Após cinco anos sem pedir dinheiro, startup de IA em escolas capta R$ 5 milhões para expandir
Fundada em 2021, Premia desenvolve tecnologia de inteligência artificial para identificar lacunas de aprendizagem e quer usar o primeiro aporte externo de sua história para ampliar vendas, contratar e fazer aquisições

A Premia, edtech que usainteligência artificialpara identificar lacunas no aprendizado de estudantes, passou os primeiros anos cinco de operação sem recorrer a investidores externos. Fundada em 2021 e lançada oficialmente no ano seguinte, a empresa cresceu reinvestindo os recursos gerados pelo próprio negócio e, segundo seus fundadores, opera no breakeven desde o primeiro mês.
Agora, a companhia decidiu mudar de marcha. A Premia recebeu um aporte de R$ 5 milhões de um family office ligado ao setor de educação e pretende usar parte dos recursos para comprar empresas e tecnologiasque complementem sua plataforma.
O dinheiro também será destinado à contratação de funcionários, expansão da equipe comercial e desenvolvimento de tecnologia. Hoje, a empresa tem cerca de 18 a 19 pessoas e pretende adicionar pelo menos outras dez ao time.
A Premia afirma que sua tecnologia já passou pela jornada de mais de 3,8 milhões de usuários, processou mais de 93 milhões de conteúdos educacionais e chegou a 400 municípios e mais de 4.500 professores.
Nos próximos dois anos, a meta é superar 20 milhões de usuários, alcançar 1.500 municípios e chegar a mais de 40.000 professores.
O que a Premia pretende comprar
Diferentemente de uma fusão, a estratégia desenhada pela Premia prevê incorporar negócios à operação. A empresa procura tecnologias e companhias que possam acrescentar produtos, mercados ou capacidades ao que já oferece.
“Estamos no mercado com esse dinheiro, buscando empresas que façam sentido para serem incorporadas ao nosso ecossistema”, diz Paulo Flavio Faia Nogueira, cofundador e CTO da Premia.
O executivo afirma que o interesse está principalmente em negócios que permitam à companhia ganhar escala ou entrar em áreas nas quais ainda não tenha uma atuação tão profunda.
A busca por aquisições acontece ao mesmo tempo em que a empresa reforça a operação comercial. “Nós vamos investir, sim, em tecnologia, que é o core, mas vamos contratar pessoas e abrir nosso leque de escala de venda”, diz Nogueira.
A Premia pretende contratar pelo menos dez profissionais nesta etapa, o equivalente a um aumento de aproximadamente 50% sobre o quadro atual.
Como a empresa ganha dinheiro
A Premia foi criada a partir das conversas entre Nogueira, Ricardo Podolsky e Tony dos Santos em 2021. Nogueira passou 22 anos na Uninove, onde trabalhou em diferentes áreas ligadas a tecnologia e educação. Professor universitário e pesquisador de inteligência artificial, ele deixou a instituição pouco antes da pandemia e decidiu empreender.
A empresa foi lançada oficialmente em 2022 com a proposta de aplicar inteligência artificial à aprendizagem. Em vez de funcionar como um chatbot para responder perguntas dos estudantes, a plataforma acompanha as interações dos usuários para identificar conteúdos nos quais há dificuldades e recomendar reforços.
O modelo de negócios é SaaS (software como serviço, na tradução do termo em inglês) e B2B (business to business, ou de empresa para empresa). Entre os clientes estão escolas e sistemas de ensino. A tecnologia também pode ser incorporada às plataformas de parceiros em formato white label, o que permite à Premia alcançar estudantes sem necessariamente realizar a venda diretamente para cada instituição.
Desde a criação, o negócio foi financiado com os próprios resultados. Segundo o executivo, a decisão de buscar um investidor veio depois da consolidação da tecnologia. O contato com o family office ocorreu dentro de um ecossistema de inovação onde a Premia mantém um escritório em São Paulo. A sede da companhia fica em Campinas.
Onde entra a inteligência artificial
A plataforma trabalha atualmente com 18 modelos proprietários de inteligência artificial, segundo Nogueira. A empresa afirma não utilizar modelos como GPT ou Gemini para executar as funções centrais de análise da aprendizagem.
Cada modelo é direcionado a um problema. A tecnologia analisa as interações dos estudantes para identificar lacunas de conhecimento, recomendar conteúdos, fazer previsões de notas e apontar risco de abandono.
“Não nascemos para ser um conversacional. Hoje são 18 modelos que atuam em volta da nossa plataforma”, diz Nogueira. “Eles têm capacidade de identificar o gap de aprendizado do aluno e sugerir a melhor recomendação de conteúdo.”
Segundo a empresa, uma análise com 250.000 estudantes e 80,3 milhões de questões respondidas apontou uma evolução média de 158% no desempenho de alunos da Educação Básica depois de três meses de utilização da plataforma. No Ensino Superior, a companhia afirma que mais de 80% dos alunos analisados foram aprovados em disciplinas com índices elevados de reprovação.
Por que captar dinheiro agora
O aporte representa uma mudança na forma como a Premia pretende crescer. Depois de desenvolver a plataforma com recursos próprios, a companhia passa a combinar expansão orgânica com aquisições.
“Chega um determinado momento em que, depois de tudo consolidado como solução tecnológica, está na hora de escalar”, diz Nogueira. “Está na hora de descobrir quais são os players com os quais podemos fazer uma aquisição ou um relacionamento melhor para dar os próximos passos.”
A meta mais visível dessa nova fase está na base de usuários. A companhia pretende sair dos mais de 3,8 milhões de pessoas que afirma já terem passado por suas soluções para superar 20 milhões de usuários nos próximos dois anos.
Para chegar lá, além das aquisições, a Premia pretende ampliar a distribuição da tecnologia por escolas, sistemas de ensino e parceiros. “A gente quer atingir isso impulsionando mais o uso da plataforma e garantindo que mais professores tenham condição de usar nossa tecnologia”, diz Nogueira.
