Apple ganha sinal verde para IA na China — com Alibaba e sem a nova Siri
Tim Cook confirma aprovação de recursos de IA no país; estreia envolve parceria com Alibaba e ocorre na chegada do iPhone Duo

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A Apple lançará uma versão de testes da Apple Intelligence na China ainda em outubro, segundo Tim Cook. A primeira etapa incluirá tradução em tempo real, ferramentas de escrita e remoção de elementos de fotos, sem a Siri AI. A estreia acompanha a chegada do iPhone Duo e uma estratégia que combina modelos próprios, parceiros e integração aos aparelhos.
A Apple Intelligence terá uma versão de testes na China ainda em outubro, com tradução em tempo real, ferramentas de escrita e remoção de elementos de fotografias — mas a Siri AI, nova versão da assistente da empresa, ficará fora dessa primeira etapa. A informação foi confirmada nesta quinta-feira, 15, por Tim Cook, presidente executivo do conselho da Apple, em entrevista ao jornal chinês The Paper, em Xangai.
O anúncio dá um prazo para a chegada de recursos que dependiam de aprovação regulatória no país. Também ocorre na preparação para a estreia do iPhone Duo, primeiro smartphone dobrável da Apple, que amplia a aposta da companhia em novos formatos de aparelho.
A liberação será gradual: o pacote inicial de IA não inclui todas as funções apresentadas pela empresa em outros mercados. Aprovação dos recursos e disponibilidade para os usuários são etapas distintas; Cook anunciou uma versão de testes, sem informar uma data específica para sua distribuição.
O papel do Alibaba na versão chinesa
A entrada no país exigiu uma estratégia própria. Segundo a Reuters, a Apple treinou um modelo de linguagem especificamente para o mercado chinês, desenvolvido em parceria com o Alibaba e com apoio da companhia no treinamento.
Documentos de autorização de aparelhos também passaram a registrar sistemas das duas empresas. Segundo o South China Morning Post, as licenças atualizadas incluem Apple Intelligence, Tongyi Qianwen e Tongyi Wanxiang.
O Tongyi Qianwen, conhecido como Qwen, é uma família de modelos de linguagem do Alibaba. O Tongyi Wanxiang é voltado à geração de imagens e vídeos. A presença desses sistemas nos registros não significa que todas as suas capacidades estarão disponíveis no primeiro pacote anunciado por Cook.
O processo regulatório já tinha avançado em julho, quando o serviço de IA generativa da Apple foi registrado pelo órgão chinês responsável pela internet. As atualizações nas autorizações dos aparelhos acrescentam outra etapa à preparação para o lançamento.
O iPhone Duo leva a discussão da IA para o aparelho
A chegada à China ocorre no início da gestão de John Ternus, que assumiu como CEO em 1º de setembro. Em reportagem publicada nesta quinta-feira, a revista Time usa o iPhone Duo para examinar a estratégia do executivo: combinar engenharia de produto e integração de software para manter os aparelhos da Apple relevantes na era da IA.
A revista descreve o trabalho por trás do dobrável, incluindo uma dobradiça com mais de 100 componentes internos de precisão e adaptações do sistema para a transição entre as telas. O Duo tem painel externo de 5,4 polegadas e interno de 7,6 polegadas, segundo a Apple, com espaço para usar aplicativos lado a lado.
Na entrevista à Time, Ternus também defende a participação de fornecedores na tecnologia dos produtos. Para ele, a companhia deve concentrar seus esforços onde consegue oferecer algo próprio. “Fazemos aquilo em que podemos realmente trazer diferenciação”, afirma.
A estratégia já aparece na nova Siri fora da China. Segundo a revista, a assistente lançada nos Estados Unidos em setembro utiliza um modelo da Apple que incorpora tecnologia do Gemini, do Google.
O que ficará faltando na primeira etapa
A ausência da Siri AI delimita o alcance da estreia chinesa. As ferramentas anunciadas por Cook atendem a tarefas específicas, como trabalhar com textos, traduzir e editar fotografias. A nova assistente representa uma camada mais ampla de interação com os aparelhos.
Na apresentação da Siri AI, em junho, a Apple descreveu um sistema capaz de buscar informações em mensagens, e-mails e fotos, compreender o contexto pessoal e realizar tarefas entre aplicativos, mediante as permissões necessárias.
Essas capacidades ajudam a explicar por que a disponibilidade da Apple Intelligence precisa ser examinada recurso por recurso e mercado por mercado. Ter acesso às ferramentas de escrita e edição de imagens não equivale a receber a experiência completa da nova assistente.
Cook não anunciou uma data para a chegada da Siri AI à China. Por enquanto, o cronograma confirmado contempla os primeiros recursos na versão de testes prevista para o fim de outubro.
