Após corte de juros, analista da Empiricus faz aposta para futuro da Selic
O corte de 0,25 ponto percentual da Selic para 14% ao ano veio em linha com as expectativas do mercado. Para Laís Costa, analista da Empiricus Research, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) na véspera trouxe menos sinalizações do que na reunião anterior e reconheceu a desaceleração da atividade econômica e as surpresas […]

O corte de 0,25 ponto percentual da Selic para 14% ao ano veio em linha com as expectativas do mercado. Para Laís Costa, analista da Empiricus Research, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) na véspera trouxe menos sinalizações do que na reunião anterior e reconheceu a desaceleração da atividade econômica e as surpresas baixistas nos indicadores de inflação.
A avaliação foi feita durante participação no Giro do Mercado desta quinta-feira (6), programa transmitido pelo canal do Money Times no YouTube.
Assista à entrevista na íntegra abaixo.
“Ele manteve um tom mais sóbrio, deu menos informações, mas reconheceu alguns pontos que a gente também esperava que ele falasse”, afirmou Costa. “Então, ele reconhece uma desaceleração maior da atividade e também os dados mais fracos de inflação, com algumas leituras que vieram com surpresas para baixo”.
Segundo a analista, a retirada do trecho que mencionava possíveis pausas ao longo do ciclo foi um dos pontos de atenção da decisão. “Na minha opinião, isso deixa o comunicado flexível, sinalizando não necessariamente ser uma pausa. Por isso, a gente mantém aqui o nosso call de mais um corte de 25 na reunião de setembro”, disse.
Costa afirmou que, após setembro, o cenário para os juros dependerá das definições sobre a política fiscal. “Hoje a gente trabalha com mais um corte e, depois, com a manutenção dos juros nesse patamar, que seria de 13,75% até o final do ano. Mas o cenário hoje é muito binário”, afirmou. “Vai depender muito da próxima política fiscal, qualquer que seja o governo.”
“Nosso problema real hoje é fiscal”, acrescentou a analista. Segundo ela, o mercado ainda precisa acompanhar definições sobre candidatos, equipes econômicas e as políticas que poderão ser adotadas nos próximos anos.
O atual patamar da Selic
Costa também disse não esperar uma alta da Selic em 2027 no cenário atual. “A gente acha muito difícil que o Banco Central (BC) aumente juros no ano que vem se você tiver uma inflação em 4%, ainda que esse patamar esteja acima do centro da meta”, afirmou.
Ao explicar essa avaliação, a analista citou sinais de enfraquecimento da atividade econômica. “Os indicadores de atividade do segundo trimestre vieram aquém do esperado”, disse. Costa também afirmou que, diante desse cenário, “é muito difícil ver o BC continuar subindo juros”.
Sobre os Estados Unidos (EUA), a analista disse que uma eventual alta de juros pelo Federal Reserve em setembro já está amplamente refletida nos preços dos ativos. “Você já tem mais de 50% precificado dessa alta em setembro e, na verdade, você tem duas altas ainda para este ano”, afirmou.
Para Costa, uma confirmação desse movimento tende a ter impacto limitado nos mercados. “O risco de uma reprecificação muito forte, se de fato acontecer essa alta em setembro, é muito baixo, porque já está no preço”, disse.
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*Sob supervisão de Renan Sousa
