Após atender 20 mil pacientes, médico licencia método de emagrecimento e mira R$ 50 milhões

A obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, de acordo com dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico 2025. A alta do sobrepeso somada à chegada das canetas emagrecedoras tem impulsionado as clínicas de emagrecimento.
Entre elas está o Instituto Evollution, fundado pelo nutrólogo Sandro Ferraz. Ele fundou sua primeira clínica em 2014 e, no ano passado, seu negócio faturou R$ 20 milhões.
Agora, Ferraz quer ampliar o trabalho que faz na sua clínica para o Brasil. Para isso, investiu R$ 500 mil para lançar o licenciamento do Programa de Emagrecimento Saudável (PES).
O método combina cinco pilares — alimentação, hidratação, suplementação, atividade física e gestão de estresse e sono — com acompanhamento clínico de precisão e uso de terapias farmacológicas individualizadas, como semaglutida e tirzepatida, sempre sob prescrição médica.
A estratégia mira escala: a meta é chegar a 5 mil unidades licenciadas até o fim de 2026 e encerrar o ano com faturamento de R$ 50 milhões somando Instituto Evollution e o modelo de expansão do PES. O valor de entrada por clínica é de R$ 4 mil, com suporte de treinamento e uso da metodologia.
“Conseguimos transformar o conhecimento clínico em um modelo de negócio replicável, mantendo o rigor técnico e elevando a margem financeira do médico licenciado”, diz Ferraz.
A projeção da empresa é alcançar 15 mil unidades em 2027, sustentada por um ecossistema que combina assinatura, treinamento médico contínuo e distribuição de kits padronizados do protocolo.
História do Instituto Evollution e criação do método PES
O PES nasceu da experiência clínica do próprio médico. Ele desenvolveu sobrepeso em 2011 e passou a estudar nutrologia e endocrinologia. A partir daí, o protocolo foi estruturado com base em prática clínica e referências internacionais.
A construção do método passou por uma percepção recorrente no consultório: a repetição de tentativas frustradas de emagrecimento entre pacientes. O programa passou a incluir, além de condutas clínicas, um componente de reorganização de comportamento e adesão ao tratamento.
“Todo mundo acha que fazer dieta é muito difícil, realizar um protocolo é muito difícil. Se não geramos uma ressignificação, dificilmente conseguimos obter um resultado positivo”, afirma Ferraz.
Na prática, o PES combina cinco pilares: alimentação e hidratação, suplementação personalizada, atividade física, sono e controle do estresse.
Com tíquete médio entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, o programa ainda conta com aplicações de ativadores metabólicos, uso assistido de medicamentos como semaglutida e tirzepatida e acompanhamento com exames de composição corporal e planos de treino personalizados.
Ao longo de 12 anos, o Instituto afirma ter atendido mais de 20 mil pacientes, com cerca de 400 toneladas de gordura eliminadas por eles.
Como funciona o licenciamento médico do PES
O modelo de licenciamento foi desenhado como uma assinatura mensal para clínicas e médicos. Além do direito de uso da metodologia, o pacote inclui treinamento, suporte contínuo e fornecimento de kits padronizados do programa.
“Vamos fornecer os boxes do programa, com a identidade da clínica, além de uma plataforma de treinamento contínuo”, afirma Ferraz.
Os boxes são kits com os produtos e fórmulas do programa, distribuídos em ciclos de 30, 60 ou 90 dias para apoiar a execução padronizada do tratamento nas clínicas licenciadas.
O médico licenciado permanece responsável pelo atendimento e acompanhamento do paciente, enquanto o Instituto centraliza metodologia, padronização e treinamento.
Estratégia de expansão e escala do método
A estratégia de crescimento está baseada em três frentes: atração de clínicas por meio da rede de mentorias já existente, formação contínua de médicos e distribuição de leads qualificados para os parceiros.
O lançamento de um livro está previsto para agosto, quando também será lançado o licenciamento de forma oficial.
Hoje, Ferraz mantém uma operação de educação voltada para médicos e gestores de clínicas, com centenas de profissionais mentorados. A expectativa é usar essa comunidade como uma das principais portas de entrada para o novo modelo de licenciamento.
O modelo prevê ainda uma área de membros com atualização constante da metodologia e monitoramento da aplicação do protocolo nas clínicas parceiras. A lógica, segundo o fundador, é manter a padronização mesmo com a expansão da rede.
“A própria fiscalização do método dentro das clínicas não é só por uma desconfiança, mas também para ver se a metodologia e os processos estão sendo feitos da forma correta para garantir que o método chegue às pessoas e que elas obtenham resultado”, afirma Ferraz.
Após validar o licenciamento do PES, o médico já planeja expandir a estratégia para outro produto: um protocolo nutrigenético voltado para longevidade, que hoje já é aplicado no Instituto Evollution.
“O protocolo de longevidade é algo que já fazemos na clínica. Ele é baseado nos marcadores genéticos de cada paciente, de forma individualizada, o que nos permite ter um parâmetro mais preciso sobre a saúde de cada pessoa”, diz Ferraz.
Educação para médicos virou nova frente de negócios
Antes de transformar o PES em um produto licenciável, Ferraz já havia criado uma operação voltada para a capacitação de médicos e gestores de clínicas. Segundo ele, a experiência com mentorias ajudou a identificar uma demanda por protocolos estruturados de emagrecimento e gestão.
Hoje, a frente educacional opera por meio do Grupo Criadores, empresa separada do Instituto Evollution. O negócio reúne mais de 200 clínicas em programas de mentoria e movimenta entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões por ano.
“O método também vai servir para trazer pessoas para a imersão e para a mentoria. Eu acredito que vai ser outra porta de aquisição”, afirma Ferraz.
