de educação está mais desafiador nos últimos meses diante do novo marco regulatório do ensino a distância (EaD), além da continuidade dos juros elevados, o que pode pressionar as despesas financeiras e prolongar a desalavancagem.
“Dessa forma, embora continuemos vendo valor no posicionamento estratégico de longo prazo da Ânima e nos potenciais benefícios da aquisição da FMU, acreditamos que a relação entre risco e retorno está mais equilibrada neste momento”.
O Itaú diz ainda que prefere outras empresas do setor, com maior geração de caixa e maior potencial de distribuição de valor aos acionistas, como Cogna(COGN3) e Yduqs (YDUQ3).
Por volta das 11h36 (horário de Brasília), ANIM3 subia 0,98% (R$ 2,07). No mesmo horário, o Ibovespa (IBOV) avançava 0,21%, aos 174.416,01 pontos.
Estimativas para Ânima
Após a aquisição da FMU pela Ânima, o BBA projeta receita líquida de R$ 4,246 bilhões em 2026, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente por reajustes de preços e melhora do mix de receitas, e não pelo crescimento dos volumes.
O banco também prevê Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 1,555 bilhão, o que implica uma margem Ebitda de 36,6%, uma queda de 0,5 ponto percentual na comparação anual, refletindo a menor rentabilidade da unidade de ensino a distância.
“Além disso, esperamos que o lucro líquido seja impactado por um resultado financeiro menos favorável, diante da revisão para uma trajetória mais lenta de queda dos juros e do aumento da alavancagem financeira após a aquisição”, detalha.
Para 2026, o banco projeta um lucro líquido ajustado de R$ 214 milhões para a Ânima.
Olhando para 2027, o BBA enxerga um crescimento mais forte da receita líquida após a integração da FMU. No entanto, o ativo deve pressionar as margens consolidadas, em razão de sua rentabilidade inferior à das operações históricas da Ânima.
No próximo ano, o banco de investimentos projeta receita líquida ajustada de R$ 4,661 bilhões e uma margem Ebitda ajustada de 35,3%.
