Apple lança novo modelo de iPhone hoje: como as ações devem reagir?
Empresa apresenta nesta quarta-feira, 9, os modelos premium da nova geração; papéis recuaram na véspera do evento

A Apple apresenta nesta quarta-feira, 9, sua nova geração de iPhones em um evento que marca também o primeiro grande lançamento de produtos de John Ternus como CEO da companhia. A expectativa é de que a empresa anuncie três aparelhos: iPhone 18 Pro, iPhone 18 Pro Max e seu primeiro iPhone dobrável, que pode ser chamado de Ultra ou Fold.
Já os modelos mais baratos da nova geração devem ficar para a primavera de 2027, incluindo o iPhone 18 convencional, o iPhone 18e e o iPhone Air 2. A mudança rompe com a tradicional estratégia da Apple de apresentar toda a nova geração de iPhones no segundo semestre e, segundo o BofA, pode favorecer o mix de produtos e os preços médios de venda, embora também crie o risco de consumidores mais sensíveis a preço adiarem a troca do aparelho.
A expectativa do mercado para o evento está alta. O lançamento do primeiro aparelho dobrável da Apple, em particular, é visto como uma das principais novidades da companhia em anos. O JP Morgan avalia, no entanto, que o evento terá elementos de incerteza: os consumidores aceitarão migrar para os modelos mais caros ou vão preferir aguardar?
Na visão de Fernando Saad, analista de alocação e inteligência da Avenue, ainda existe muita dúvida sobre a utilidade real dos celulares dobráveis. “A Samsung, por exemplo, já possui uma linha disponível há mais de cinco anos e, até agora, não vimos uma migração em massa dos consumidores para esse tipo de aparelho.”
Ele continua dizendo que o preço, estimado pelo mercado, na casa dos US$ 2.000, pode deixar o aparelho muito nichado. “Há também rumores de que algumas funcionalidades sejam deixadas de lado para abrir espaço para o novo formato, como o Face ID e a câmera com capacidade de telefoto, que teve bastante sucesso no iPhone 17”, diz.
Ao mesmo tempo, o mercado espera que esses aumentos relevantes nos preços dos modelos Pro, em meio aos custos mais elevados de componentes, especialmente memória e armazenamento, ajude a empresa.
Na véspera do evento as ações da Apple (AAPL) recuaram. Os papéis fecharam em US$ 316,22 na terça-feira, 8, uma queda de 1,17%, segundo dados de mercado.
Preço pode ficar até US$ 200 mais caro para compensar custos
O preço será uma das principais variáveis para a reação dos investidores. O BofA estima aumentos de US$ 150 a US$ 200 para o iPhone 18 Pro e o Pro Max, enquanto o Citi trabalha com uma alta de cerca de US$ 200 em relação à geração anterior. Já o JP Morgan tem como cenário-base um aumento de US$ 100 nos Estados Unidos, levando o preço do Pro para US$ 1.199 e o Pro Max para US$ 1.299.
Para o JP Morgan, o cenário de alta de US$ 100 já representa uma revisão em relação à estimativa anterior, de US$ 50, diante da forte alta dos custos de memória. O banco avalia que a Apple tem uma vantagem sobre outras fabricantes por seu acesso a componentes e pode, portanto, aplicar um reajuste menor do que o aumento observado no mercado de dispositivos em geral.
No cenário projetado pelo Citi, o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max poderiam partir de US$ 1.299 e US$ 1.399, respectivamente. Já o primeiro iPhone dobrável, potencialmente chamado de Ultra ou Fold, deve ter preço inicial de US$ 2.000 segundo o Citi e o JP Morgan. Já de acordo com o BofA, o preço do iPhone Ultra/Fold deve ser de US$ 2.099.
Preços maiores, mesmos volumes
Para os analistas, o aumento dos preços pode ajudar a Apple a preservar as margens diante da pressão de custos. O JP Morgan destaca que a percepção do mercado sobre a precificação mudou: se, em ciclos anteriores, manter os preços era considerado positivo por favorecer os volumes, agora um reajuste é visto como necessário para equilibrar a demanda com a proteção da margem bruta.
O banco também aponta que a Apple tem conseguido aumentar o preço médio de venda dos aparelhos sem provocar uma queda proporcional nos volumes. Entre 2015 e a estimativa para 2026, as unidades vendidas de iPhone cresceram cerca de 10%, enquanto o preço médio de venda avançou aproximadamente 50%.
O mix também ficou mais concentrado no segmento premium: a participação dos modelos Pro e Pro Max nas vendas passou de cerca de 37% em 2020 para aproximadamente 65% em 2025, com estimativa de 66% em 2026.
O efeito de "vender no fato"
Apesar da cautela no curto prazo, o Bank of America manteve a recomendação de compra para as ações da Apple e o preço-alvo de US$ 380, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação ao fechamento de terça-feira.
