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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
05/08/2026
6 min

Aos 50 anos, C&A abrirá 'loja conceito' na Avenida Paulista, nova vitrine do varejo

Unidade será inaugurada com o conceito "Energia" e integra plano de crescimento da varejista, que fechou o 2º trimestre com lucro recorde, apesar de desaceleração das vendas

Aos 50 anos, C&A abrirá 'loja conceito' na Avenida Paulista, nova vitrine do varejo

Cinquenta anos depois de abrir sua primeira loja no Shopping Ibirapuera, na zona sul da cidade de São Paulo, a C&A (CEAB3) prepara um novo marco para sua história no Brasil. Desta vez, a companhia escolheu a Avenida Paulista, que vem sendo uma das vitrines mais disputada do varejo paulistano e por onde passam diariamente cerca de 1,5 milhão de pessoas, para simbolizar um novo ciclo de crescimento.

A inauguração da unidade, esperada para o fim de agosto ou o começo de setembro, coincide com as comemorações de meio século da marca no país e acontece justamente quando o setor se prepara para enfrentar um segundo semestre decisivo, marcado por juros ainda elevados, eleições presidenciais e as principais datas do calendário de consumo nacional.

Para a companhia, porém, o momento é menos sobre o cenário macroeconômico e mais sobre a execução de uma estratégia desenhada pelo menos quatro anos atrás.

Em entrevista à EXAME após divulgar um lucro recorde para um 2° trimestre, o CEO da C&A, Paulo Correa, afirmou que a empresa chega à reta final do ano apoiada em um plano que combina modernização das lojas, expansão da rede, crescimento do e-commerce e fortalecimento da marca — iniciativas que, segundo o executivo, devem sustentar os resultados independentemente das incertezas da economia.

"Nós sempre trabalhamos com um olhar de longo prazo. Evidentemente interpretamos o curto prazo, porque isso faz parte do varejo, mas estabelecemos uma estratégia muito clara de crescimento e de construção de valor. O cenário macro preocupa, mas não muda a direção da companhia", afirmou.

A expansão para a Avenida Paulista, na altura do número 1.374, próximo à estação Trianon/Masp do Metrô, é um dos principais movimentos desse plano.

Instalada em um dos endereços mais emblemáticos do país, onde grandes varejistas como Renner, Riachuelo, Decathlon, Torra eMagalu disputam consumidores diariamente, a unidade será inaugurada já no conceito "Energia", o modelo de loja desenvolvido pela varejista para aumentar fluxo, conversão e produtividade.

O conceito "Energia" foi testado na unidade do Shopping Center Norte, reinaugurada em agosto do ano passada. O espaço de 3,4 mil metros quadrados conta com integração digital, telas de LED, provadores equipados com totens num projeto assinado pelo escritório de arquiteura britânico Gensler.

Segundo Correa, os testes realizados indicaram aumento tanto do fluxo de clientes quanto da conversão em vendas. Neste momento, além das obras para inauguração da loja da C&A na Avenida Paulista, há ainda 20 lojas passando por reformas dentro do novo modelo e outras dez unidades a serem inauguradas no segundo semestre em cidades onde a C&A ainda não está presente.

"Essas 20 lojas reformadas devem contribuir positivamente para o nosso desempenho no fim do ano. Além disso, teremos dez novas lojas e um digital que vem crescendo muito nos últimos trimestres. Temos um arsenal bastante interessante de ações para o segundo semestre".

A loja da Paulista, porém, representa mais do que uma nova abertura no portfólio da companhia. Para Correa, o endereço escolhido carrega um "simbolismo especial" justamente por marcar um momento de celebração dos 50 anos da C&A no Brasil.

"Os 50 anos têm origem na nossa primeira loja do Shopping Ibirapuera e a Avenida Paulista sempre foi um desejo antigo. Surgiu a oportunidade de estar em um lugar icônico, de altíssima visibilidade, exatamente no momento em que celebramos essa história. É um lugar democrático, inclusivo, e isso tem absolutamente tudo a ver com a C&A", disse o CEO.

O momento escolhido para acelerar o plano coincide, porém, com um ambiente macroeconômico desafiador. Nesta quarta-feira, 5, o Banco Central deve promover um novo corte da Selic, levando a taxa para 14% ao ano, mas o mercado já trabalha com a perspectiva de que o ciclo de flexibilização monetária esteja próximo do fim.

No horizonte também estão as eleições presidenciais de outubro, tradicionalmente um fator de aumento da volatilidade para consumidores e empresas.

Mas o executivo da varejista afirma que a companhia não vê um risco adicional em relação ao ambiente já enfrentado nos últimos meses.

"Os juros já estão em um patamar muito elevado e esse impacto sobre a economia já vem sendo sentido há algum tempo. Não vejo nada de muito diferente pela frente nem um fator adicional que mude significativamente esse cenário".

C&A tem lucro recorde, mas Copa freia vendas

A confiança da administração vem na esteira de um segundo trimestre que, apesar dos obstáculos, terminou com lucro recorde para o período.

Entre abril e junho, aC&A registrou lucro líquido ajustado de R$ 130,1 milhões, alta de 4,3%, enquanto a receita líquida avançou 1,2%, para R$ 2,08 bilhões. O vestuário permaneceu como principal motor do desempenho, com crescimento de 5,6% nas vendas e margem bruta recorde de 59,1%.

Nem tudo, porém, evoluiu no mesmo ritmo. A Copa do Mundo reduziu o fluxo de consumidores nos shopping centers durante os jogos, desacelerando as vendas em mesmas lojas (SSS) e limitando um resultado que, na avaliação da companhia, poderia ter sido ainda melhor.

Outro ponto que chamou atenção foi a redução da geração de caixa. O fluxo de caixa livre ajustado caiu 65,6%, para R$ 63,6 milhões, refletindo um maior consumo de capital de giro após o reforço dos estoques para a coleção de inverno e a preparação da expansão da rede.

Segundo Correa, parte desse movimento decorre de uma comparação distorcida com 2025, quando a companhia encerrou a temporada de inverno com estoques excepcionalmente baixos e ainda possuía a operação de telefonia, cujo giro era mais acelerado.

"No ano passado, a base era muito baixa. Além disso, nos preparamos de forma mais robusta para o inverno deste ano e esperávamos um segundo trimestre mais forte. Talvez não tivéssemos dimensão do impacto que a Copa teria sobre o fluxo nas lojas. Ainda assim, acreditamos que existe espaço para otimizar os estoques ao longo dos próximos trimestres."

Enquanto isso, a estrutura financeira continuou melhorando. A dívida líquida caiu mais de 40% em um ano, reduzindo a alavancagem para apenas 0,2 vez o Ebitda.

Se há cinco décadas a C&A desembarcava no Shopping Ibirapuera apresentando ao consumidor brasileiro um novo conceito de loja de departamentos, agora a aposta é que a Avenida Paulista deixa de ser apenas um ponto comercial benquisto da companhia para se tornar a vitrine de uma estratégia que mira os próximos anos.

AutorClara Assunção
FonteExame
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