Aos 30 anos, ela é a 2ª mulher mais rica do Brasil com fortuna de R$ 13,4 bilhões
Antes de trabalhar no mercado financeiro e fundar uma empresa nos Estados Unidos, seguiu uma trajetória pouco comum entre empreendedores de tecnologia: foi bailarina

O mercado de previsões cresceu nos Estados Unidos ao transformar perguntas sobre eleições, economia e esportes em contratos que podem ser comprados e vendidos. No meio desse avanço, uma brasileira passou a ocupar um espaço incomum entre os maiores patrimônios do país.
Aos 30 anos, Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, estreou na lista de bilionários brasileiros da Forbes em 2026.
A publicação estima sua fortuna em 13,4 bilhões de reais e a aponta como a bilionária self-made mais jovem do Brasil, ou seja, alguém que construiu o patrimônio sem herdá-lo.
Além disso, ela é a segunda mulher mais rica do Brasil, atrás apenas de Vicky Sarfati Safra, do Banco Safra.
A entrada no ranking acontece menos de um ano depois de a Kalshi alcançar um valuation, valor atribuído à empresa em uma rodada de investimento, de 11 bilhões de dólares.
Em dezembro de 2025, quando a EXAME entrevistou Lara com exclusividade, sua fortuna era estimada em cerca de 6 bilhões de reais após a companhia levantar 1 bilhão de dólares em uma rodada Série E. Para ela, qualquer divergência sobre um evento futuro pode virar um mercado negociável.
“Acreditamos que é por isso que ainda vamos crescer muito mais, e ter algo muito mais amplo do que o mercado de ações”, afirmou Lara à EXAME na ocasião.
O próximo passo passa por ampliar esse modelo para outros países. Na entrevista, Lara disse que a expansão internacional ainda estava no começo, mas citou o Brasil diretamente.
“O Brasil é um mercado muito importante para mim, sendo brasileira. Não temos um plano concreto para anunciar ainda, mas é algo que está em nossos planos”, afirma.
Lara nasceu em Belo Horizonte, em 1996, e cresceu entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Antes de trabalhar no mercado financeiro e fundar uma empresa nos Estados Unidos, seguiu uma trajetória pouco comum entre empreendedores de tecnologia.
Ainda adolescente, mudou-se para Joinville, em Santa Catarina, para estudar na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Depois, passou uma temporada profissional no Teatro Estatal de Salzburgo, na Áustria.
A dança dividia espaço com outra área de interesse. Lara acumulou medalhas em olimpíadas de astronomia e matemática durante a escola.
Mais tarde, formou-se no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Durante a graduação, fez estágios em empresas do mercado financeiro, entre elas Bridgewater, de Ray Dalio, e Citadel, de Ken Griffin. Foi nos Estados Unidos que conheceu Tarek Mansour, com quem fundaria a Kalshi.
A Kalshi permite que usuários comprem e vendam contratos ligados à ocorrência de eventos futuros.
Na prática, alguém pode negociar uma previsão sobre uma recessão nos Estados Unidos, o resultado de uma eleição ou um evento esportivo. Cada contrato está ligado a uma pergunta com resultado determinado.
Se o evento acontece, o contrato pode pagar 1 dólar. Se não acontece, paga zero. O preço varia enquanto o mercado incorpora novas informações.
Lara compara o funcionamento a uma bolsa de valores.
“A Kalshi funciona como uma bolsa de valores, onde as pessoas compram e vendem com base em sua previsão do futuro. E é mais do que esportes. Pode ser sobre economia, política, saúde, qualquer evento futuro mensurável”, afirma.
Segundo ela, a diferença central está em quem ocupa o outro lado da negociação. “A Kalshi não está apostando contra você, ela apenas cria o mercado onde você pode negociar com outros usuários”, afirma.
O modelo também colocou a empresa no centro de uma discussão que Lara já enfrentava quando se tornou bilionária. Na entrevista à EXAME, realizada após a rodada que avaliou a Kalshi em 11 bilhões de dólares, uma das principais dúvidas era se a empresa deveria ser considerada uma casa de apostas.
Lara rejeitou a comparação. “Não estamos competindo com ninguém. Você compra, você vende, a gente não ganha dinheiro nenhum. Se um usuário perde, só estamos conectando pessoas de um lado e do outro”, afirma.
A discussão ganha peso porque esportes representavam, à época da entrevista, cerca de 80% das transações realizadas na plataforma. Para Lara, porém, o funcionamento econômico é diferente do de uma casa de apostas tradicional. Ela afirma que a Kalshi não obtém ganhos quando um usuário perde uma negociação.
“Nunca pensamos nisso como uma casa de apostas, mas gostávamos muito desse lado de gestão de risco e financial exchange, mercado financeiro de negociação. Eu, na verdade, não aposto de jeito nenhum”, afirma.
Qual é a fortuna
Em dezembro de 2025, quando a Kalshi anunciou a rodada Série E de 1 bilhão de dólares, a fortuna da brasileira era estimada em cerca de 6 bilhões de reais.
Agora, a Forbes calcula seu patrimônio em 13,4 bilhões de reais.
No caso de Lara, essa participação a colocou aos 30 anos entre os bilionários brasileiros da Forbes e lhe deu outro marco: o de bilionária self-made mais jovem do país, segundo a publicação. Em dezembro de 2025, aos 29 anos, ela já havia alcançado outro recorde citado pela Forbes: tornou-se a mulher mais jovem do mundo a chegar ao status de bilionária pelo próprio trabalho.
Para a fundadora, o tamanho potencial da Kalshi depende justamente de fazer o consumidor enxergar a plataforma para além dos esportes.
O desafio é fazer essa proposta ser entendida fora do público que já acompanha mercados financeiros — e, ao mesmo tempo, lidar com a comparação constante com plataformas de apostas.
No Brasil, esse obstáculo apareceu rapidamente.
“Eu vi pessoas falando do negócio de tigrinho. Eu fui Google [sic] o que era negócio de tigrinho, porque não sabia o que era. Completamente diferente do que a gente faz. Esse não tem paralelo nenhum”, afirma.
