Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
21/09/2026
4 min

Após ter carro roubado, ele montou uma empresa de rastreadores que vai faturar R$ 400 milhões

Tecnologia criada para transportadoras monitora localização, pressão e temperatura em tempo real

Após ter carro roubado, ele montou uma empresa de rastreadores que vai faturar R$ 400 milhões

Quando o paraibano Eduardo Lacet tinha uma locadora de veículos, um de seus carros foi roubado. Ao buscar uma solução de seguro e rastreamento, percebeu que as opções disponíveis não atendiam ao que precisava. A saída foi desenvolver a própria tecnologia.

“Tentei comprar rastreador, não consegui dar juízo de valor, porque tem muita diferença de preço, tem rastreador de diversos tipos de preço. E terminou que eu desenvolvi o nosso”, conta Lacet.

A experiência deu origem à Omnilink, empresa especializada em rastreamento e segurança, que depois ampliaria sua atuação para atender transportadoras com um conjunto de ferramentas para reduzir roubos, acidentes e custos operacionais.

Hoje, a Omnilink tem cerca de 350 funcionários, com operação baseada em São Paulo e vendedores espalhados pelo país. A companhia projeta fechar o ano com R$ 400 milhões de receita, mantendo um ritmo de crescimento anual entre 20% e 25%. Segundo Lacet, o faturamento de 2025 ficou próximo de R$ 320 milhões.

A nova aposta da companhia é o Pneu Conectado, tecnologia que transforma o pneu em um equipamento capaz de gerar informações em tempo real sobre localização, pressão e temperatura. A empresa espera vender cerca de 150 mil pneus no próximo ano e projeta uma receita de R$ 700 milhões, segundo o executivo.

“Esse crescimento aí é sem o pneu. A empresa como ela é hoje cresce na casa de 20%, 25% ao ano. E o pneu vai crescer muito”, afirma Lacet.

Como uma empresa de rastreamento virou uma plataforma para transportadoras

Antes de chegar ao pneu conectado, a Omnilink ampliou seu portfólio para acompanhar diferentes etapas da operação logística. Depois da aquisição da empresa, em 2018, a companhia passou a adicionar novos produtos, como câmeras para monitorar fadiga e distração dos motoristas, telemetria de motor, controle de combustível e gestão da jornada de trabalho.

A lógica é transformar equipamentos físicos da operação em fontes de informação. Em vez de atuar apenas depois que um problema acontece, a tecnologia busca antecipar riscos.

“Todo ano a gente implementa produtos novos ou áreas novas, porque a forma da gente conseguir sustentar um crescimento de 20%, 25% ao ano é adicionando novos produtos ou novas regionais”, diz o CEO.

O pacote de soluções inclui rastreamento via satélite, travas para baú e quinta roda, ferramentas para controle da jornada do motorista e até dispositivos de localização instalados dentro das cargas, chamados de iscas.

“Temos um pool de tecnologias para o transportador, para levar eficiência operacional, ganho de produtividade, proteção da vida e da segurança do motorista, redução de custo e segurança da carga e também do caminhão”, afirma Lacet.

Por que o pneu virou uma peça estratégica da operação

O lançamento mais recente da empresa nasceu da percepção de que um dos itens mais importantes de um caminhão ainda era pouco monitorado.

Na prática, o pneu conectado funciona como um rastreador. Além de indicar onde está instalado, ele transmite informações sobre suas condições de uso.

A localização ajuda a gestão da frota porque permite saber se o pneu está armazenado ou instalado em determinado veículo. Também aumenta a segurança, já que um caminhão equipado com esses pneus se torna mais difícil de ser levado sem rastreamento.

“Para o ladrão levar o veículo, ele precisa tirar o pneu, e sem o pneu o veículo também não anda. Então a dificuldade fica muito maior”, explica Lacet.

A pressão é outro indicador importante. Um pneu fora da calibragem aumenta o consumo de combustível, acelera o desgaste e pode elevar o risco de acidentes. Já o monitoramento da temperatura ajuda a identificar situações de superaquecimento.

“Ele consome mais combustível e consome mais borracha. Então ele aumenta o custo do transportador e também degrada mais a natureza”, afirma.

Como a Omnilink pretende transformar uma base de clientes em crescimento

O foco inicial do pneu conectado está nos próprios clientes da companhia. A Omnilink tem uma base de aproximadamente 30 mil clientes e aposta em vender o produto agregado a uma plataforma de gestão.

A empresa não vende apenas o pneu físico. A solução inclui um software para acompanhar estoque, instalação nas carretas, rodízio e histórico de utilização.

“A gente quer entregar o pneu com bastante serviço adicionado, porque o pneu não é só o pneu”, afirma o executivo.

Segundo ele, a estratégia é transformar a Omnilink em uma parceira completa das transportadoras.

“A nossa missão é dar um link completo para o nosso cliente transportador. A iniciativa do pneu é muito pensando nisso: ser completo, levando solução, tecnologia e ferramenta para ele trabalhar”, afirma Lacet.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
Distribuído por