Após onda de protestos, Zelensky demite chefe do Exército

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta terça-feira, 21, a demissão de Oleksandr Syrskyi do cargo de comandante-chefe das Forças Armadas do país, após dias de protestos que cobravam sua saída. Para substituí-lo, o presidente nomeou o comandante das Forças Conjuntas, Mykhailo Drapatyi.
A troca ocorre poucos dias após a maior onda de manifestações na Ucrânia desde o início da guerra contra a Rússia, desencadeada pela saída de Mykhailo Fedorov do Ministério da Defesa. Além de pedir o retorno do ex-ministro, manifestantes também exigiam a substituição de Syrskyi, alvo de críticas por parte de militares, veteranos e setores da sociedade.
Ao anunciar a mudança em publicação no Telegram, Zelensky agradeceu ao general pelo trabalho desempenhado desde o início da invasão russa.
"Decidi que o novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia será Mykhailo Drapatyi... Sou grato a Oleksandr Syrskyi e a cada um de nossos combatentes pelas sólidas posições da Ucrânia na linha de frente", afirmou o presidente.
Troca atende parte das reivindicações dos protestos
A destituição de Syrskyi atende parcialmente às demandas das manifestações, mas não resolve a principal reivindicação dos manifestantes: a recondução de Mykhailo Fedorov ao Ministério da Defesa.
Ex-ministro e principal símbolo da modernização das Forças Armadas ucranianas, Fedorov havia atribuído sua saída a divergências com Syrskyi sobre a condução da guerra e as reformas militares, defendendo uma estratégia baseada em inovação tecnológica, drones e mudanças na estrutura administrativa da Defesa.
Fedorov vê "nova esperança" com mudança
Após a nomeação de Drapatyi, Fedorov afirmou que a escolha representa uma "nova esperança" para o esforço militar da Ucrânia.
A substituição acontece em um momento decisivo do conflito, enquanto Zelensky tenta preservar a unidade política e militar diante da continuidade da guerra. A troca no comando do Exército ocorre poucos dias após os protestos ampliarem a pressão sobre o governo em meio aos debates sobre a estratégia militar adotada para enfrentar a ofensiva russa.
Com AFP
