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31/07/2026
3 min

Aplicativo da Motorola vai preservar idioma indígena que pode desaparecer

Desenvolvida com a Lenovo Foundation e representantes da comunidade Rainy Lake Ojibwe, a ferramenta reúne relatos, referências geográficas e conhecimentos tradicionais

Aplicativo da Motorola vai preservar idioma indígena que pode desaparecer

A Motorola anunciou uma nova etapa de sua iniciativa global voltada à inclusão digital de idiomas indígenas.

A empresa lançou o Indigenous Collections, aplicativo desenvolvido em parceria com a Lenovo Foundation e a comunidade Rainy Lake Ojibwe para reunir histórias, conhecimentos tradicionais, marcos geográficos e registros familiares ligados ao idioma Ojibwe.

A plataforma será disponibilizada gratuitamente na Google Play Store para dispositivos Android.

Segundo as informações divulgadas pela empresa, o objetivo é criar um acervo digital capaz de preservar não apenas palavras e traduções, mas também os significados, os ensinamentos e os contextos culturais associados às narrativas da comunidade.

Falado por cerca de 50 mil pessoas em regiões dos Estados Unidos e do Canadá, o Ojibwe é considerado um idioma em risco de extinção.

O aplicativo busca apoiar a transmissão cultural entre gerações ao registrar histórias tradicionais e relatos pessoais em formato digital.

Cultura indígena

O projeto foi desenvolvido ao longo de um ano com a participação do professor de Ojibwe Jason Jones, do pesquisador e professor Anton Treuer, da Bemidji State University, além de anciãos e representantes da comunidade Rainy Lake Ojibwe.

O trabalho incluiu etapas de registro, transcrição e tradução dos conteúdos incorporados à plataforma.

A proposta do Indigenous Collections amplia a atuação da Motorola na digitalização de idiomas indígenas. A iniciativa começou em 2021, quando a empresa passou a oferecer suporte ao Nheengatu, língua indígena da Amazônia, na interface de seus smartphones.

Desde então, o projeto passou a incluir Kaingang, Cherokee, Māori, Kangri, Kuvi, Ladino e Zapoteco. As ações envolvem interfaces traduzidas, teclados e outros recursos digitais desenvolvidos com a participação das comunidades.

De acordo com os dados apresentados pela companhia, quase dois milhões de palavras de idiomas indígenas e de minorias linguísticas já foram disponibilizadas em formato digital aberto. O material pode ser usado por comunidades, pesquisadores e organizações.

Para Juliana Rebelatto, diretora global de Globalization da Motorola, a iniciativa busca ampliar a participação de comunidades indígenas no desenvolvimento de tecnologias.

"Ao apoiar iniciativas como o Indigenous Collections, ajudamos a garantir que a inovação seja inclusiva, significativa e representativa de diferentes vozes. Na Motorola, seguimos evoluindo esse compromisso à medida que ouvimos, aprendemos e desenvolvemos tecnologias capazes de gerar impacto positivo para todos", afirmou.

Preservação das línguas indígenas

A iniciativa está alinhada à Década Internacional das Línguas Indígenas, período de 2022 a 2032 promovido pela UNESCO para ampliar ações de preservação, revitalização e transmissão desses idiomas.

Com o novo aplicativo, a estratégia passa a incorporar um acervo cultural mais amplo. Em vez de se limitar à tradução de interfaces e à adaptação de teclados, a plataforma reúne narrativas, referências territoriais e conhecimentos que ajudam a contextualizar o uso da língua.

A participação direta de professores, pesquisadores e membros da comunidade também tenta responder a um dos principais desafios do projeto: evitar que a digitalização retire o idioma de seu contexto cultural ou transforme a preservação linguística em uma iniciativa conduzida apenas por empresas de tecnologia.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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