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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
14/07/2026
5 min

Após fechar loja, Carole Crema aposta em sobremesas para restaurantes e iFood

Após fechar loja, Carole Crema aposta em sobremesas para restaurantes e iFood

Durante mais de duas décadas, a confeitaria de Carole Crema foi a principal vitrine da chef em São Paulo. Era da unidade no Jardins que saíam bolos, doces e encomendas que ajudaram a consolidar seu nome na gastronomia brasileira.

No ano passado, ela decidiu fechar as portas. Não porque a operação desse prejuízo. A loja seguia saudável. Mas, para a empresária, o varejo físico já não representava o futuro da empresa.

"A loja ia bem, não tinha nenhum problema. Mas desviava o foco", afirma.

A decisão eliminou cerca de 100 produtos do portfólio e marcou uma mudança de estratégia. O negócio está organizado em três frentes de crescimento: a Confeito, marca criada para atender pequenos e médios restaurantes; o desenvolvimento de sobremesas para grandes redes; e a expansão da marca Carole Crema no iFood, canal que passa a atender o consumidor final que antes encontrava seus produtos na loja.

Nos últimos meses, Carole passou a liderar pessoalmente a frente comercial da empresa. Além de desenvolver produtos, hoje visita clientes, prospecta novas contas e participa das negociações com redes que considera estratégicas. "Troquei meu figurino e virei executiva comercial", diz.

A meta agora é acelerar o negócio. A empresa que fatura cerca de R$ 1,5 milhão por mês pretende aumentar o faturamento em 30% até o fim do ano.

A nova fase da empresa também coincide com a entrada dos sócios Marcelo Shiraishi e Daniel Kateguiri, que passaram a dividir a gestão do negócio com Carole há cerca de um ano e meio. Juntos, reorganizaram a operação, definiram novas frentes de crescimento e estruturaram um plano para ampliar a atuação da empresa tanto no mercado B2B quanto no consumidor final.

A confeitaria para quem não tem confeiteiro

Entre as três frentes, é na Confeito que Carole enxerga o maior potencial de crescimento.

A marca foi criada para atender um público pouco explorado pela indústria: padarias, cafeterias, empórios e pequenos restaurantes que querem oferecer sobremesas sem manter uma operação própria de confeitaria.

Pelo e-commerce, qualquer empresa com CNPJ pode comprar a partir de R$ 300. Na capital paulista, os pedidos são entregues por motoboy em cerca de meia hora.

"Eu deixei uma esquina para estar em todas as esquinas que eu puder", diz Carole Crema.

Grande parte dos restaurantes produz as próprias sobremesas, o que exige mão de obra especializada, ocupa espaço na cozinha e gera desperdício. Um doce preparado com creme fresco costuma durar apenas quatro ou cinco dias refrigerado.

"As pessoas fazem a própria sobremesa. Se ela não vende, vira perda. E nem sempre o restaurante consegue ter um confeiteiro", diz Carole.

Na Confeito, os produtos chegam congelados e prontos para servir, com validade de até 120 dias. Segundo a empresa, o catálogo foi desenhado para permitir margens entre 2,5 e três vezes o custo de compra.

Como a empresa chegou até aqui

Embora a aposta nos pequenos restaurantes seja recente, o fornecimento para outras empresas acompanha a trajetória da confeiteira há quase duas décadas.

Pouco tempo depois de abrir a loja, em 2002, Carole percebeu que o varejo sozinho não sustentaria o negócio. Vieram as encomendas, os casamentos e, mais tarde, uma oportunidade que mudaria o rumo da empresa.

A Lanchonete da Cidade a procurou para desenvolver um novo cardápio de sobremesas. O projeto deu origem a uma nova frente de atuação. Depois vieram Bráz Pizzaria, Havanna, América e dezenas de outros clientes.

"Eu descobri que era muito boa em entender o conceito de um restaurante e desenvolver uma sobremesa para aquele negócio", diz Carole Crema.

O crescimento dessas redes exigiu uma operação maior. Há nove anos, a empresa transferiu a produção para uma fábrica no Butantã, na zona oeste de São Paulo, inicialmente para atender a expansão da Havanna. Hoje, a unidade abastece cerca de 100 clientes, entre eles aproximadamente dez grandes redes.

Atualmente, a fábrica conta com 34 funcionários e produz cerca de uma tonelada por dia e, segundo Carole, tem capacidade para triplicar a produção com a abertura de novos turnos e poucas contratações adicionais.

Hoje, o principal braço da operação continua sendo o desenvolvimento de sobremesas para grandes empresas.

Na prática, a fábrica funciona como uma confeitaria terceirizada. É ali que nascem produtos para marcas como Havanna, América e BR Mania. Em vez de apenas fornecer itens de catálogo, a equipe desenvolve receitas exclusivas de acordo com o posicionamento e o público de cada cliente.

A aposta no iFood

Enquanto a Confeito mira restaurantes e os projetos especiais atendem grandes redes, a marca Carole Crema continua falando diretamente com o consumidor final.

A empresa passa por um reposicionamento da operação noiFood, com novas embalagens, identidade visual e foco na experiência de delivery.

A expansão acontecerá por meio de parceiros. Como os produtos saem prontos da fábrica, cada operação precisa apenas de freezer e geladeira para funcionar.

Uma segunda unidade já começou a operar na Vila Mariana e o Rio de Janeiro aparece como o próximo mercado no plano de expansão.

Na lista de potenciais clientes aparecem cafeterias, empórios, floriculturas e redes de restaurantes.

A meta é acelerar principalmente a Confeito e a operação do iFood, mantendo os projetos especiais como principal fonte de receita.

"Tem dois tipos de pessoa no mundo: as que fazem e as que não fazem. Se você não faz, não acontece", diz.

Assista ao episódio do Choque de Gestão com Carole Crema

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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