O UBS BB, por outro lado, mantém recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de US$ 296 em 12 meses, abaixo dos US$ 316,22 registrados em 8 de setembro de 2026. Isso implica um potencial de queda de aproximadamente 6% em relação ao preço de referência.
O Citi avalia que a Apple deve continuar entre as fabricantes mais resilientes em um eventual cenário de desaceleração, apoiada por sua base de consumidores de maior renda, opções de financiamento e acesso a componentes. A instituição também vê potencial de crescimento adicional com a expansão dos recursos de inteligência artificial da empresa.
Ainda assim, o comportamento das ações ao redor do evento merece atenção. Historicamente, os papéis da Apple costumam apresentar uma reação inicial de "vender no fato" após os eventos de lançamento. Segundo o BofA, as ações frequentemente têm uma reação modesta imediatamente depois da apresentação dos novos produtos e depois se recuperam nos 30 a 60 dias seguintes.
No lançamento da linha 17 (exceto o iPhone 17e), as ações subiram 15% após 60 dias, enquanto na linha 16 (exceto o iPhone 16e), os papéis subiram 3%. No lançamento do iPhone 15, o upside foi de 6% pós 60 dias. De 24 lançamentos desde 2007, as ações recuaram apenas em seis dentro de um período de dois meses.
Neste ano, o desempenho dos papéis deverá depender principalmente de três fatores: o tamanho dos aumentos de preços, a adoção dos novos recursos de IA da Siri e os comentários da companhia sobre a demanda pelo iPhone dobrável. O JP Morgan acrescenta que o grande catalisador positivo para a ação seria a manutenção do crescimento de receita na casa de dois dígitos no quatro trimestre desdte ano, acompanhada de controle sobre a diluição da margem bruta.
O banco também vê o iPhone Ultra/Fold mais como um demonstrativo tecnológico e uma forma de fortalecer a presença da Apple no mercado de dobráveis do que como um grande motor de vendas já no ano fiscal de 2027. A expectativa é de que o aparelho custe mais de US$ 2.000 e tenha volume inferior a 10 milhões de unidades neste ano.
Para Saad, no entanto, não dá para prever de forma precisa como as ações vão reagir imediatamente após o evento, mas a expectativa é de que o mercado avalie principalmente o potencial dessas novas tecnologias de gerar um novo ciclo de troca de aparelhos. “O principal ponto de atenção será o iPhone dobrável e se ele terá capacidade de ir além de um produto de nicho e estimular uma antecipação relevante de upgrades”, afirma.
Segundo ele, isso ganha ainda mais importância depois do lançamento bem-sucedido do iPhone 17, que já levou parte dos consumidores a antecipar a troca de aparelho. “Além disso, os investidores estarão atentos aos avanços da Apple em inteligência artificial, agora em colaboração com o Google, uma área em que a companhia vem ficando atrás de alguns concorrentes nos últimos anos”, continua.
Apple mantém força em Serviços, mas custos pressionam
A expectativa de alta nos preços dos iPhones também está ligada ao aumento dos custos de produção, especialmente de memória. O JP Morgan avalia que o reajuste pode ajudar a Apple a compensar parte dessa pressão e limitar a diluição da margem bruta, ao mesmo tempo em que a empresa se beneficia de seu maior acesso a componentes em relação a outras fabricantes.
A companhia também chega ao lançamento com uma operação considerada sólida. No trimestre mais recente, a receita do iPhone avançou 22%, para US$ 54,25 bilhões, enquanto a receita de Serviços atingiu US$ 30,74 bilhões, alta de 12% na comparação anual. A base ativa da Apple também chegou a 2,5 bilhões de dispositivos, segundo os dados citados pelo BofA.
Para o Citi, a combinação entre a enorme base instalada da Apple, mercados ainda pouco explorados e o potencial de monetização dos pagamentos oferece um espaço relevante para expansão dos Serviços.
A inteligência artificial também aparece como uma possível nova fonte de crescimento. O banco espera que recursos aprimorados da Siri e do Apple Intelligence ajudem a aumentar a adesão ao iCloud+ e o engajamento dos usuários no ecossistema da Apple. Como esses recursos são compatíveis apenas com aparelhos a partir do iPhone 15 Pro, eles também podem contribuir para acelerar o ciclo de substituição dos iPhones.
Para o JP Morgan, a concentração do lançamento nos modelos premium também traz uma dúvida adicional: consumidores que normalmente comprariam modelos mais baratos podem migrar para aparelhos mais caros ou simplesmente esperar até 2027. Nesse sentido, programas de financiamento, leasing e parcelamento podem ajudar a reduzir o impacto da alta dos preços sobre a acessibilidade.
Assim, embora o lançamento desta quarta-feira possa provocar uma reação de curto prazo nas ações, a tese permanece sustentada por fatores que vão além do novo aparelho — entre eles, a força da base instalada, o crescimento de Serviços, a capacidade de repassar custos por meio de preços mais altos e a expectativa de que a Apple amplie sua atuação em inteligência artificial.
