Após parcerias com big techs, Re.green estreia no setor de saúde com a Novo Nordisk

Durante a Semana do Clima de Londres, a startup brasileira de restauração ecológica Re.green anunciou uma parceria de 20 anos com a farmacêutica Novo Nordisk para restaurar cerca de 500 hectares de áreas degradadas na Amazônia.
O projeto, localizado em Paragominas, no Pará, deverá gerar aproximadamente 87 mil créditos de remoção de carbono ao longo do contrato.
O anúncio marca a entrada da re.green no setor de saúde, após acordos firmados inicialmente com empresas de tecnologia e outros como telecomunicações e alimentos. Nas últimas semanas, foram emitidos os primeiros créditos de carbono provenientes de um projeto com a Microsoft.
O CEO Thiago Picolo reforçou à EXAME que a estratégia tem sido buscar parcerias com empresas líderes em seus segmentos para ampliar as fontes de financiamento da restauração florestal.
"Esse é o maior ineditismo, mostrar que a agenda pode ser transversal para diferentes atividades econômicas", destaca.
A Novo Nordisk, uma das maiores farmacêuticas do mundo, passa a integrar o grupo de empresas que aposta em projetos de restauração florestal como parte de suas estratégias de descarbonização.
A companhia tem como meta alcançar emissões líquidas zero de carbono em suas operações e cadeia de valor até 2045. Nesse contexto, o apoio à restauração de ecossistemas é uma das frentes utilizadas para reduzir seu impacto climático e ambiental.
Para Picolo, a aproximação com o setor de saúde faz sentido pela relação entre conservação ambiental e bem-estar humano.
"Há uma conexão natural entre a proteção da natureza e a qualidade de vida das pessoas", diz.
Earthshot Prize ajudou a acelerar negociações
A parceria também representa um dos primeiros acordos anunciados pela Re.green após a conquista do Earthshot Prize, prêmio criado pelo príncipe William e considerado uma das principais premiações ambientais do mundo.
De acordo com o CEO, o reconhecimento internacional ajudou a acelerar as conversas com a gigante farmacêutica.
"O Earthshot tem o objetivo de acelerar soluções e iniciativas que já estão dando certo e têm potencial de escala. Foi exatamente isso que aconteceu. O prêmio nos trouxe credibilidade adicional no mercado", explica.
Segundo o executivo, as negociações com a Nova Nordisk começaram no segundo semestre de 2025, após representantes das duas empresas se conhecerem em um evento internacional.
A expectativa da startup é que a parceria também ajude a atrair outras empresas do setor de saúde interessadas em apoiar projetos de restauração florestal.
O que prevê o projeto na Amazônia
O projeto será desenvolvido em uma área degradada de Paragominas, município localizado no leste do Pará. A restauração utilizará exclusivamente espécies nativas da Amazônia, combinando regeneração natural e plantio ativo.
Segundo a Re.green, o modelo também prevê monitoramento contínuo por imagens de satélite e dados de campo para acompanhar o desenvolvimento da floresta ao longo das próximas duas décadas.
Thiago destacou que o acordo de duas décadas é compatível com a natureza das iniciativas que colocam de pé e que exigem investimentos elevados nos primeiros anos, além de acompanhamento de longo prazo para garantir a permanência dos resultados.
Além da captura de carbono, a iniciativa prevê benefícios para a biodiversidade, a recuperação de recursos hídricos e a geração de renda e oportunidades ligadas às cadeias de sementes e mudas nativas na região.
