Apple lança programa para alugar iPhones, Macs e iPads nos EUA
Segundo o New York Times, iniciativa busca reduzir o impacto da alta nos preços causada pela escassez de chips impulsionada pela inteligência artificial.

A Apple lançou nesta terça-feira, 28, um novo programa de aluguel de dispositivos nos Estados Unidos, permitindo que consumidores utilizem iPhones, iPads, Macs e Apple Watches mediante pagamentos mensais, segundo o New York Times. A iniciativa chega em meio ao aumento dos custos de componentes provocado pelo avanço da inteligência artificial (IA), que vem pressionando os preços dos eletrônicos.
Batizado de Apple Upgrade, o programa oferece uma alternativa à compra tradicional ou ao financiamento. Os contratos serão operados pela empresa Klarna, conhecida por serviços de "compre agora, pague depois".
Ao fim do período de locação, o cliente poderá trocar o aparelho por um modelo mais recente, comprá-lo definitivamente ou devolvê-lo, encerrando a participação no programa.
Programa amplia iniciativa criada em 2015
A Apple já havia lançado, em 2015, um programa que permitia aos consumidores trocar seus iPhones anualmente por novos modelos. Segundo a empresa, a expansão do serviço para outras categorias de produtos vinha sendo planejada há mais de dois anos.
Entre os exemplos apresentados pela companhia está um MacBook Pro de US$ 1.999, que poderá ser utilizado mediante pagamentos mensais de US$ 38,99 durante 36 meses.
Karen Rasmussen, responsável pela loja digital da Apple, afirmou que o Apple Upgrade representa "uma forma mais flexível" de os consumidores adquirirem os produtos da empresa.
Escassez de chips elevou preços
O novo programa surge em um momento em que fabricantes de eletrônicos enfrentam uma forte alta nos custos de memória e armazenamento. A demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial levou empresas como Nvidia e AMD a consumir mais desses componentes para seus chips destinados a data centers.
Como consequência, fabricantes de memória, como a Micron, passaram a priorizar chips voltados para IA, reduzindo a produção de componentes destinados ao mercado de eletrônicos de consumo.
Segundo a consultoria Counterpoint Research, os preços dos chips de memória e armazenamento quadruplicaram nos últimos 12 meses, pressionando fabricantes a repassar parte desse aumento aos consumidores.
Nos últimos meses, empresas como Samsung, Google e Microsoft elevaram — ou anunciaram aumentos — nos preços de seus dispositivos. Consoles de videogame, como Nintendo Switch, Xbox e PlayStation, também foram afetados pela escassez.
Em junho, a própria Apple aumentou em US$ 200 ou mais os preços de alguns modelos de iPad e Mac, citando justamente o encarecimento dos componentes.
Apple prepara terreno para novos reajustes
Especialistas ouvidos pelo New York Times avaliam que o programa pode suavizar o impacto de futuros aumentos de preços para os consumidores.
Richard Kramer, analista da Arete Research, afirmou que a Apple deverá elevar os preços do iPhone ainda neste semestre e que o programa de aluguel amplia as opções de pagamento para quem pretende adquirir um novo aparelho.
A iniciativa também pode fortalecer o mercado de dispositivos recondicionados da empresa. A Apple informou que aparelhos devolvidos em boas condições serão restaurados e revendidos, enquanto os demais serão reciclados.
Para Ron Johnson, ex-chefe da divisão de varejo da Apple, oferecer parcelas menores pode reduzir a resistência dos consumidores diante dos reajustes. Segundo ele, cada vez mais pessoas estão confortáveis com modelos de pagamento por assinatura ou mensalidades.
