Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
02/10/2026
7 min

Aposta em avanço de Flávio faz Ibovespa disparar 2,6% na véspera da eleição

O índice teve a maior variação diária em um mês e a maior pontuação de fechamento desde 22 de abril

Aposta em avanço de Flávio faz Ibovespa disparar 2,6% na véspera da eleição

O Ibovespa ganhou força na reta final do pregão desta sexta-feira, 2, e fechou em alta de 2,63%, aos 192.114,55 pontos, após oscilar entre 186.144,24 e 192.118,70 pontos. O índice encerrou o dia praticamente na máxima e registrou a maior pontuação de fechamento desde 22 de abril, quando terminou aos 192.889 pontos.

Com o avanço desta sexta, o Ibovespa acumulou alta de 4,71% na semana. O volume financeiro alcançou R$ 31,2 bilhões.

Entre as 76 ações que compõem o índice, 70 fecharam em alta, três ficaram estáveis e apenas três recuaram, nesse caso, Minerva (BEEF3), Copasa (CSMG3) e Fleury (FLRY3) que recuaram 0,51%, 0,80% e 1,05%, respectivamente. As blue chips, papéis de grandes empresas como Vale, Petrobras e bancos também terminaram o pregão no campo positivo.

A forte alta ocorre noúltimo pregão antes do primeiro turno das eleições presidenciais, que será realizado neste domingo, 4. Ao longo do dia, o mercado alternou momentos de maior cautela e forte apetite por risco, mas ganhou tração durante a tarde, em um movimento que analistas associaram ao posicionamento dos investidores diante do cenário eleitoral.

Agentes ouvidos pela EXAME afirmam que o mercado montou posições compradas antes da votação de domingo acreditando que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) terá um desempenho melhor do que as últimas pesquisas eleitorais estão indicando. Caso isso se confirme, diz um estrategista, o Ibovespa pode subir ainda mais.

"Se realmente ele for melhor que as pesquisas, mais gestores vao montar posições compradas para o resto do ano", afirmou. Por outro lado, há risco de queda forte se as expectativas forem frustradas. "Gestores vao montar opçõess de venda tambem, para diminuir o risco das posições atuais".

Influência do exterior

“O pregão de hoje foi marcado por forte volatilidade. Pela manhã, houve a divulgação do Payroll, que veio abaixo do esperado e fez com que o mercado subisse forte”, afirmou Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora.

Segundo ele, após a alta inicial, o mercado passou por um movimento de realização e chegou a operar no campo negativo perto do meio-dia. Na parte da tarde, porém, o Ibovespa voltou a subir com força. “O que a gente vê é um posicionamento muito forte dos investidores. O volume está indo bem, e o pregão caminha para fechar perto das máximas”, disse.

Mollo relacionou a recuperação da tarde à precificação do cenário eleitoral. “O mercado começou a buscar uma precificação de que o candidato à direita pode se sair melhor do que o esperado durante o primeiro turno”, afirmou.

O movimento foi disseminado entre as ações. Petrobras e Vale subiram, enquanto os bancos, que chegaram a pressionar o índice no início da sessão, inverteram o sinal e também contribuíram para a alta. A Petrobras ganhou força com a recuperação dos preços do petróleo no exterior e após a companhia informar uma nova descoberta de petróleo na Margem Equatorial.

A Hapvida (HAPV3) terminou entre as maiores altas do índice, com avanço de 8,46%, pelo segundo pregão consecutivo. O movimento ocorreu em meio à informação, não confirmada pela companhia, de que a empresa estaria estruturando uma operação de sale-leaseback de imóveis hospitalares para reforçar o caixa.

Na outra ponta, Copasa (CSMG3) teve uma das maiores quedas do índice, acompanhada por Minerva (BEEF3) e Magazine Luiza (MGLU3). O papel da varejista, que foi destaque positivo em setembro, acumulando alta superior a 50% no mês, encerrou a sessão em baixa. Fleury também ficou entre as principais quedas, após anunciar a aquisição de mais um laboratório na região de São Paulo.

