Após quase falir aos 22 anos, hoje ele comanda uma consultoria de R$ 45 milhões e 170 franquias
Berry transforma consultores em franqueados e usa IA para ganhar produtividade

RESUMO | A Berry, consultoria empresarial criada por Kleber Amora em 2015, faturou R$ 45 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 60 milhões em 2026. Com cerca de 170 unidades franqueadas e mais de 300 especialistas, a empresa já atendeu mais de 5 mil negócios. A meta é chegar a R$ 1 bilhão em receita recorrente até 2033.
Aos 22 anos, o paranaense Kleber Amora tinha o que muitos jovens empreendedores buscam: uma empresa crescendo, 30 funcionários e a sensação de que o negócio estava no caminho certo. O problema é que, por trás do crescimento, faltavam processos, disciplina financeira e experiência para tomar decisões.
Anos depois, o empresário estava no limite: vendeu o supermercadoque havia criado, praticamente empatado as contas, e precisou recomeçar.
Hoje, a história é diferente. À frente da Berry, consultoria empresarial criada em 2015, Amora lidera uma operação que faturou R$ 45 milhões em 2025 e projeta chegar a R$ 60 milhões em 2026. A empresa soma 170 unidades franqueadas, mais de 300 especialistas e já ajudou mais de 5 mil negócios.
“Eu tinha muita energia para trabalhar, fazer as coisas acontecerem, mas não olhava muito para o lado dos números e no detalhe, como um negócio, quando começa a crescer, você tem que fazer isso, senão o negócio não vira”, diz Amora.
A experiência de quase falência acabou virando o principal ativo do empreendedor. A Berry nasceu justamente da tentativa de evitar que outros empresários repetissem os erros que ele cometeu.
Como um supermercado quase falido virou uma escola de gestão
A relação de Amora com negócios começou cedo. Aos 12 anos, no início dos anos 2000, ele já trabalhava no pequeno supermercado da família, em Curitiba. Passou por diferentes funções, como reposição, açougue, caixa e entregas, em uma rotina típica de empresa familiar.
Depois de se formar em Administração pela PUC-PR, decidiu empreender sozinho. Em 2011, abriu um supermercado em Joinville (SC). O negóciocresceu rapidamente, mas o empresário admite que ainda não tinha a maturidade necessária para acompanhar a expansão.
“Faltava realmente experiência, faltava casca ali, do ponto de vista de como ser um verdadeiro empresário”, afirma. Segundo ele, erros de contratação, demora para tomar decisões e falta de acompanhamento dos números fizeram a operação perder força.
O cenário piorou com a recessão econômica brasileira entre 2014 e 2016. Com despesas elevadas e endividamento maior, Amora chegou ao limite.
“Acabou que eu quase quebrei. Eu fui assim, cheguei no limite do limite, fazendo as coisas funcionarem, vendendo almoço para comprar a janta”, conta.
A saída foi vender o supermercado para um concorrente. O negócio permitiu que ele encerrasse o ciclo sem dívidas, mas o momento marcou uma ruptura pessoal e profissional. “Parece que quando as coisas vêm ruim acontece tudo junto”, lembra. Na época, além da crise empresarial, enfrentava uma separação e tinha um filho pequeno.
Depois do episódio, Amora voltou para Curitiba com uma conclusão: os erros que quase destruíram sua própria empresa poderiam ajudar outros empresários.
“Eu pensei: eu posso ajudar outros empresários a não cometerem os mesmos erros”, afirma. Para ele, aquela experiência trouxe uma bagagem prática que nenhum curso poderia oferecer.
Como a experiência de perder um negócio virou uma consultoria
A primeira versão da Berry nasceu diferente da empresa atual. Em 2015, Amora criou uma companhia de tecnologiachamada BRTech, com uma ferramenta de inteligência de dados para ajudar empresários a tomar decisões com base em números.
A ideia era conectar informações da empresa e transformar dados em indicadores de gestão. Naquele momento, segundo ele, esse tipo de solução ainda era pouco difundido.
Mas a demanda dos clientes mostrou outro caminho. Depois de conquistar cerca de 30 empresas usando o software, os empresários começaram a pedir algo além da ferramenta: queriam alguém ajudando a interpretar os números e implementar mudanças.
Foi assim que a empresa migrou para o modelo de consultoria empresarial. “Os clientes estavam pedindo isso”, explica Amora. A mudança aconteceu entre 2017 e 2018, quando a companhia passou a concentrar esforços no serviço de gestão.
No início, o modelo era tradicional. Consultores saíam de Curitiba para atender clientes presencialmente em outros estados. O problema era a escala: cada profissional conseguia atender apenas cinco ou seis projetos por mês.
A solução veio antes da pandemia. Em 2019, a Berry começou a testar a consultoria online, com reuniões por videoconferência e atendimento remoto. A adoção era difícil naquele momento, mas a mudança preparou a empresa para um cenário que viria logo depois.
Como transformar consultoria em franquia
A pandemia acelerou a digitalização de empresas e criou uma oportunidade para a Berry. Como a companhia já tinha uma estrutura de atendimento remoto, passou a receber mais demanda, mas encontrou um novo gargalo: faltavam consultores para atender todos os projetos.
