Antes do Itaú, Chucri Zaidan tinha Claro como maior inquilina. Quais empresas estão na avenida?
Cinco dos maiores ocupantes somam 119 mil metros quadrados; chegada do Itaú adicionará outros 91,4 mil metros quadrados ao polo corporativo

A chegada do Itaú a 91,4 mil metros quadrados do Esther Towers, empreendimento da Eztec na Chucri Zaidan, colocou a região no centro das atenções do mercado de escritórios de São Paulo. Mas o banco encontrará por lá uma vizinhança que já reúne algumas das maiores empresas do país. Claro, Vivo, Fleury, Mapfre e Enel ocupam, juntas, cerca de 119 mil metros quadrados na região.
A maior delas em área ocupada é a Claro, com 42 mil metros quadrados. A Vivo aparece em seguida, com 22 mil metros quadrados, praticamente empatada com o Fleury, que ocupa 21 mil metros quadrados. Completam a lista a Mapfre, com 19 mil metros quadrados, e a Enel, com 15 mil metros quadrados.
A composição ajuda a mostrar que a consolidação da Chucri Zaidan não depende de um único setor. A indústria responde pela maior área ocupada, com 225 mil metros quadrados, enquanto empresas de tecnologia da informação e telecomunicações somam outros 145 mil metros quadrados.
O setor financeiro, que ganhará ainda mais peso com a chegada do Itaú, aparece com 113 mil metros quadrados. Serviços respondem por 102 mil metros quadrados e saúde, por 70 mil metros quadrados.
Veja abaixo as empresas que ocupam a avenida Chucri Zaidan:
- Claro Brasil — Claro Corporate I / Claro Corporate II / Quota Corporate — 41.568,10 m²
- Vivo — Chucri Zaidan / Morumbi Corporate - Golden Tower — 22.256,50 m²
- Fleury — Rochaverá Corporate Towers - Torre B (Marble Tower) — 21.465,11 m²
- Mapfre —WT Morumbi - Ala A — 18.546,41 m²
- Grupo Enel — Parque da Cidade Corporate - Torre B1 - Aroeira — 14.588,14 m²
- Samsung — Morumbi Corporate - Diamond Tower / Morumbi Corporate - Golden Tower — 14.409,00 m²
- Banco Votorantim — Rochaverá Corporate Towers - Torre A (Ebony Tower) — 13.177,37 m²
- WeWork — WT Morumbi - Ala A / WT Morumbi - Ala B — 13.128,49 m²
- Regus — EZ Towers - Torre B / Rochaverá Corporate Towers - Torre B (Marble Tower) / Torre Z — 12.662,62 m²
- Honda Brasil — Sede Administrativa da Honda — 12.400,00 m²
Historicamente, a região teve uma ocupação mais associada a empresas industriais, de telecomunicações e serviços. A chegada do Itaú adiciona uma das maiores presenças do setor financeiro já vistas no endereço e reforça uma mudança no perfil da Chucri Zaidan.
Ao todo, o mercado de escritórios de alto padrão da Chucri Zaidan soma 832 mil metros quadrados distribuídos por 35 empreendimentos, segundo levantamento da Binswanger Brazil. O estoque cresceu no segundo trimestre de 2026, com a entrega de mais 14 mil metros quadrados de novos espaços.
A entrada de novos empreendimentos, porém, não provocou aumento da vacância. A taxa caiu de 14,4% no primeiro trimestre para 13,5% no segundo trimestre. O movimento foi acompanhado por uma absorção líquida de 21 mil metros quadrados, volume suficiente para absorver o novo estoque entregue no período.
O efeito Itaú
O cenário de melhora na ocupação ganhou um novo capítulo com o anúncio da locação do Esther Towers pelo Itaú, uma das maiores operações corporativas já registradas no mercado paulistano.
Sozinha, a área contratada pelo banco supera a soma dos cinco maiores ocupantes atuais da região e equivale a mais de quatro vezes a média das maiores locações individuais recentes da cidade.
