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Sacre Investimentos
InvestMercados
02/06/2026
3 min

Apenas 20 ações sustentam recorde do S&P 500 nos EUA em maio

Apenas 20 ações sustentam recorde do S&P 500 nos EUA em maio

O S&P 500 encerrou maio em máxima histórica, mas os recordes de Wall Street estão sendo sustentados por um grupo cada vez menor de empresas. No último pregão do mês, apenas 20 ações do índice renovaram suas máximas, um sinal de que a disparada está concentrada em poucos nomes ligados principalmente à inteligência artificial.

Na sexta-feira, 29, do total de companhias do índice que atingiram novas máximas históricas apenas sete não tinham ligação direta com a IA, segundo informações consultadas pela CNBC.

A falta de participação mais ampla do restante das empresas começou a preocupar estrategistas. Embora os principais índices continuem avançando, indicadores que medem a chamada amplitude de mercado mostram que uma parcela crescente das ações ficou para trás no rali que marcou os últimos meses.

O fenômeno não passa despercebido porque lembra um episódio conhecido pelos investidores. O estrategista do Bank of America (BofA), Michael Hartnett, destacou que exatamente 20 ações também atingiram novas máximas em março de 2000, quando a bolha das empresas de internet se aproximava do seu ápice.

A comparação não significa que uma correção seja iminente, mas reforça a percepção de que a valorização atual depende cada vez mais de um grupo restrito de vencedoras.

Semicondutores lideram o rali

A concentração ficou evidente no setor de semicondutores. Empresas responsáveis pela produção de chips e memórias para aplicações de IA lideraram os ganhos do mercado.

As ações da AMD acumularam alta de 46% em maio, enquanto a Micron avançou 88%. Na Ásia, a Samsung subiu 44% e a SK Hynix registrou valorização de 81% no período.

O desempenho dessas companhias ajudou a impulsionar o Nasdaq Composite, índice fortemente concentrado em tecnologia, que avançou 25% entre abril e maio. Trata-se do melhor resultado para um período de dois meses em mais de 20 anos.

A concentração da alta também aparece nos indicadores de amplitude. As linhas de avanço-declínio, usadas para medir quantas ações participam efetivamente do movimento de valorização, vêm perdendo força desde meados de abril após atingirem um pico no fim de março, um sinal de alerta para a sustentabilidade do rali.

Algo que o analista da Oppenheimer, Ari Wald, ressalta: "os indicadores internos estão defasados ​​desde a alta inicial de abril".

Os sinais de alerta por trás dos recordes

Os sinais de concentração também aparecem em outros indicadores. Dados da BCA Research mostram que cerca de 55% das empresas do S&P 500 negociavam acima de suas médias móveis de 200 dias em 20 de maio.

"Embora os índices de ações dos Estados Unidos e (de mercados emergentes) tenham atingido novas máximas, seus avanços foram extremamente limitados", de acordo com o estrategista da BCA Arthur Budaghyan.

Na avaliação da consultoria, quando os índices avançam para recordes sem o apoio de uma parcela mais ampla das ações, o mercado tende a ficar mais vulnerável a correções.

"A baixa amplitude de mercado costuma ser um sinal de vulnerabilidade subjacente do mercado de ações."Arthur Budaghyan, estrategista da BCA Research

Hartnett avalia que investidores devem começar a considerar posições mais defensivas, com a compra de títulos ou de ações e setores menos expostos.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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