Aos 36 anos, ela criou uma fintech que cresceu 311% e faturou R$ 11,8 milhões
Verônica Taquette fundou a Maravi com capital próprio após duas décadas no setor de tecnologia; empresa atende 68 gestoras de investimentos e prepara o próximo ciclo de expansão

Verônica Taquette começou a empreender aos 18 anos. Ainda na faculdade de engenharia de computação, tentou criar um sistema de pagamentos móveis. Depois, fundou empresas de tecnologia, desenvolveu soluções para companhias como Rock in Rio e Cinemark e se tornou sócia de uma fornecedora de sistemas para o mercado financeiro.
Aos 36 anos, decidiu começar novamente. Dessa vez, tinha dois filhos, mais de uma década de experiência no setor financeiro e dinheiro próprio envolvido no negócio. A combinação aumentou o peso da decisão e a urgência para fazer a nova empresa dar certo.
“Empreender com 36 anos e dois filhos foi muito diferente de empreender aos 18 ou 20. O nível de responsabilidade era infinitamente maior”, diz Verônica Taquette.
Fundada em 2023, no Rio de Janeiro, a Maravi desenvolve sistemas para gestoras de fundos e de patrimônio. Em 2025, a receita da fintech cresceu 311% e chegou a R$ 11,8 milhões.
O resultado colocou a companhia na segunda posição da categoria de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões do ranking EXAME Negócios em Expansão 2026.
Foi o segundo ano consecutivo da Maravi entre os destaques do levantamento. Na edição anterior, a fintech ficou na segunda colocação entre as novatas, após elevar a receita de R$ 15.986,25, em 2023, para R$ 2,88 milhões em 2024.
Como a empreendedora chegou ao mercado financeiro
Formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Verônica criou uma fábrica de software após a graduação e participou de negócios voltados a diferentes setores.
A entrada no mercado financeiro ocorreu em 2013, quando era sócia da Inoa, desenvolvedora de sistemas da qual fez parte por 12 anos. A escolha combinava oportunidade comercial e interesse técnico.
Segundo a empreendedora, poucas pessoas reuniam conhecimento de tecnologia e domínio das regras do setor. Ao mesmo tempo, as instituições financeiras estavam dispostas a pagar por sistemas mais robustos.
“Em outros mercados, eu escutava que orçamento e prazo eram mais importantes e que a qualidade não precisava ser tão alta”, afirma. “No mercado financeiro, o cliente quer a melhor solução e está disposto a pagar por ela.”
Em 2023, uma cisão na Inoa deu origem à Maravi. O negócio começou com recursos dos fundadores e de seus familiares, sem uma rodada tradicional com fundos de venture capital.
“É o dinheiro da minha família e dos próprios sócios que está em jogo”, diz. “A gente abriu a empresa com a visão de que tinha de dar certo.”
O que faz a Maravi
Verônica Taquette, CEO da Maravi, vence prêmio do Negócios em Expansão 2026 (Eduardo Frazão /Exame)
Uma gestora precisa acompanhar os recursos aplicados pelos clientes, a rentabilidade das carteiras, os impostos e o desempenho dos ativos. Também deve cumprir regras da Comissão de Valores Mobiliários, do Banco Central, da Anbima e da Receita Federal.
A complexidade aumenta conforme a instituição cresce. Em muitos casos, cada fundo, carteira ou tipo de operação é controlado por um sistema diferente. “Fica um Frankenstein de sistemas bem ruim”, diz Verônica.
A Maravi reúne essas atividades em uma única plataforma, que acompanha operações no Brasil e no exterior, indicadores de risco e obrigações regulatórias.
A fintech atende 68 clientes, entre eles a gestora da Porto Seguro, a Monte Bravo e a Asa, ligada a Alberto Safra. Uma gestora média atendida pela empresa administra entre R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões. As maiores têm dezenas de bilhões de reais sob gestão.
Verônica afirma que o mercado brasileiro reúne cerca de 1.900 gestoras. As menores ainda podem controlar as operações em planilhas, mas tendem a procurar sistemas especializados à medida que crescem.
A Maravi acelerou a conquista de clientes porque trocar uma plataforma exige migrar dados, adaptar processos e treinar equipes. Depois que o sistema entra na operação, a substituição tende a ser cara e demorada.
“Precisávamos nos mover muito rápido. A ideia era entrar no maior número possível de gestoras antes que os concorrentes começassem a chegar mais perto", diz.
Como a Maravi organiza a equipe
A empresa não mantém uma separação rígida entre engenharia e produto. Os desenvolvedores acompanham todo o processo: entendem o problema do cliente, definem a solução, escrevem o código, testam e ajudam no suporte.
Além do conhecimento técnico, precisam aprender como funcionam os fundos e as regras do mercado financeiro.
“A capacidade de comunicação é um pré-requisito”, diz Verônica. “É raro encontrar um desenvolvedor que já conheça o mercado financeiro, então formamos muito internamente.”
A Maravi tem 53 pessoas, entre funcionários e sócios. Ao todo, são 15 sócios. Os principais desenvolvedores podem receber participação no negócio ao longo da trajetória na empresa.
A estrutura também facilitou a adoção da inteligência artificial. As ferramentas são utilizadas no desenvolvimento dos sistemas, no suporte aos clientes e na análise de dados da empresa e do mercado. “Para a gente, a inteligência artificial foi um grande botão turbo”, afirma.
Qual é o próximo passo da Maravi
Depois da expansão acelerada em 2025, a prioridade em 2026 é consolidar os clientes conquistados e garantir que a estrutura acompanhe o crescimento.
“O ano passado foi de crescimento absurdamente acelerado. Este está sendo o ano de garantir que o passo foi bem dado e que a gente não vai voltar para trás”, diz.
O próximo ciclo de expansão deve começar em 2027. A companhia pretende ampliar a atuação em gestão de patrimônio, segmento no qual já tem clientes, mas ainda enxerga espaço para oferecer mais produtos.
Fora da empresa, os filhos ajudam Verônica a colocar o trabalho em perspectiva. Antes da maternidade, ela afirma que sofria com ansiedade, insônia e dificuldade para se desconectar.
Hoje, procura mostrar às crianças que o trabalho não é uma fonte de culpa.
“Deixo muito claro que amo meu trabalho e que trabalho muito porque gosto do que faço”, diz. “Acredito que isso será uma referência legal para eles.”
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
