Após 1º turno, gestores já enxergam Ibovespa aos 220 mil pontos no fim de 2026, mostra BofA
O otimismo dos gestores com o mercado brasileiro ganhou força após o primeiro turno das eleições, segundo a pesquisa mensal do Bank of America (BofA) com investidores da América Latina. De acordo com o levantamento, 85% dos entrevistados esperam que o Ibovespa (IBOV) encerre 2026 acima dos 200 mil pontos, uma forte alta em relação […]

O otimismo dos gestores com o mercado brasileiro ganhou força após o primeiro turno das eleições, segundo a pesquisa mensal do Bank of America (BofA) com investidores da América Latina.
De acordo com o levantamento, 85% dos entrevistados esperam que o Ibovespa (IBOV) encerre 2026 acima dos 200 mil pontos, uma forte alta em relação aos 46% registrados na sondagem anterior. Além disso, 41% já projetam o índice acima dos 220 mil pontos até o fim do ano, contra apenas 10% no mês passado.
O avanço da confiança também se reflete no posicionamento dos investidores. Mais da metade dos gestores afirmou que aumentaria a exposição à bolsa brasileira nos níveis atuais, antes mesmo do segundo turno das eleições, sinalizando uma percepção mais construtiva para os ativos domésticos.
Apesar da melhora do sentimento, o cenário cambial segue relativamente estável. A maior parte dos participantes ainda acredita que o dólar encerrará 2026 na faixa entre R$ 4,81 e R$ 5,10.
Gestores reduzem caixa e aumentam apetite por risco
A pesquisa mostra que os investidores estão assumindo mais risco. Os níveis médios de caixa dos fundos recuaram para 4,4%, abaixo da média histórica de 5,5% e no menor patamar desde fevereiro de 2025. Segundo o BofA, a tomada de risco alcançou o nível mais elevado desde fevereiro de 2026.
Nesse contexto, a estratégia preferida dos gestores passou a ser a de ações de alto beta, ou seja, papéis que costumam apresentar oscilações mais intensas que o mercado e tendem a se beneficiar em momentos de maior apetite por risco.
Consumo discricionário ganha destaque
O segmento de consumo discricionário passou de um dos menos favorecidos para o grupo considerado mais atrativo pelos investidores. O setor aparece ao lado de utilities e financeiras entre aqueles vistos como mais descontados e com maior potencial de valorização.
Já na avaliação relativa dos setores, os gestores apontaram materiais básicos como o segmento mais sobrevalorizado atualmente.
A mudança sugere que os investidores estão aumentando a exposição a empresas mais ligadas à atividade doméstica, em linha com a expectativa de continuidade da queda dos juros no Brasil.
Selic deve continuar caindo
Segundo a pesquisa do BofA, 85% dos gestores esperam ao menos mais um corte da Selic neste ano, enquanto 54% acreditam que o Banco Central (BC) continuará reduzindo os juros para além disso.
Na avaliação dos entrevistados, uma inflação mais comportada e uma melhora do ambiente político são os principais fatores que poderiam sustentar um ciclo mais profundo de afrouxamento monetário.
Por outro lado, o principal risco para os mercados latino-americanos continua vindo do exterior. Assim como nas pesquisas anteriores, os gestores apontaram os juros elevados nos Estados Unidos como a maior ameaça para a região.
Argentina melhora e Chile segue favorito entre os andinos
Fora do Brasil, o sentimento também apresentou mudanças. Na Argentina, 41% dos investidores acreditam que os preços dos ativos vão melhorar nos próximos seis meses, ante 27% na pesquisa anterior, indicando uma visão mais positiva para o país.
Já entre os mercados andinos, o Chile continua sendo apontado como o país com maior potencial de desempenho relativo. Para os gestores, uma alta mais forte dos preços do cobre permanece como o principal risco para a região.
