Após rodada de US$ 8 milhões, IA jurídica que atende 30 mil advogados chega ao Brasil
Fundada em 2025, companhia já atende cerca de 30 mil usuários e 300 escritórios na América Latina e pretende alcançar 75 mil advogados brasileiros em 2027

Uma legaltech latino-americana está desembarcando no Brasil com a meta de conquistar 5 mil advogados brasileiros até o fim de 2026. A expansão da Magnar, plataforma deinteligência artificialvoltada ao trabalho jurídico, ocorre após a companhia levantar uma rodada Série A de US$ 8 milhões, liderada pela 6 Degrees Capital.
Fundada em 2025, a empresa chega ao mercado brasileiro pouco mais de um ano depois de iniciar as operações. Nesse período, afirma ter alcançado cerca de 30 mil usuários e 300 escritórios de advocacia distribuídos por Chile, Peru, Equador, Costa Rica, Colômbia, Uruguai e Argentina. Além do Brasil, o Méxicotambém está entrando agora na rota de expansão da companhia.
“Para transformar o mercado jurídico na América Latina, é preciso uma tecnologia que entenda a diversidade de códigos, idiomas e práticas de cada país. A Magnar foi construída para essa realidade”, afirma Andrés Arellano, CEO e cofundador da Magnar.
Segundo ele, a nova rodada permitirá avançar no Brasil e no México “com tecnologiae equipes locais para estar mais perto dos escritórios e departamentos jurídicos que atenderemos”.
Quem colocou dinheiro na expansão
A Série A de US$ 8 milhões foi liderada pela 6 Degrees Capital e teve participação da mexicana Hi Ventures, da Platanus e de escritórios de advocacia da América Latina, entre eles o chileno Carey.
Para a Magnar, ter firmas jurídicas entre os investidores funciona não apenas como fonte de capital, mas também como validação da tecnologia por integrantes do próprio setor que a empresa pretende atender.
Com o novo caixa, o próximo teste será transformar a presença que construiu nos primeiros mercados latino-americanos em escala nas duas maiores apostas dessa nova etapa: Brasil e México.
O que a empresa quer fazer no Brasil
O dinheiro captado servirá, principalmente, para acelerar a entrada nos mercados brasileiro e mexicano, desenvolver a tecnologia e contratar equipes locais. A Magnar também pretende abrir escritórios nos dois países e reforçar sua estrutura comercial e de desenvolvimento.
No Brasil, a adaptação passa por incorporar à plataforma fontes normativas e jurisprudenciais brasileiras.
A estratégia da companhia é desenvolver a ferramenta de acordo com as particularidades jurídicas de cada país, em vez de oferecer uma única base de informações para toda a América Latina.
A aposta no mercado brasileiro vem acompanhada de uma curva de crescimento agressiva. A companhia projeta atingir 5 mil advogados no país ainda em 2026 e multiplicar esse número por 15 no ano seguinte, alcançando 75 mil usuários até o fim de 2027.
“Acreditamos muito no potencial do mercado brasileiro e entendemos que um time local contribuirá para o crescimento da nossa plataforma por aqui”, afirma Arellano.
Como funciona a IA jurídica
A Magnar tenta se posicionar em um segmento de ferramentas de inteligência artificial desenhadas especificamente para a rotina dos advogados. A plataforma concentra funções de pesquisa jurídica, análise de grandes volumes de informação, elaboração e revisão de documentos.
A ideia é ir além de um chatbot ao integrar a tecnologia às diferentes etapas do trabalho jurídico e a programas que os profissionais já usam no dia a dia, como Microsoft Word e Outlook.
Outra frente é a rastreabilidade das respostas. A ferramenta trabalha com bases jurídicas específicas de cada país e apresenta ao usuário as referências normativas e jurisprudenciais utilizadas. A análise e a decisão final, segundo a empresa, continuam sob responsabilidade do advogado.
A especialização local é justamente uma das apostas da Magnar para competir em um cenário no qual ferramentas de IA de uso geral também passaram a ser incorporadas à rotina profissional.
No caso brasileiro, a companhia diz estar preparando a plataforma para lidar com as fontes e particularidades do sistema jurídico nacional.
