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Sacre Investimentos
EmpresasACS
06/08/2026
5 min

Aos 100 anos, Grupo Fleury (FLRY3) cresce como startup e lucro salta 45%; CEO dá diagnóstico

Lucro do segundo trimestre superou as projeções do mercado; em entrevista ao Seu Dinheiro, Jeane Tsutsui detalha como a companhia pretende manter o ciclo de crescimento após um século de existência

Aos 100 anos, Grupo Fleury (FLRY3) cresce como startup e lucro salta 45%; CEO dá diagnóstico

Lucro líquido, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e receita acima das expectativas do mercado. Esse é o retrato que o balanço do segundo trimestre de 2026 do Grupo Fleury (FLRY3) mostra aos investidores. No entanto, esse recorte faz parte de um filme que vem sendo construindo há um século, quando a empresa foi fundada.

É essa a narrativa que a CEO Jeane Tsutsui enxerga por trás dos números. "Todo trimestre a gente vem executando a nossa estratégia de uma maneira muito disciplinada. Ela combina crescimento orgânico e inorgânico, eficiência operacional e disciplina na alocação de capital", diz a executiva em entrevista ao Seu Dinheiro.

A estratégia se refletiu em mais um trimestre de expansão dos resultados. O Fleury registrou um salto de 45% no lucro líquido na comparação anual, para R$ 221,9 milhões, superando as expectativas do mercado. O consenso compilado pela Bloomberg apontava para um lucro de R$ 187,75 milhões no período.

O Ebitda, por sua vez, avançou 15,2% frente ao intervalo de abril a junho de 2025, para R$ 612,9 milhões. As estimativas de mercado eram de R$ 590 milhões.

A margem Ebitda, que mede a eficiência operacional da companhia ao apontar quanto da receita se transforma em geração operacional de caixa antes de despesas, passou para 26,5%, aumento de 18 pontos-base (b.p) no ano. Enquanto a receita líquida chegou a R$ 2,31 bilhões, avanço de 14,4% no ano e também acima do esperado pelo mercado (R$ 2,24 bilhões).

Os motores do Grupo Fleury

O principal motor de expansão da receita foi a Medicina Diagnóstica B2C (business-to-consumer, ou seja, o atendimento direto ao cliente), negócio que deu origem ao Fleury e ainda responde por cerca de 70% do faturamento da companhia.

No trimestre, a divisão viu sua receita crescer 15% na comparação anual, para R$ 1,7 bilhão. Esse avanço foi impulsionado tanto pela expansão orgânica, quanto pela incorporação de aquisições recentes, como o como o Confiance, com 25 unidades na região de Campinas, e do Laboratório São Lucas (LSL), com três unidades em Rio Claro e Santa Gertrudes, no interior de São Paulo.

No entanto, dentro desse segmento, o principal destaque ficou com a própria marca Fleury. Mesmo sendo a operação mais madura do grupo, a bandeira premium registrou crescimento de 12% na receita.

"A marca Fleury mantém a vitalidade, a diferenciação e cresce de forma robusta, mostrando a força de uma marca que realmente tem um forte relacionamento com os clientes e com os médicos que nos referenciam", afirma Tsutsui.

Já no segmento B2B (business-to-business), a receita avançou 12,2% na comparação anual, para R$ 545,1 milhões. O desempenho foi puxado principalmente pelo crescimento do Lab-to-Lab, com aumento do volume de exames e maior participação nas vendas para laboratórios parceiros, além da demanda mais forte dos hospitais, beneficiados pelo surto de influenza no trimestre.

"O Lab-to-Lab é um negócio muito importante porque amplia o acesso à saúde em todo o Brasil. A gente investiu em aumento de capacidade produtiva, em diferenciação dos produtos e em relacionamento com novos clientes", afirma a CEO do grupo.

Avançando com disciplina

Para Tsutsui, esse caminho do Fleury tem sido construído sobre três pilares: crescimento orgânico das marcas já existentes, aquisições seletivas e disciplina operacional.

Enquanto as unidades do grupo continuam ampliando volumes e participação de mercado, o Fleury também vem reforçando sua presença regional por meio da compra de ativos como Confiance, Laboratório São Lucas, Emolab e, mais recentemente, a rede Femme, preservando as marcas locais e integrando suas operações.

Desde 2021, quando o grupo iniciou um ciclo mais intenso de expansão, a receita da companhia mais do que dobrou. O crescimento veio da combinação entre expansão orgânica dos negócios e aquisições, movimento que ganhou força com a fusão com o Hermes Pardini, concluída em 2023.

Mas, segundo a executiva, crescer por crescer nunca foi o objetivo. "Não só a gente cresce na receita, mas também expande o Ebitda, aumenta o retorno sobre o capital investido e mantém uma alavancagem adequada para um momento de juros elevados", afirma.

O retorno sobre o capital investido (ROIC), um dos indicadores mais acompanhados pela companhia, avançou 3,8 pontos percentuais desde a combinação de negócios com o Pardini. Ao mesmo tempo, a alavancagem permaneceu em 1,1 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda, patamar que o Fleury considera confortável diante do atual cenário de custo de capital elevado.

A próxima etapa já começou

O próximo capítulo da estratégia será a integração da Femme, rede especializada em saúde da mulher cuja aquisição foi concluída no fim de maio. Como o fechamento da operação ocorreu apenas no final do trimestre, a contribuição da Femme ainda não aparece neste balanço e começará a ser consolidada a partir do terceiro trimestre.

"A gente está muito confiante no Femme, que agrega ao nosso portfólio de marcas e ao nosso posicionamento em saúde da mulher. As equipes já começaram todo o processo de integração", diz Tsutsui.

E o movimento de expansão não deve parar por aí. Segundo Jose Antonio Filippo, CFO do Fleury, a companhia mantém uma equipe dedicada exclusivamente a avaliar oportunidades de aquisição em um mercado ainda bastante fragmentado.

"O pipeline de M&A é permanente. Nós prospectamos ativos continuamente e avaliamos critérios estratégicos, econômico-financeiros e a capacidade de integração antes de seguir em frente", afirma o CFO em entrevista ao Seu Dinheiro.

Para o executivo, operações transformacionais como a fusão com o Hermes Pardini tendem a ser mais raras, mas a companhia pretende continuar crescendo por meio da aquisição de laboratórios regionais, ao mesmo tempo em que preserva uma geração de caixa robusta e um histórico de distribuição de dividendos aos acionistas.

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
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