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NegóciosMPOL
02/10/2026
6 min

Após alcançar R$ 32 milhões, faculdade gaúcha com hotel e águas termais mira expansão nacional

Com 18 anos de atuação no RS, a Antonio Meneghetti Faculdade chega a São Paulo com educação executiva e planos de expansão nacional

Após alcançar R$ 32 milhões, faculdade gaúcha com hotel e águas termais mira expansão nacional

A Antonio Meneghetti Faculdade (AMF) passou os últimos 18 anos construindo um modelo que combina educação, moradia estudantil, turismo, inovação e desenvolvimento econômico em Recanto Maestro, no Rio Grande do Sul. Agora, a instituição começa a levar essa operação para fora de seu estado de origem.

Com oito cursos de graduação, programas de especialização e iniciativas voltadas a empresas e inovação, a AMF mantém um ecossistema que também inclui uma estrutura hoteleira, águas termais e moradias para estudantes.

A expansão ganhou um novo capítulo em 2026, com a chegada da instituição a São Paulo. A capital paulista é o primeiro movimento mais claro de uma estratégia que pretende ampliar a presença da AMF em outros estados.

A primeira frente levada para São Paulo é a formação de líderes e empresários. O Alta Formação Empresarial Novos Líderes, programa oferecido pela AMF desde 2015, chegou à capital com uma turma de 25 participantes. A educação executiva cresceu 82% desde 2021 e já representa mais de 20% do faturamento da instituição em 2026.

“É uma formação que começa na pessoa para, a partir dela, ampliar para a equipe, os clientes e os fornecedores. A gente acredita muito que a pessoa precisa se conhecer para conseguir fazer melhor dentro da organização”, afirma Any Rothmann, diretora executiva da AMF Faculdade.

A AMF projeta faturamento de R$ 32,2 milhões em 2026. A expansão geográfica e o crescimento da formação executiva fazem parte dessa estratégia.

Educação executiva chega a São Paulo

O AFE Novos Líderes foi criado para empresários, executivos e profissionais que ocupam ou se preparam para assumir posições de liderança. A primeira turma em São Paulo teve 25 participantes. O limite adotado pela instituição é de 30 pessoas por turma.

A chegada à capital foi precedida por uma demanda que a AMF já identificava entre profissionais paulistas. Desde 2023, 117 alunos de São Paulo passaram pelos cursos de educação executiva da instituição.

“Fomos vendo que essa demanda já estava existindo e decidimos começar a trabalhar nessa frente para expandir ela, ampliar e levar para esse mercado de São Paulo e Santa Catarina”, afirma Patrícia Wazlawick, diretora administrativa da Antonio Meneghetti Faculdade (AMF).

O curso dura três meses e combina formação técnica, desenvolvimento pessoal e aplicação prática. A proposta é baseada no conceito de self skills, competências relacionadas ao conhecimento de si, ao reconhecimento do próprio potencial e à capacidade de orientar escolhas e decisões.

Na metodologia da AMF, essa combinação aparece dividida em três etapas: Ser, Saber e Fazer. O Ser trata do desenvolvimento da pessoa e de sua responsabilidade; o Saber envolve repertório e formação técnica; e o Fazer está ligado à aplicação desse conhecimento no cotidiano profissional.

A primeira turma reúne profissionais de setores como construção civil, tecnologia e inovação, saúde e estética, alimentação e serviços, advocacia, marketing digital, consultoria financeira e turismo.

A instituição diz que parte dos participantes chega por iniciativa própria e parte é indicada ou financiada pelas próprias empresas. Nas primeiras turmas, cerca de 30% das matrículas foram feitas por profissionais cuja formação contou com investimento empresarial.

Do polo educacional ao ecossistema de negócios

A operação em São Paulo é uma extensão de um modelo que a AMF desenvolveu ao longo de 18 anos no Rio Grande do Sul. O projeto nasceu da educação, mas passou a reunir atividades de hotelaria, turismo, moradia, inovação e serviços em torno do polo educacional.

A origem da instituição está no trabalho de Antonio Meneghetti, italiano que atuou nas áreas de filosofia, psicologia e teologia e desenvolveu a Ontopsicologia, campo de estudo criado por ele. A proposta criada por Meneghetti tinha como eixo o desenvolvimento humano e a relação entre conhecimento, formação e atividade profissional. No Brasil, essa visão ganhou uma estrutura física em que a educação passou a conviver com outras atividades econômicas.

A instituição começou pela formação acadêmica e hoje reúne oito cursos de graduação, especializações, pós-graduação e programas de educação executiva. O complexo também conta com hotelaria, estrutura ligada às águas termais e 12 prédios destinados à moradia de estudantes. “Quando você olha para o Recanto Maestro, você percebe que existe uma dinâmica muito forte. A educação foi puxando outras necessidades e outras atividades”, diz Patrícia.

A lógica é que a faculdade ajude a criar demanda para uma cadeia maior de serviços. Estudantes que chegam de outras cidades precisam de hospedagem, alimentação e transporte. Eventos e cursos também levam visitantes para o local. Com isso, a atividade educacional passa a alimentar o turismo e a hotelaria, que, por sua vez, ajudam a sustentar a estrutura criada em torno do campus.

A hotelaria ganhou espaço nesse modelo justamente pela necessidade de receber pessoas que chegam de outras regiões. O complexo passou a oferecer estrutura para estudantes e visitantes, enquanto restaurantes e outros serviços atendem a demanda gerada pelo fluxo de pessoas. A educação, portanto, funciona como uma das portas de entrada para uma economia local que vai além da sala de aula.

A expansão ocorreu de forma gradual. Conforme o número de alunos cresceu, aumentou também a necessidade de criar uma estrutura capaz de receber quem vinha de fora. A combinação entre educação, hotelaria, moradia e serviços ajudou a formar um ambiente no qual alunos, empresas e visitantes circulam pela mesma estrutura.

“A gente foi construindo uma estrutura para que a pessoa pudesse chegar, estudar, ficar, ter onde morar, ter onde se alimentar e também ter contato com empresas”, afirma Patrícia.

Esse conjunto é agora parte da estratégia comercial da educação executiva em São Paulo. A AMF tenta levar para a capital uma proposta que combina formação e experiência presencial. No modelo desenvolvido no Rio Grande do Sul, o curso está inserido em um ambiente que reúne alunos, empresas, hotelaria e serviços no mesmo ecossistema.

Formação de líderes vira nova aposta

A educação executiva já representa mais de 20% do faturamento da AMF em 2026. A instituição estima movimentar R$ 6,8 milhões com essa frente neste ano.

O diagnóstico aparece na composição das primeiras turmas. Há profissionais de áreas diferentes, em posições distintas e com níveis variados de experiência. A aposta é que essa diversidade faça parte do próprio processo de formação.

“Essa diversidade de perfis nos mostra que a formação de lideranças deixou de ser interesse apenas de quem já está à frente de decisões, tornando-se também prioridade para organizações interessadas em preparar profissionais para responsabilidades e decisões humanas cada vez mais complexas”, destaca Any.

Os professores seguem a mesma lógica. Segundo a AMF, os docentes da educação executiva são profissionais que atuam no mercado como empresários, gestores e líderes, além da formação acadêmica.

A instituição pretende manter turmas pequenas para acompanhar de perto o desenvolvimento dos participantes. A ideia é trabalhar problemas concretos dos negócios durante a formação, em vez de concentrar o programa apenas na transmissão de conteúdo.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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