Após protestos das 'baratas', Modi promete punir autoridades da educação

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, prometeu criar tribunais de tramitação acelerada para julgar autoridades acusadas de envolvimento no vazamento de provas de concursos e exames públicos. A iniciativa ocorre em meio à crescente pressão provocada pelos chamados "protestos das baratas", que se tornaram um dos maiores desafios enfrentados pelo governo nos últimos anos.
A mobilização ganhou força após milhares de jovens ocuparem as ruas de Nova Déli para denunciar sucessivos escândalos de fraudes em exames nacionais e cobrar mudanças no sistema educacional. O movimento adotou o nome satírico Cockroach Janta Party (CJP), ou o Partido Popular das Baratas, depois que o presidente da Suprema Corte comparou jovens desempregados a "baratas", declaração que acabou impulsionando os protestos.
Em publicação nas redes sociais, Modi afirmou que "nada é mais importante do que o futuro da juventude indiana" e prometeu que os responsáveis por comprometer esse futuro serão punidos. A principal medida anunciada foi a criação de tribunais especiais para acelerar julgamentos que hoje podem levar décadas no sistema judicial do país.
Ceticismo
Na segunda-feira, cerca de 50 mil pessoas participaram de um protesto em Nova Délhi, mesmo após a polícia ter interditado uma marcha até o Parlamento. As forças de segurança dispersaram parte da manifestação com cassetetes e gás lacrimogêneo, mas centenas de manifestantes permaneceram acampados no centro da capital nos dias seguintes.
O movimento também recebeu apoio de partidos da oposição. A deputada Renuka Chowdhury, do Congresso Nacional Indiano, questionou por que Modi mantém Pradhan no cargo diante da crise. Já o líder oposicionista Rahul Gandhi afirmou que o governo fracassou em proteger a credibilidade do sistema educacional e pediu um pedido público de desculpas do primeiro-ministro.
Segundo Gandhi, houve 152 casos de vazamento de provas em todo o país na última década sem qualquer condenação judicial. Para ele, grupos organizados estariam destruindo o sistema educacional indiano e comprometendo o futuro de milhões de estudantes, enquanto o governo permanece incapaz de responsabilizar os envolvidos.
O governo reagiu acusando a oposição de tentar explorar politicamente os protestos. O ministro da Saúde, JP Nadda, afirmou que Gandhi busca obter ganhos eleitorais em vez de contribuir para melhorias na educação. Paralelamente, uma reunião entre ministros e representantes do CJP terminou sem acordo, e o movimento passou a exigir que futuras negociações ocorram publicamente no local dos protestos.
De acordo com o The Guardian, analistas avaliam que Modi evita demitir o ministro da Educação por considerar que um recuo poderia ser interpretado como sinal de fraqueza. Sem a ampla maioria parlamentar de seus mandatos anteriores e enfrentando desaceleração econômica, aumento do desemprego e dificuldades para aprovar reformas, o governo teme que concessões aos protestos das 'baratas' incentivem novas mobilizações em torno de outras pautas nacionais.