Com a ocupação integral do complexo, a vacância dos edifícios de padrões A e A+ da Chucri Zaidan, que já vinha em trajetória de queda, deve recuar de 13,5% para aproximadamente 12%, segundo a Binswanger.
O contraste mostra a relevância da operação: caso o empreendimento entrasse no mercado sem ocupante, a vacância da região poderia subir para cerca de 22%, também segundo cálculos da consultoria.
Para a Binswanger, a chegada de um ocupante do porte do Itaú reforça a transformação da via. De uma alternativa mais barata à Faria Lima, a Chucri Zaidan passa a disputar espaço como polo corporativo próprio.
"Uma consolidação que supere a locação do Esther Towers pelo Itaú, em único complexo, não é replicável. A Torre Santander que pode vir a ser desocupada tem 72 mil metros quadrados, e há somente o ASA na Rebouças, de 57 mil metros quadrados, como projeto grande em desenvolvimento", diz Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil.
A dimensão do contrato do Itaú fica mais clara quando comparada às maiores locações recentes do mercado paulistano. Segundo levantamento da Binswanger, a área ocupada pelo banco no Esther Towers supera em mais de quatro vezes a média das principais operações individuais registradas recentemente.
Segundo levantamento da Binswanger Brazil, a maior locação recente de escritórios em São Paulo é a do Itaú no Esther Towers, com 91,4 mil metros quadrados. Na sequência aparece o Nubank, que ocupou 50 mil metros quadrados nos empreendimentos Cyrela Oscar Freire e Capote 210.
A Amazon aparece em terceiro lugar, com 39,2 mil metros quadrados no Biosquare. Entre as demais grandes operações estão a Casas Bahia, com 16,5 mil metros quadrados no Edifício Centenário; a Uber, com 15,9 mil metros quadrados no JK Square; a Wise, com 14,1 mil metros quadrados no River South; a Claro, com 11,2 mil metros quadrados na própria Chucri Zaidan; e a Braskem, com 8,9 mil metros quadrados no Alto das Nações.
Na capital paulista, a absorção líquida média por trimestre tem sido de aproximadamente 90 mil metros quadrados, segundo a Binswanger. Isso significa que a área contratada pelo Itaú sozinha é equivalente à movimentação líquida de todo o mercado em um trimestre médio.
Esther Towers reforça nova fase da Chucri Zaidan
O Esther Towers representa uma nova escala para a região. O empreendimento possui duas torres corporativas de padrão Triple A, com 26 pavimentos, 33 elevadores com chamada antecipada e um heliponto integrado entre os edifícios.
Uma das torres já possui habite-se, enquanto a segunda será entregue no primeiro trimestre de 2027.
O contrato do Itaú envolve aproximadamente 91,4 mil metros quadrados de área locável, com prazo inicial de dez anos e possibilidade de extensão por outros cinco.
Segundo comunicado da Eztec, a operação deve gerar aproximadamente R$ 1,17 bilhão em receitas de locação nos primeiros dez anos, considerando os valores atuais, com reajuste anual pelo IPCA.
O contrato representa um aluguel médio próximo de R$ 107 por metro quadrado ao mês, de acordo com cálculo do BTG Pactual.
O Itaú ocupará o complexo de forma escalonada conforme as torres forem entregues. A operação envolve quase 10 mil posições de trabalho e faz parte do plano de investimentos em infraestrutura do banco para a evolução gradual do modelo híbrido.
Em nota, o banco afirmou que a escolha do empreendimento levou em conta critérios operacionais, infraestrutura e necessidades futuras, com foco em ambientes que favoreçam colaboração e integração entre equipes.
Com a chegada do Itaú, aChucri Zaidan reforça uma transformação iniciada nos últimos anos: de uma região vista como alternativa de custo para empresas que deixavam a Faria Lima, para um polo corporativo capaz de atrair grandes ocupantes por conta própria.
