Aos 25 anos, ele comanda uma startup de R$ 90 mi que resolve um problema de gigantes do varejo

Um sistema criado para resolver gargalos de produção de conteúdo dentro de uma operação audiovisual acabou se tornando a porta de entrada de uma empresa de tecnologia em grandes redes do varejo brasileiro.
A ferramenta, chamada GeoFast, automatizava a criação de campanhas em escala a partir de dados operacionais. Com o uso em clientes como Casas Bahia e Remax, o sistema deixou de ser uma solução interna e passou a ser aplicado em operações complexas, onde velocidade e volume de produção são determinantes.
A partir desse movimento, uma área interna de tecnologia começou a ganhar identidade própria. O nome usado dentro do time — Aurea — passou a ser adotado oficialmente, até a operação se separar da estrutura original e virar uma empresa independente.
“O varejo hoje não aguenta mais esperar. Se a gente demora para transformar dado em execução, perde venda. A nossa função é encurtar esse caminho”, afirma João Vitor Fagundes, CEO da Aurea Tech.
A Aurea Tech faturou R$ 30 milhões em 2025, resultado da expansão da sua base de clientes e da atuação direta dentro de operações do varejo.
A empresa projeta acelerar esse crescimento nos próximos ciclos e alcançar mais de R$ 90 milhões em faturamento até 2026, impulsionada pela ampliação do modelo de squads embarcados, pela adoção de automação com inteligência artificial e pela entrada em novas redes e verticais do varejo brasileiro.
Como Fagundes começou sua carreira
Fagundes cresceu em Campos Novos, na região oeste de Santa Catarina, cidade de cerca de 38 mil habitantes. A relação com trabalho começou cedo. Aos 10 anos, começou a vender picolé na rua para comprar um tênis de basquete. O básico vinha de casa, mas qualquer coisa além disso dependia dele.
“Eu comecei a buscar como que eu poderia fazer para conseguir dinheiro”, afirma.
Aos 13 anos, virou office boy em um clube de eventos. Aos 15, abriu uma loja virtual de roupas no Instagram. E aos 16, já acumulava escola, trabalho e operação própria.
A entrada na engenharia de produção marcou o primeiro contato com empreendedorismo estruturado. Foi nesse período que ele conheceu o conceito de startup e passou a conectar tecnologia a modelo de negócio.
“Ali foi a virada de chave para mim, porque foi o momento onde eu comecei a me conectar mais com a parte acadêmica e principalmente foi onde eu descobri o termo startup”, diz.
A partir daí, tecnologia deixa de ser apenas ferramenta e passa a ser caminho. Em um projeto universitário, uma experiência muda sua trajetória: uma ideia vencedora não sai do papel porque o desenvolvedor abandona a execução. A resposta foi aprender programação.
Entre 2021 e 2023, João atua como desenvolvedor freelancer e participa de diferentes projetos de tecnologia. O ponto de virada acontece quando ele é convidado para estruturar uma frente de tecnologia dentro de uma empresa já consolidada no setor audiovisual.
Ali, pela primeira vez, ele deixa de atuar apenas como executor e passa a construir dentro de uma operação real, com clientes grandes e demandas constantes. É nesse ambiente que nasce o primeiro sistema que daria origem à Aurea Tech.
Como a Aurea ajuda gigantes do varejo
A origem da Aurea Tech está dentro de uma estrutura já existente, que combinava tecnologia e produção de conteúdo. O primeiro movimento não foi a criação de uma startup, mas a tentativa de resolver problemas internos de escala.
O GeoFast surge nesse contexto como uma ferramenta para automatizar campanhas de marketing em grande volume, com personalização baseada em dados.
O que era interno passa a ser aplicado em grandes redes. A entrada em clientes como Casas Bahia, Assaíe Remax marca a transição da operação para um ambiente de alta complexidade, com múltiplas campanhas simultâneas e necessidade constante de atualização.
Com o tempo, a frente de tecnologia deixa de ser apenas suporte e passa a operar como núcleo central da empresa.
O modelo da Aurea Tech não se baseia apenas na venda de software. A empresa estrutura sua operação dentro dos clientes, com equipes dedicadas que atuam diretamente nas rotinas de marketing, dados e execução.
Para sustentar esse modelo, a companhia criou um núcleo central de especialistas responsável por coordenar as frentes distribuídas dentro dos clientes. Internamente, essa estrutura é chamada de “Megazord”.
Na prática, isso significa que parte da operação do cliente passa a ser compartilhada com a empresa, com integração contínua entre sistemas, equipes e decisões.
