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Sacre Investimentos
Mundo
10/06/2026
4 min

Apenas 11% dos europeus veem os EUA como aliado, diz pesquisa

Apenas 11% dos europeus veem os EUA como aliado, diz pesquisa

A confiança europeia nos Estados Unidos nunca esteve tão baixa. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 10, pelo think tank Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) mostra que apenas 11% dos cidadãos de 15 países europeus ainda enxergam Washington como um aliado que "compartilha nossos interesses e valores".

O número representa uma queda expressiva em relação aos 22% registrados em novembro de 2024. Em todos os países consultados, a maioria da população duvida que os EUA partiriam em sua defesa em caso de ataque.

O levantamento, realizado em maio com participantes da Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Países Baixos, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido, foi publicado às vésperas de cúpulas do G7 e da Otan previstas para as próximas semanas na França e na Turquia. Para os autores do estudo, os dados revelam "profunda desconfiança europeia nos EUA".

'Parceiro necessário'

A visão predominante entre os entrevistados é a de que os EUA são hoje um "parceiro necessário", mas não necessariamente um aliado. Cerca de 15% dos europeus chegam a classificar Washington como rival, e 12% como adversário direto.

A deterioração da imagem americana é atribuída, no relatório, a uma série de movimentos do presidente Donald Trump, como a postura agressiva no Oriente Médio, as ameaças ao controle da Groenlândia, a promessa de retirar tropas de bases europeias e o ceticismo em relação ao futuro da Otan.

Alianças europeias

Diante disso, os europeus demonstram crescente disposição para reduzir a dependência militar de Washington. Em quase todos os países pesquisados, a maioria dos respondentes defende que seus países comprem menos equipamentos militares americanos e priorizem fornecedores europeus.

O apoio à chamada "compra europeia" foi mais alto na Dinamarca (75%), Países Baixos (72%) e Suécia (70%). Em média, os europeus apoiam em 4 pontos percentuais a mais o aumento dos gastos nacionais com defesa em relação ao ano passado — com a Itália como único país onde a maioria ainda se opõe à ideia.

"Em todo o continente, há apoio claro à redução da dependência de Washington", disse Jana Kobzová, co-autora do estudo e pesquisadora sênior do ECFR ao The Guardian. "Os europeus estão cada vez mais abertos a maiores gastos com defesa e demonstram um grau notável de confiança de que países vizinhos viriam em seu auxílio em uma crise."

Essa confiança mútua entre europeus contrasta com a descrença nos EUA. Exceto na Bulgária, a maioria dos entrevistados, inclusive em países com grandes partidos de extrema-direita, como França, Itália, Países Baixos e Suécia, acredita que "ao menos alguns países europeus" os ajudariam se fossem atacados.

O co-autor Paweł Zerka afirma que a demanda pública por maior autonomia estratégica "criou uma janela para que os líderes europeus avancem mais rápido e com mais determinação" na área de segurança.

Dos entrevistados, 47% apoiam a ideia de empréstimos coletivos da União Europeia para financiar os gastos com defesa, ante 35% contrários. O apoio é mais forte em Portugal (59%), Dinamarca (56%) e Países Baixos (55%).

Há, contudo, resistência significativa a cortes no gasto público doméstico para bancar o rearmamento, com oposição majoritária na Itália (63%), Áustria (59%), Alemanha (56%), Espanha (54%) e Dinamarca (52%). Apenas 29% dos europeus querem substituir a Otan por uma estrutura de defesa exclusivamente europeia.

Trump, Rússia e Ucrânia

A maioria dos entrevistados ainda aposta que as relações com Washington devem melhorar após o fim do mandato de Trump, opinião compartilhada por 60% ou mais dos franceses, espanhóis, dinamarqueses, holandeses e suecos.

Apesar disso, 44% disseram que retomar as importações de petróleo e gás da Rússia seria uma ideia "ruim" ou "muito ruim", mesmo com a pressão do aumento dos custos de energia.

A adesão da Ucrânia à UE continua a dividir a opinião pública europeia. Em países como Hungria, Bulgária, Áustria, Alemanha e até a Estônia, uma das maiores apoiadoras de Kiev, os entrevistados foram mais propensos a se opor à entrada do país "no contexto atual" do que a apoiá-la.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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