A resposta foi criar uma rede de franquias. O modelo começou a ser desenvolvido em 2020 e transformou consultores em empreendedores parceiros.
A lógica, segundo Amora, era simples: um empresário ajudando outro empresário teria maior conexão com o cliente. “Ele está vivendo aquilo no dia a dia dele e tem uma preocupação, um zelo maior, porque aquilo faz parte da franquia dele”, afirma.
Hoje, a Berry seleciona os franqueados com base em experiência profissional, formação e capacidade de gestão. Antes de atender clientes, eles passam por uma formação de cerca de quatro meses, com conteúdos, testes, simulações e acompanhamento de consultores mais experientes.
O modelo também tenta resolver um dos principais desafios de franquias de serviços: manter qualidade. A matriz concentra a captação dos clientes e usa sistemas próprios para direcionar cada projeto ao consultor mais adequado.
O empresário interessado em uma consultoria chega principalmente pelos canais digitais da Berry. Depois da venda, o sistema faz uma análise do projeto e indica o especialista mais adequado para aquela demanda.
A franquia exige investimento inicial médio de R$ 100 mil e pode funcionar em formato remoto. Segundo Amora, o retorno costuma ocorrer entre 12 e 18 meses, dependendo do ritmo de crescimento da unidade.
Como a inteligência artificial virou uma aliada para escalar consultores
A tecnologia continua sendo uma das principais apostas da Berry. A empresa nasceu como uma companhia de software e manteve essa característica mesmo após virar uma consultoria.
Com o avanço da inteligência artificial, criou a MAIA, uma ferramenta própria integrada aos sistemas internos. A solução acompanha projetos, auxilia na produção de materiais, analisa reuniões e participa até de etapas de recrutamento.
Amora afirma que a IA elevou em 50% a eficiência operacional da empresa nos últimos dois anos.
O objetivo, segundo ele, não é reduzir pessoas, mas aumentar a capacidade de entrega. “A capacidade humana será multiplicada por 10, 20 vezes na maior parte das funções, incluindo consultoria”, afirma.
Para o empreendedor, esse é um caminho necessário para sustentar a ambição de longo prazo da companhia: chegar a R$ 1 bilhão em faturamento recorrente até 2033.
“Não é que a gente quer menos pessoas. A gente quer mais pessoas, quer crescer muito aberto internacionalmente, mas usando IA para poder fazer muito mais com essas mesmas pessoas”, diz.
O que falta para pequenos empresários crescerem
A Berry atende atualmente empresas de diferentes setores, com maior presença em serviços, indústria e comércio. Segundo Amora, cerca de 40% da base está em serviços, enquanto indústriae varejo representam boa parte do restante.
A principal porta de entrada costuma ser financeira. Em muitos casos, o empresário procura ajuda quando percebe que o caixa deixou de responder como antes.
“Em nove de dez casos, é quando ele percebe que apertou um pouquinho o caixa”, afirma. O trabalho começa com uma análise dos números, fluxo de caixa, custos, precificação e processos internos.
A tese de Amora é que boa parte das pequenas e médias empresas brasileiras tem energia e conhecimento do mercado, mas carece de gestão estruturada.
É justamente essa lacuna que a Berry quer ocupar: transformar a experiência de quem já errou em método para quem ainda está tentando crescer.
“Pegar esse empresário que tem muita energia, muita criatividade e é acostumado a trabalhar no improviso e trazer processo e gestão para ele”, resume.
O que é a Berry?
A Berry é uma consultoria empresarial criada por Kleber Amora em 2015. A empresa tem cerca de 170 unidades franqueadas, reúne mais de 300 especialistas e já ajudou mais de 5 mil negócios.
Quanto a Berry faturou em 2025?
A Berry faturou R$ 45 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 60 milhões em 2026. A meta da consultoria é chegar a R$ 1 bilhão em receita recorrente até 2033.
Como a Berry surgiu?
A Berry nasceu após Kleber Amora vender um supermercado que quase faliu por problemas como falta de controle financeiro, erros de contratação e demora nas decisões. Em 2015, o empresário criou a BRTech, inicialmente focada em inteligência de dados, que migrou para a consultoria entre 2017 e 2018 após pedidos dos clientes.
Quanto custa abrir uma franquia da Berry?
O investimento inicial médio em uma franquia da Berry é de cerca de R$ 100 mil, e a unidade pode operar no formato home based. Segundo Kleber Amora, o retorno costuma ocorrer entre 12 e 18 meses, dependendo do ritmo de crescimento da franquia.
Como a Berry usa inteligência artificial?
A Berry utiliza a MAIA, ferramenta própria que acompanha projetos, produz materiais, analisa reuniões e auxilia em etapas de recrutamento. Segundo Kleber Amora, a inteligência artificial aumentou em 50% a eficiência operacional da empresa nos últimos dois anos.
Quais problemas levam empresários a procurar a Berry?
Problemas financeiros são a principal porta de entrada para a consultoria. Segundo Kleber Amora, em nove de cada dez casos o empresário procura ajuda quando percebe o caixa mais apertado, e o trabalho começa pela análise de fluxo de caixa, custos, precificação e processos internos.
