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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFIICMDT
03/08/2026
5 min

Antigo armazém de grãos vai a leilão por R$ 12 milhões em Minas Gerais

Área equivalente a mais de 3 campos de futebol em Ituiutaba foi usada pela antiga Casemg e pode receber projetos residenciais, comerciais e de serviços

Antigo armazém de grãos vai a leilão por R$ 12 milhões em Minas Gerais

Uma área de mais de 23 mil metros quadrados, equivalente a cerca de 3,3 campos oficiais de futebol, entrou no radar de investidores noTriângulo Mineiro. A Prefeitura de Ituiutaba, em Minas Gerais, colocou em leilão um imóvel avaliado em R$ 12 milhões que ocupa uma quadra inteira na região central da cidade.

O terreno, localizado na Avenida Governador José de Magalhães Pinto, possui 23.621 metros quadrados de área total e 9.322,84 metros quadrados de área construída, conforme a matrícula do imóvel. O leilão eletrônico será realizado nesta terça-feira, 4 de agosto, a partir das 9h, pela Arthur Nunes Leilões.

A propriedade pertence ao município e abrigou, no passado, uma unidade da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg). O imóvel será vendido em lote único pelo critério de maior lance, com valor mínimo de R$ 12 milhões e incremento mínimo de R$ 10 mil entre as ofertas.

“O principal diferencial desse imóvel está na combinação entre dimensão, localização urbana e estrutura existente. São mais de 23 mil metros quadrados ocupando uma quadra inteira, com 9,3 mil metros quadrados de área construída. É um ativo que pode atender a diferentes perfis de projeto”, afirma Arthur Nunes, leiloeiro oficial responsável pelo certame.

O imóvel está inserido em uma Zona Mista, classificação urbanística que permite diferentes tipos de uso, incluindo empreendimentos residenciais, comerciais, prestação de serviços, equipamentos sociais e comunitários, além de indústria de pequeno porte e projetos de uso misto.

O conjunto reúne diferentes edificações, como prédio comercial, escritório, estrutura para balança, prédios auxiliares, sanitários e guarita. Segundo o edital, as construções estão em estado regular de conservação e o imóvel será vendido nas condições em que se encontra.

A área fica no bairro Progresso/Ipiranga, em uma região com infraestrutura urbana consolidada, diversidade de atividades no entorno e fluxo de veículos e pedestres, segundo o laudo de avaliação elaborado pelo município.

Prefeitura decidiu vender imóvel sem uso

A decisão de levar o terreno a leilão está relacionada ao fato de a propriedade estar atualmente sem utilização pelo poder público. Segundo o Termo de Referência do certame, a manutenção, vigilância e conservação de uma área ociosa desse porte geram despesas contínuas sem retorno social proporcional.

Para viabilizar a venda, o município realizou a desafetação da área, transformando o imóvel em bem dominical — categoria de patrimônio público que pode ser alienada. A operação foi autorizada pela Lei Municipal nº 5.564/2025.

Os recursos obtidos com o leilão deverão ser destinados a despesas de capital, como investimentos em infraestrutura, reformas e modernização de estruturas voltadas à prestação de serviços públicos, conforme previsto no edital.

O valor inicial de R$ 12 milhões foi definido com base em um laudo de avaliação elaborado pela Comissão de Avaliação de Bens Imóveis do Município de Ituiutaba, considerando fatores como tamanho do terreno, área construída, localização, zoneamento e condições do mercado imobiliário local.

A disputa será realizada exclusivamente pela internet. Podem participar pessoas físicas maiores de 18 anos ou emancipadas e pessoas jurídicas que cumpram as exigências do edital.

Os interessados precisam realizar cadastro prévio, enviar documentação e obter habilitação na plataforma. Os lances serão considerados irrevogáveis e o imóvel será arrematado pelo maior valor ofertado, desde que igual ou superior ao lance inicial.

“O formato eletrônico amplia o alcance do leilão e permite que investidores de diferentes regiões analisem previamente a documentação e participem da disputa sob as mesmas regras”, afirma Nunes.

O imóvel será vendido na modalidade ad corpus, em que a negociação considera a propriedade como um todo. O comprador ficará responsável por eventuais reformas e regularizações, além de despesas como ITBI, escritura e registro.

A posse será transferida após o pagamento integral, homologação do resultado e assinatura da escritura pública de compra e venda. O pagamento deverá ser realizado à vista em até cinco dias úteis.

Da armazenagem de grãos à liquidação

O imóvel que agora volta ao mercado fez parte da estrutura da Casemg, estatal que durante mais de seis décadas teve papel estratégico no suporte à produção agrícola mineira.

Criada em 1957 pelo Governo de Minas Gerais, a Casemg surgiu em um período de expansão da agricultura no estado, com a missão de ampliar a capacidade pública de armazenamento de grãos e reduzir perdas de safras por falta de infraestrutura. A companhia operava uma rede de armazéns e silos voltados principalmente para produtos como milho, feijão, arroz e café, acompanhando o crescimento das principais regiões agrícolas mineiras.

Durante cerca de 40 anos, a empresa funcionou sob controle estadual. Em 1998, porém, como parte do processo de renegociação das dívidas de Minas Gerais com a União, o controle acionário da Casemg foi transferido para o governo federal. A companhia passou a ser vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e manteve uma rede de unidades armazenadoras espalhadas por regiões como Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Sul de Minas e Noroeste de Minas.

A partir dos anos 2000, o modelo de negócios da estatal passou a enfrentar dificuldades diante doavanço da armazenagem privada. Produtores e empresas do agronegócio ampliaram investimentos em estruturas próprias, enquanto parte dos armazéns da Casemg, construídos décadas antes, exigia altos custos de manutenção e modernização.

Com a deterioração financeira e a política de redução da participação do Estado em empresas deficitárias, a Casemg foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) em 2019. No ano seguinte, o Decreto nº 10.352/2020 determinou o início do processo de liquidação da companhia.

Durante essa etapa, imóveis, terrenos e unidades armazenadoras que pertenciam à empresa passaram a ser colocados à venda em leilões públicos. O objetivo era utilizar os recursos obtidos para cumprir compromissos da estatal, incluindo obrigações trabalhistas, tributárias e com fornecedores.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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