Após anunciar paz com o Irã, Trump desembarca no G7 sob pressão por Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega nesta segunda-feira, 15, à cúpula do G7, na França, após anunciar um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A expectativa dos líderes das maiores economias do mundo é conhecer os detalhes do pacto e os planos para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás.
O encontro acontece em Évian-les-Bains, às margens do Lago de Genebra, e deve ser marcado pelas discussões sobre os efeitos do acordo costurado entre Washington e Teerã.
O entendimento prevê o fim das operações militares entre os dois países e abre caminho para uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que uma das prioridades da cúpula será avaliar as consequências do acordo para a estabilidade regional, incluindo os impactos no Líbano, a reabertura duradoura do Estreito de Ormuz e os próximos passos das negociações envolvendo as atividades nucleares e balísticas do Irã.
A perspectiva de retomada do tráfego na passagem marítima já provocou reações nos mercados. O estreito responde por cerca de um quinto do petróleo transportado globalmente e sua reabertura é vista pelos países do G7 como fundamental para aliviar a pressão sobre os preços da energia.
Ucrânia e inteligência artificial também estarão na agenda
Embora o Oriente Médio domine as atenções, a guerra na Ucrânia também deve ocupar espaço central nas discussões. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, participará da cúpula a partir de terça-feira, em meio à intensificação dos ataques russos contra cidades do país.
Nos últimos dias, bombardeios russos atingiram diversas regiões da Ucrânia, deixando mortos e provocando danos a uma catedral histórica em Kiev. Líderes europeus pretendem reforçar a pressão para que a Rússia aceite negociações de paz.
Outro tema prioritário para Macron é a regulação do ambiente digital e o avanço da inteligência artificial. Na quarta-feira, executivos das principais empresas do setor participarão de discussões sobre segurança online e proteção de menores.
Entre os convidados estão o CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, e Arthur Mensch, fundador da startup francesa Mistral AI.
Além dos membros permanentes — Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá —, a cúpula contará com a presença de líderes convidados de diferentes regiões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará das reuniões ao lado de representantes da Índia, Coreia do Sul, Quênia, Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos. A estratégia francesa é ampliar o alcance político do encontro e incluir países diretamente afetados pelos temas debatidos.
A China não integra o grupo, mas deve aparecer em diversas conversas. Os líderes discutirão a dependência global de minerais de terras raras controlados por Pequim, considerados essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética.
Protestos e segurança reforçada
A realização da cúpula mobilizou milhares de policiais e militares na França e na vizinha Suíça. No domingo, manifestantes contrários ao G7 entraram em confronto com forças de segurança em Genebra, lançando pedras, garrafas e fogos de artifício nas proximidades de instalações da ONU.
A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os protestos.
Após o encerramento da cúpula, Trump permanecerá na França para um jantar com Macron no Palácio de Versalhes, em um gesto que simboliza a tentativa dos europeus de manter diálogo próximo com Washington em meio às recentes crises internacionais.
*Com AFP
