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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
28/05/2026
6 min

Aos cinco anos, startup que 'salva' comida com sacolas misteriosas vai faturar R$ 220 milhões

Aos cinco anos, startup que 'salva' comida com sacolas misteriosas vai faturar R$ 220 milhões

Durante anos, o desperdício de alimentos foi tratado pelo varejo brasileiro como um custo inevitável. Produtos próximos ao vencimento, itens fora do padrão estético ou excedentes de produção acabavam descartados automaticamente por supermercados, padarias e restaurantes. Foi em cima dessa perda silenciosa que a Food To Save construiu um negócio que agora projeta faturar R$ 220 milhões em 2026.

Criada em São Paulo há cinco anos, a startup passou a conectar estabelecimentos com excesso de estoque a consumidores dispostos a comprar alimentos com desconto por meio de “sacolas misteriosas”. O cliente sabe apenas de qual loja vem a sacola e se ela é doce, salgada ou mista. O restante é uma surpresa.

O modelo cresceu rápido. A empresa afirma já ter gerado cerca de R$ 80 milhões em receita incremental para parceiros do varejo alimentar, ao mesmo tempo em que resgatou 8,8 mil toneladas de alimentos que iriam para o lixo.

Hoje, a operação reúne mais de 12 mil parceiros, está presente em mais de 130 cidades e soma mais de 10 milhões de downloads do aplicativo.

Em 2025, a Food To Save faturou R$ 160 milhões. Para alcançar os R$ 220 milhões em 2026, a empresa aposta em expansão geográfica da operação, aumento da recorrência dos consumidores e implementação de inteligência artificial em processos internos.

“O desperdício deixou de ser visto apenas como perda operacional. O varejo começou a entender que existe uma oportunidade de eficiência ali”, afirma Lucas Infante, fundador e CEO da Food to Save.

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Como a Food to Save surgiu

A ideia da Food to Save surgiu quando Infante morava na Espanha e operava uma franquia do Carrefour Express, ainda antes da pandemia.

No dia a dia da loja, ele convivia com um problema recorrente: alimentos ainda próprios para consumo sendo descartados porque não seriam vendidos a tempo.

“Eu fazia promoção, doação, tentava reaproveitar o máximo possível, mas ainda sobrava muita coisa”, diz. “Aquilo me incomodava.”

A tentativa inicial era resolver um problema da própria operação. O empreendedor começou a pesquisar modelos usados em outros países e encontrou aplicativos europeus que vendiam produtos próximos do vencimento por preços reduzidos. Ao olhar para o Brasil, percebeu que não havia iniciativas estruturadas nesse mercado.

A Food To Save começou de forma improvisada, vendendo sacolas pelo Instagram durante a pandemia. Os pedidos eram feitos por direct, muitas vezes entre amigos e conhecidos. O aplicativo viria depois.

“O começo foi muito mais sobre validar se alguém toparia comprar e se os estabelecimentos topariam vender”, afirma.

A resposta veio rápido. Segundo a empresa, o número de sacolas vendidas saltou de 35 mil em um ano para quase meio milhão logo nos primeiros ciclos de crescimento.

O negócio cresce junto com o aperto no bolso

Quanto maior o volume de alimentos resgatados, maior a receita da Food to Save. A empresa ganha uma comissão sobre cada sacola vendida na plataforma.

O modelo acabou encontrando espaço em um momento de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. Com descontos que podem chegar a 70%, as sacolas atraem consumidores interessados em economizar — mesmo sem saber exatamente o que vão receber.

“Tem quem entre pelo preço, tem quem entre pela questão ambiental. Muitas vezes, os dois motivos caminham juntos”, diz Infante.

Do lado do varejo, o aplicativo também passou a funcionar como ferramenta de eficiência operacional. Segundo a startup, entre 70% e 90% dos produtos elegíveis ao descarte dos parceiros são redirecionados para venda via plataforma.

A adesão de grandes marcas ajudou a acelerar a expansão. Hoje, a base inclui empresas como Cacau Show, GPA, Rei do Mate, St. Marche e Zé Delivery.

Como a empresa está usando IA para crescer

Nos últimos meses, a Food To Save passou a investir mais fortemente em inteligência artificial para tentar deixar a operação menos dependente de tentativa e erro.

A tecnologia já é usada para analisar padrões de consumo, prever excedentes dos parceiros, melhorar campanhas de marketing e interpretar dados de atendimento ao cliente.

A empresa também desenvolveu internamente uma ferramenta própria para mapear potenciais clientes e acompanhar a produtividade do time comercial.

“A gente começou a usar IA primeiro em áreas práticas, onde ela realmente gerava ganho de eficiência”, afirma Infante.

A expectativa da startup é transformar o aplicativo em um hábito recorrente de compra, aproximando o modelo de um marketplace alimentar mais previsível.

Quais serão os próximos passos da Food to Save

Embora já esteja em 14 estados, a expansão da Food To Save ainda está concentrada nas regiões onde a operação ganhou mais tração, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.

Agora, a estratégia passa menos por abrir novas capitais e mais por ganhar densidade em cidades médias e no interior dos estados onde a marca já opera.

“O Brasil é muito diferente de região para região. A gente aprendeu que precisa crescer entendendo o comportamento local”, diz o CEO.

A empresa tem 95 funcionários e voltou recentemente ao modelo presencial na sede, localizada na zona oeste de São Paulo. Mesmo com planos futuros de expansão internacional, o foco segue no mercado brasileiro — onde a startup acredita que o desperdício de alimentos ainda é tratado de forma pouco eficiente pelo varejo.

“Há cinco anos, muita gente olhava para isso como um problema sem solução”, afirma Infante. “Hoje já existe um mercado sendo construído em cima dessa ineficiência.”

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024. A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.

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São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros. Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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