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Mundo
11/07/2026
3 min

Após funeral de Khamenei, líder do Irã promete vingança pela morte do pai: 'É a vontade da nação'

Após funeral de Khamenei, líder do Irã promete vingança pela morte do pai: 'É a vontade da nação'

Em sua primeira manifestação pública desde o funeral do pai, divulgada neste sábado, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que pretende "vingar o sangue inocente [dele]" e declarou que "a vingança é a vontade da nação".

Na mensagem, também agradeceu à "presença histórica" das milhões de pessoas que acompanharam o cortejo fúnebre de Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, durante os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.

"Prometemos vingar o sangue do líder mártir e de todos os mártires das mãos dos assassinos criminosos e desonrados. Esta vingança é a vontade de nossa nação e precisa, inevitavelmente, ser cumprida", escreveu Mojtaba. "A questão não depende da minha existência pessoal nem da de outros funcionários. Se estivermos presentes ou não, ela vai acontecer".

Ali Khamenei foi enterrado na última quinta-feira no santuário do Imã Reza, em Mashhad, cidade onde nasceu. Mojtaba, apontado como sucessor do pai, não participou da cerimônia e segue fora da vida pública desde que ficou ferido no mesmo ataque que matou o antigo líder supremo. Desde então, suas manifestações têm ocorrido apenas por meio de comunicados divulgados pela imprensa estatal, o que mantém as especulações sobre seu estado de saúde e localização.

A ausência de Mojtaba na cerimônia, assim como a de integrantes do alto escalão da República Islâmica, levantou questionamentos sobre o discurso de "unidade" adotado por Teerã ao longo da semana de homenagens a Ali Khamenei. De acordo com especialistas, a estratégia buscava transmitir aos Estados Unidos e a Israel a mensagem de que o conflito não provocou, nem provocará, o colapso da República Islâmica ou o fortalecimento de movimentos de oposição ao regime.

O governo iraniano já havia prometido retaliar Washington em janeiro de 2020, após o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu primeiro mandato, ordenar a operação que matou o general iraniano Qassem Soleimani.

'Mil mísseis estão prontos'

As declarações de Mojtaba foram divulgadas poucas horas depois de um novo pronunciamento de Donald Trump. O presidente americano afirmou que o cessar-fogo chegou ao fim e declarou que "mil mísseis estão prontos para serem disparados e apontados para a República Islâmica, caso o governo iraniano concretize sua ameaça" de assassiná-lo. Em publicação na rede Truth Social, acrescentou que os Estados Unidos irão "dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã".

Durante o funeral de Ali Khamenei, participantes carregaram cartazes e faixas com pedidos pela morte de Trump e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Enquanto as negociações permanecem sem definição, Teerã continua rejeitando as exigências dos Estados Unidos relacionadas ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano insiste que a passagem marítima permaneça sob seu controle e defende a manutenção da cobrança de taxas das embarcações que utilizam a rota.

Também neste sábado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viajou para Omã para uma nova rodada de conversas diplomáticas. A visita ocorreu um dia após a chegada de mediadores do Catar a Teerã. Já o chanceler da Turquia, Hakan Fidan, afirmou à emissora estatal TRT acreditar que "uma solução pode ser alcançada" ainda neste fim de semana nas negociações entre Irã e Omã. Até o momento, porém, não houve avanços.

AutorMateus Omena
FonteExame
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