Após 23 anos com os fundadores, empresa de R$ 100 milhões se reorganiza para dobrar de tamanho
Finnet reforça time executivo e aposta em novos clientes, IA, Open Finance e crédito para sustentar o próximo ciclo de expansão

A Finnet está colocando novas peças no comando para tentar cumprir uma meta ambiciosa: dobrar de tamanho nos próximos três anos. Poucos meses depois de trocar o CEO e levar os fundadores para o conselho de administração, a empresa brasileira de infraestrutura financeira contratou Renata Marini para liderar o Marketing e Lívia Secassi para comandar uma área recém-criada de Governança, Riscos e Compliance (GRC).
As duas chegam em meio a uma reorganização mais ampla. Nos últimos meses, Leo Monte assumiu como CEO, Marcelo Presente como COO e Emerson Faria como CFO. Até o ano passado, a operação era comandada diretamente pelos fundadores Marcos Bonfá e Yoshimiti Matsusaki, que agora permanecem no conselho.
A mudança de gestão acompanha os planos de expansão de uma companhia criada em 2003 para fazer a ponte entre os sistemas financeiros das empresas e os bancos. Hoje, a Finnet integra sua infraestrutura a mais de 120 instituições financeiras e conecta mais de 3 milhões de CNPJs.
Pela sua plataforma já passaram mais de R$ 2,1 trilhões em transações financeiras.Em 2025, a companhia faturou R$ 100 milhões. Agora, a meta é dobrar a receita nos próximos três anos, apoiada em frentes como inteligência artificial, Open Finance, crédito e duplicata escritural.
“Esse objetivo de dobrar a receita nos próximos três anos realmente tem que ser sustentado por uma estrutura organizacional mais robusta e preparada para essa nova etapa”, diz Marini.
De mil clientes para um mercado de 213 mil empresas
A estratégia para crescer passa por duas frentes. A primeira é conquistar novos clientes. A segunda é vender mais produtos para quem já está dentro de casa.
Segundo Marini, 80% dos clientes da Finnet utilizam apenas um dos produtos oferecidos pela companhia. A empresa tem atualmente mais de mil clientes, embora sua infraestrutura alcance milhões de CNPJs quando são consideradas as empresas pertencentes aos grupos atendidos.
A Finnet enxerga espaço para crescer sobretudo entre empresas que utilizam sistemas de gestão empresarial, os ERPs. Segundo a companhia, existem no Brasil mais de 213 mil CNPJs com faturamento superior a R$ 50 milhões, faixa que considera como seu mercado potencial.
“São duas frentes: expansão e cross-sell. Hoje, 80% da nossa base tem só um produto dos que a Finnet pode oferecer”, afirma Marini. “Temos uma base de mil clientes e existem mais de 213 mil CNPJs no Brasil que faturam acima de R$ 50 milhões. É nesse potencial que estamos mirando.”
A companhia atua principalmente nos bastidores das áreas financeiras. Sua tecnologia integra sistemas como SAP, Totvs e Oracle aos bancos e automatiza tarefas de contas a pagar e receber, conciliação, cobrança, pagamentos e crédito.
IA para encontrar um comprovante em segundos
Parte da aposta para ampliar a receita está no desenvolvimento de novos serviços. A empresa pretende avançar em Open Finance, duplicata escritural, crédito e inteligência artificial.
Um exemplo é uma nova funcionalidade do Bank Manager, principal plataforma da Finnet. Com IA, o sistema permite procurar comprovantes de pagamentos antigos e localizar em segundos documentos armazenados referentes a um período de até cinco anos. A companhia pretende incorporar novas funcionalidades de inteligência artificial ao produto.
A aposta aproveita uma infraestrutura construída ao longo de mais de duas décadas. A Finnet nasceu como uma empresa de conectividade bancária e gradualmente passou a atuar também em gestão de caixa, pagamentos, recebimentos e crédito.
Agora, Marini diz que o marketing também terá uma função diretamente ligada à expansão. “O objetivo da minha chegada é colocar o marketing como uma área estratégica para ampliar o posicionamento da marca. É um parceiro e um braço de geração de negócios”, afirma.
Governança para sustentar o crescimento
A reorganização também criou uma área que até então não existia de maneira centralizada na Finnet. Lívia Secassi assumiu a nova estrutura de Governança, Riscos e Compliance, responsável por reunir processos que estavam distribuídos pela organização.
A mudança ganha peso à medida que a companhia amplia a atuação em serviços financeiros e administra uma infraestrutura por onde circulam dados e transações de grandes empresas.
“A ideia é que riscos, compliance e controles não fiquem só na camada corporativa. Eles precisam fazer parte do negócio, da estratégia e de toda a operação”, diz Secassi. Segundo a executiva, centralizar essas funções deverá ajudar a liderança a tomar decisões considerando os riscos envolvidos na expansão.
A estrutura reforçada marca uma mudança importante na trajetória da Finnet. Criada há 23 anos e conduzida pelos fundadores durante praticamente todo esse período, a companhia passou neste ano a ter executivos de mercado no comando da operação.
A empresa, que faz parte do ranking Negócios em Expansão 2026, da EXAME, tenta agora usar essa nova estrutura para avançar sobre um mercado muito maior do que sua atual carteira. Para chegar à meta de dobrar a receita, terá de fazer duas coisas ao mesmo tempo: conquistar uma parcela maior das milhares de empresas que identifica como clientes potenciais e convencer quem já utiliza sua infraestrutura a contratar mais serviços.