Dólar fica de lado

O dólar à vista fechou perto da estabilidade, em movimento descolado da euforia observada na bolsa. A moeda terminou o pregão em baixa de 0,08%, a R$ 5,216, após oscilar entre R$ 5,196 e R$ 5,239. Na semana, porém, acumulou alta de 0,67%.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o câmbio alternou entre pequenas altas e quedas ao longo da sessão diante de forças externas favoráveis e da cautela doméstica.

“O relatório de empregos dos EUA veio mais fraco que o esperado e reforça a aposta de que o Fed deve manter os juros em outubro, o que leva os juros longos americanos para baixo, enquanto o petróleo recua com a sinalização de liberação de estoques de diesel na Europa”, afirmou.

Segundo Kayo, esse ambiente externo mais favorável teve efeito limitado sobre o real. “A incerteza na véspera do primeiro turno mantém uma demanda mais defensiva por dólar”, disse.

Payroll e exterior

O relatório de emprego dos Estados Unidos também esteve entre os principais catalisadores do pregão. A economia americana criou 29 mil vagas em setembro, abaixo das 133 mil abertas em agosto e das 85 mil esperadas pelo mercado. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%.

O resultado reforçou a percepção de perda de força do mercado de trabalho americano e as apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em outubro. Após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries recuaram e as bolsas de Nova York ganharam força.

O S&P 500 subiu 0,7%, enquanto o Nasdaq avançou 1,16% e o Dow Jones ganhou 0,37%.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a combinação entre um payroll mais fraco e menor pressão sobre os juros americanos ajuda a explicar a reação positiva dos mercados. “Essa combinação sinaliza uma redução da pressão do mercado de trabalho sobre a inflação”, afirmou.

Lima também destacou o efeito da queda do petróleo. “A queda do petróleo abaixo de US$ 100 reforça esse alívio. A possível liberação de estoques reduz parte da preocupação com a escassez de oferta e pode amenizar custos de combustíveis e transporte”, disse.

Kayo também apontou o petróleo como um dos fatores de alívio no cenário externo, mas ressaltou que a volatilidade doméstica permaneceu elevada por causa da eleição.

Eleição no radar

A sessão marcou o encerramento dos negócios antes do primeiro turno das eleições presidenciais de domingo. O Goldman Sachs descreve a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro como altamente polarizada e avalia que as pesquisas apontam para um provável segundo turno.

Segundo o banco, Lula aparece à frente em muitas pesquisas de primeiro turno por uma margem pequena, enquanto levantamentos para um eventual segundo turno indicam uma disputa apertada. O Goldman também destaca que ambos os principais candidatos enfrentam índices elevados de rejeição e que o apoio dos candidatos que ficarem fora da disputa pode ser relevante para o segundo turno.

O banco aponta ainda que as prioridades dos eleitores mudaram durante a campanha. Segurança pública e corrupção passaram a superar preocupações sociais tradicionais, enquanto a insatisfação econômica continua elevada, em meio a preocupações com inflação, custo do serviço da dívida e poder de compra.

No mercado financeiro, a leitura do cenário eleitoral se refletiu principalmente na bolsa. A alta de 2,63% do Ibovespa nesta sexta-feira levou o índice para perto dos 192 mil pontos, enquanto o dólar permaneceu praticamente estável, sinalizando que o movimento de valorização dos ativos de risco não foi acompanhado na mesma intensidade pelo câmbio.

Kayo resume o comportamento da bolsa nesta sexta-feira como um pregão de oscilação e cautela antes da votação. “O Ibovespa passa o dia em oscilação, alternando momentos de alta e de perda de fôlego, com os investidores evitando aumentar posições antes do resultado de domingo”, afirmou.

Na parte da tarde, porém, o índice ganhou força, com alta disseminada entre as ações. “Petrobras e Vale sobem, e os bancos, que também oscilaram, ficam no campo positivo. As bolsas em Nova York avançam, e a volatilidade segue elevada na última sessão antes da votação”, disse.

AutorClara Assunção
FonteExame
Distribuído por