Após 22 anos de CLT, ele deixou o emprego para abrir uma franquia e hoje fatura R$12 milhões
Depois de mais de duas décadas no setor de vestuário, Afonso Calcagni Jr. deixou a carreira para empreender. Hoje, comanda cinco restaurantes e uma equipe de 75 funcionários

RESUMO +
Após 22 anos como funcionário do setor de vestuário, Afonso Calcagni Jr. deixou a carreira para investir em franquias de alimentação e, hoje, administra cinco restaurantes. As quatro unidades da rede de churrasco Billy The Grill e a unidade da espetaria Vizinhando faturam juntas cerca de R$ 12 milhões por ano e empregam 75 pessoas.
Durante 22 anos, Afonso Calcagni Jr. trabalhou na mesma empresa do setor de vestuário. Entrou em 1994, construiu uma carreira, ganhou experiência em gestão e tinha a estabilidade de quem conhecia bem o negócio em que trabalhava.
A mudança começou longe dos restaurantes. Interessado pelo modelo de franquias, Afonso decidiu fazer uma pós-graduação em Gestão de Franquias. Foi durante o curso que conheceu Luiz Felipe, um dos fundadores do Grupo Alento, dono de marcas como Billy The Grill e Vizinhando.
O contato colocou uma possibilidade concreta na mesa: deixar de administrar o negócio dos outros para operar o próprio. Afonso decidiu apostar no franchising e encerrou uma trajetória profissional de mais de duas décadas para entrar no setor de alimentação.
A mudança também alteraria a rotina da família. A esposa passou a ter papel direto na operação dos restaurantes e, anos depois, Afonso resume a importância dessa divisão de tarefas em uma frase: “Se não fosse a minha esposa, eu não teria cinco lojas”, afirma.
Hoje, Afonso está à frente de cinco operações, quatro do Billy The Grill e uma do Vizinhando. Juntas, elas faturam aproximadamente R$ 12 milhões por ano e empregam 75 pessoas.
De uma loja para cinco restaurantes
O Billy The Grill nasceu no Rio de Janeiro com uma proposta centrada no churrasco servido na pedra. Um dos produtos que ajudaram a diferenciar o negócio foi a refeição compartilhada, formato menos comum em praças de alimentação, onde pratos individuais, pizzas e lanches costumam dominar o cardápio.
Foi nesse modelo que Afonso concentrou sua expansão. O crescimento, porém, exigiu uma mudança de papel. Depois de passar 22 anos dentro de uma estrutura corporativa, ele passou a lidar diretamente com funcionários, custos, escala de trabalho e a rotina diária dos restaurantes.
Hoje, as cinco unidades possuem sócios investidores. Afonso e a esposa ficam responsáveis pela administração e pelo acompanhamento das operações.
A divisão de tarefas se tornou especialmente importante conforme o número de funcionários cresceu. Se uma única operação já exige presença constante, cinco restaurantes colocaram sob a gestão do casal uma equipe de 75 pessoas.
Por que continuar apostando em franquias
Administrar um restaurante envolve uma lista extensa de tarefas que vai além de preparar e vender comida. Contratação, questões trabalhistas, contabilidade, fornecedores, estoque e controle de custos fazem parte da rotina. Para Afonso, é justamente nesse ponto que o modelo de franquias ganha peso.
Ao operar dentro de uma rede, parte dos processos já chega estruturada. Nas áreas trabalhista e contábil, por exemplo, ele utiliza profissionais indicados pela franqueadora. "O suporte reduz algumas decisões que teria de tomar sozinho caso tivesse criado uma marca do zero", diz.
Isso não elimina o trabalho do franqueado. Afonso concentra boa parte da sua rotina na operação das unidades, acompanhando funcionários e o desempenho dos restaurantes.
A experiência também mudou sua percepção sobre o que significa montar um negócio próprio. Criar uma marca do zero exigiria desenvolver produto, posicionamento, fornecedores, processos e uma estrutura de suporte que, no franchising, já existe.
Uma segunda marca no portfólio
Depois do Billy The Grill, Afonso também passou a operar o Vizinhando, outra marca do Grupo Alento.
O conceito nasceu a partir de uma viagem de férias a Porto de Galinhas, em Pernambuco. A inspiração veio de uma combinação simples: espetos e bebidas. A ideia foi levada ao Rio de Janeiro e deu origem a uma espetaria que, com o tempo, ganhou estrutura de restaurante.
Hoje, a rede possui seis unidades. Para o multifranqueado, porém, operar o Vizinhando exige uma dinâmica diferente daquela encontrada em uma praça de alimentação. O restaurante trabalha com salão, garçons e atendimento à mesa, o que aumenta a necessidade de acompanhamento presencial.
A diversificação permitiu a Afonso operar dois formatos de alimentação, mas também aumentou a complexidade da gestão.
Nem todas as lojas deram certo
A expansão não aconteceu em linha reta. O empresário havia concentrado sua operação em restaurantes. Na pandemia, o fechamento de shoppings e as restrições ao atendimento presencial atingiram o negócio.
Afonso chegou ao período com cinco lojas e precisou atravessar a interrupção de uma atividade que depende de circulação de consumidores.
O episódio expôs um dos riscos da expansão no setor de alimentação: quanto maior a estrutura, maior também o número de funcionários, contratos e custos que precisam ser administrados quando as vendas caem.
Superada a fase mais crítica, a operação voltou a crescer e chegou à configuração atual de cinco restaurantes.
De funcionário a operador de cinco lojas
A mudança de carreira colocou Afonso do outro lado de uma estrutura que conheceu durante mais de duas décadas como funcionário.
Hoje, além de acompanhar vendas e custos, ele precisa administrar uma equipe de 75 pessoas e dividir a atenção entre cinco operações. A esposa assumiu parte importante desse trabalho, especialmente no acompanhamento dos funcionários e da rotina das lojas.
O faturamento anual de aproximadamente R$ 12 milhões mostra o tamanho alcançado pelo negócio, mas a trajetória também trouxe fechamentos, problemas operacionais e a pandemia.
Mais de uma década depois de entrar no franchising, Afonso continua apostando no modelo. A diferença é que a estabilidade dos 22 anos de emprego deu lugar a uma rotina em que o desempenho de cinco restaurantes depende diretamente das decisões tomadas por ele e pelos sócios.
