Aplicativo de relacionamento gay fatura mais por funcionário que Apple, Meta e Google
Grindr fica atrás apenas da Nvidia em receita por funcionário entre big techs

Um aplicativo de relacionamento voltado ao público LGBTQIAPN+ acaba de entrar em uma comparação improvável. Segundo um levantamento da plataforma de dados Multiples, o Grindr gera mais receita por funcionário do que praticamente todas as gigantes de tecnologia, ficando atrás apenas da Nvidia.
A plataforma global de dados financeiros Multiples dividiu a receita anual de cada empresa pelo número de funcionários e descobriu que, para cada pessoa contratada pela Grindr, o app fatura US$ 3 milhões por ano. É mais do que Meta e Apple, que geram US$ 2,5 milhões por funcionário cada uma.
Também é mais do que a Alphabet, dona da Google, com US$ 2,1 milhões, e mais que a Microsoft, com US$ 1,5 milhão. Tesla e Amazon aparecem bem atrás, com US$ 704 mil e US$ 455 mil por funcionário. Só a Nvidia fica à frente, com US$ 5,1 milhões, puxada pela corrida por inteligência artificial (IA).
O detalhe que chama atenção é o tamanho da equipe, já que, enquanto Amazon e Microsoft empregam centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo, o Grindr opera com cerca de 200 funcionários.
Grindr: empresa opera com cerca de 200 funcionários e vale US$ 2,7 bilhões (Reprodução/Multiples)
Até o CEO da empresa entrou na conversa. George Arison comentou a publicação original, feita no LinkedIn pela página da Multiples, e prometeu que o resultado pode melhorar ainda mais. "E estamos longe de terminar!", escreveu.
Uma empresa pequena e rentável
Os números mais recentes divulgados pela própria empresa ajudam a entender por que o Grindr virou assunto. No balanço do segundo trimestre, publicado em agosto, a companhia reportou receita de US$ 138 milhões, um salto de 33% em relação a igual período do ano anterior.
O lucro líquido somou US$ 18 milhões, equivalente a uma margem de 13%, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado chegou a US$ 58 milhões, com margem de 42%.
O Grindr, inclusive, revisou para cima sua projeção para o ano inteiro. A expectativa agora é fechar 2026 com receita de US$ 540 milhões e Ebitda ajustado de cerca de US$ 232 milhões, patamares acima do que a empresa vinha sinalizando ao mercado.
Arison atribuiu o desempenho ao engajamento dos usuários e a uma resposta melhor do que o esperado às novidades incorporadas ao aplicativo. Ele também citou a transformação do Grindr em uma organização voltada para IA, o que segundo ele estaria liberando ganhos de eficiência e permitindo acelerar o lançamento de novos produtos.
O CEO ainda destacou uma parceria com a cantora Madonna fechada no trimestre como prova do que chamou de força cultural e comercial da marca.
Na bolsa americana, onde a empresa estreou em 2022 sob o código GRND, as ações valem hoje US$ 15,53, dando ao Grindr um valor de mercado de US$ 2,7 bilhões. A ação subiu 32,62% nos últimos três meses, embora ainda tenha um crescimento moderado ao longo dos últimos 12 meses, de 1,57%.
A piada que viralizou nas redes
O ranking que coloca o Grindr em posição privilegiada também rendeu comentários cheios de ironia nas redes sociais. Um post do geógrafo alemão Simon Kuestenmacher no X resumiu o estranhamento generalizado. A publicação passou de 149 mil visualizações e mais de 2,3 mil curtidas.
"Este gráfico me fez rir. O Grindr gera mais receita por funcionário do que quase qualquer outra empresa de tecnologia de grande porte. Vender carros elétricos, entregar qualquer produto na sua porta, oferecer serviços de e-mail, vender o MS Office, fabricar iPhones — tudo isso é menos lucrativo do que ajudar homens gays a marcar encontros", disse em tom divertido.
Nos comentários, porém, muita gente questionou se o número conta a história toda. Alguns usuários apontaram que o app é conhecido por bombardear usuários gratuitos com anúncios a cada poucos segundos, o que ajudaria a empurrar as pessoas para a assinatura paga.
Outros estranharam que apps concorrentes, como o Tinder, sequer aparecem na lista, o que tornaria a comparação um tanto injusta. Teve também quem lembrasse que receita não é a mesma coisa que lucro por funcionário, brincando que, nesse quesito, o resultado da Grindr pode não ser tão bonito assim.
E não faltou quem colocasse a régua no valor cobrado pela assinatura premium do aplicativo, hoje na casa dos US$ 45 por mês, como possível explicação para o desempenho chamar tanta atenção.
