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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
15/08/2026
6 min

Aos 16, eles vendiam milhas; hoje, miram R$ 1,2 bi com empresa que atende viajantes de ponta a ponta

A FlyBy nasceu da intermediação de milhas entre familiares e hoje atua com viagens de lazer e corporativas no Brasil e no exterior

Aos 16, eles vendiam milhas; hoje, miram R$ 1,2 bi com empresa que atende viajantes de ponta a ponta

O turismo brasileiro faturou R$ 185 bilhões entre janeiro e outubro de 2025, segundo levantamento da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP), com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor cresceu 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Antes de o país bater recorde de faturamento, os amigos de infância Gianlucca Nahas e Marco Fragali decidiram apostar, em 2017, na venda de milhas para a compra de passagem. O negócio chamou atenção e cresceu antes mesmo de os empreendedores completarem o ensino médio.

O que começou como uma experiência na adolescência virou uma empresa – a FlyBy, que se estruturou ao longo dos anos. Hoje, o negócio funciona como uma agência de viagens, oferecendo passagens aéreas, hospedagem, serviços turísticos e gestão de viagens corporativas.

“Acrescentamos serviços ao negócio para continuar crescendo e, hoje, atendemos o cliente de ponta a ponta”, diz Gianlucca Nahas.

Em 2022, a FlyBy faturou R$ 118 milhões. Para 2026, a previsão é alcançar R$ 1,2 bilhão — um crescimento de cerca de 917% em quatro anos.

Das milhas ao primeiro negócio

Aos 16 anos, os amigos de infância Gianlucca Nahas e Marco Fragali começaram um negócio de maneira despretensiosa. A inspiração veio do pai de Gianlucca.

“Meu pai é médico e sempre viajou muito para congressos. Quando eu era pequeno, ele sempre me pedia ajuda para comprar as passagens, pois achava muito caro. E eu sempre pesquisava para encontrar as melhores opções para ele”, diz.

Até que um dia um desafio maior apareceu: o pai queria viajar para a Itália, mas a passagem custava R$ 20 mil. Foi quando Gianlucca teve o insight que se transformaria em negócio. Lembrou que o tio estava com milhas prestes a expirar e perguntou se ele toparia vendê-las para o irmão.

O tio tinha milhas o suficiente para comprar as passagens e as vendeu para o irmão por R$ 2 mil, o que gerou uma economia de R$ 18 mil.

“Um ficou feliz porque pagou mais barato, outro porque recebeu dinheiro. Eu pensei: quantas pessoas acumulam milhas e não sabem como usá-las?”, lembra Nahas.

Ele compartilhou a ideia com Marco Fragali, que sugeriu cadastrar as milhas das amigas de sua avó, que, apesar de acumularem pontos no cartão de crédito, não sabiam como utilizá-los.

As primeiras 30 mulheres cadastradas tinham, juntas, cerca de 10 milhões de milhas.

O modelo funcionava como um marketplace: a empresa cadastrava pessoas interessadas em vender milhas e outras que buscavam passagens mais baratas. Quando encontrava um comprador, usava as milhas de um dos cadastrados para emitir a passagem e, com o pagamento recebido do cliente, remunerava o proprietário dos pontos.

O modelo, que era novidade na época, chamou atenção. Muitas vezes, os dois ofereciam vendas pelo colégio e a FlyBy cresceu.

“Contratamos funcionários, alugamos um escritório. Como éramos menores de idade, tivemos até que nos emancipar para poder formalizar o negócio”, afirma.

Aos 18 anos, a empresa que começou com a venda de milhas entre irmãos tinha 15 funcionários, e os recém-formados tinham uma empresa para gerir.

Mais serviços, novos clientes e mercados

Ao longo dos anos, os fundadores apostaram em duas frentes de crescimento: aumento do portfólio de serviços e internacionalização. Além de passagens, a FlyBy passou a oferecer hospedagem, passeios, ingressos, cruzeiros e demais serviços turísticos.

A estratégia ampliou a participação da empresa em cada viagem. Antes, o cliente recorria à FlyBy para comprar a passagem e buscava outros fornecedores para reservar hospedagem, passeios ou ingressos. Com a ampliação do portfólio, a empresa concentrou diferentes etapas da viagem em uma única operação.

“Atendemos o cliente de ponta a ponta. Se a passagem de milhas estiver mais barata, venderemos uma passagem de milhas. Mas, se a passagem em dinheiro for mais barata, vendemos a passagem convencional. Vamos sempre garantir ao cliente que ele pague a menor tarifa”, diz Nahas.

As vendas são destinadas tanto a pessoas físicas quanto a empresas. No segmento corporativo, a FlyBy cuida da logística de viagens de companhias de diferentes portes e volumes de demanda, com opções de atendimento por plataforma digital ou por consultores especializados.

Hoje, 60% do faturamento da empresa vem de pessoas físicas, enquanto 40% de pessoas jurídicas. Para os próximos anos, a expectativa é chegar a pelo menos 50% da receita vindo do corporativo.

“A pessoa física faz uma, duas ou três viagens por ano. A pessoa jurídica está sempre viajando. Para a gente, o mercado corporativo é o mais estável”, afirma.

Já a expansão internacional começou em 2022. A aposta foi nos Estados Unidos, México, Colômbia e Peru. Segundo Nahas, a estratégia veio após a empresa ampliar a operação de venda de passagens e buscar novas frentes de crescimento.

Hoje, o México é o segundo maior mercado da companhia, atrás apenas do Brasil, mas a empresa ainda pretende ampliar a atuação nos países onde já está presente antes de avançar para novos territórios. O México tem um comportamento do consumidor muito parecido com o brasileiro. Foi onde a gente teve mais facilidade para entrar”, diz.

O crescimento nos EUA, no entanto, ainda é um desafio cultural. “O consumidor americano tem uma forma de consumo muito diferente da brasileira. Ele é muito pouco focado em serviço e é muito mais focado em digitalização”, diz Nahas.

Ainda assim, a operação estadunidense vem contribuindo para o crescimento. “Uma cidade americana normal tem a mesma quantidade de voos internacionais que São Paulo. Isso mostra um pouco da dimensão do mercado americano”, afirma.

O próximo passo da expansão

Com a previsão de chegar a R$ 1,2 bilhão de faturamento em 2026, a FlyBy pretende manter o ritmo de expansão nos próximos anos. A estratégia, porém, não deve se concentrar apenas na entrada em novos mercados. A empresa quer ampliar a atuação nos países onde já está presente, especialmente no México, e aumentar a participação do segmento corporativo, que hoje representa 40% do faturamento.

A companhia também está estruturando uma nova frente de negócios: a realização de eventos. Segundo Nahas, a FlyBy já realizou algumas iniciativas, mas ainda trabalha para organizar a operação e se tornar referência no mercado de eventos corporativos e particulares.

Para o executivo, o crescimento projetado para 2026 também representa uma mudança de escala da empresa, que passou de um negócio criado na adolescência para uma operação internacional e diversificada, que nunca recebeu investimento externo.

“Os números de 2026 são a prova de que dá para escalar um negócio de alto padrão sem depender de aporte externo. Cada real que reinvestimos veio da própria operação. Agora, com a maturidade que a FlyBy ganhou nos Estados Unidos e no mercado corporativo, estamos entrando em um novo patamar de crescimento e o bilhão é só o começo”, diz Nahas.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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